Semana de 30 de agosto a 3 de setembro de 2026
XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Mesmo que dê a preguiça ou alguns não estejam com vontade de realizar este momento de oração, insistamos e façamo-lo.
Por vezes, é necessário insistir, manter e deixar a oportunidade em aberto em vez de seguir o caminho fácil de suspender, ignorar ou não fazer.
Contudo, também é muito importante incentivar os outros a orar comigo, assim como ter os outros presentes nos meus agradecimentos e nas minhas preces, principalmente os mais afastados da fé.
Preparemo-nos para esta oração, tendo a Bíblia aberta em Mateus 16 junto duma vela acesa.
Com Jesus a encher-nos o coração, benzemo-nos
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Afastemos todas as nossas preocupações e, com a certeza que Deus nos basta, louvemo-Lo:
Tu nada temas
Nada te espante
Pois tudo passa
Deus nunca muda
A paciência tudo alcança
Quem a Deus tem nada lhe falta
Só Deus basta
Só Deus basta
Só Deus basta
Aleluia (bis)
O Deus que somos convidados a seguir é o Deus que nos chama a tomar a nossa cruz e a caminhar com Cristo, mesmo perante as dificuldades. É o Deus que nos ensina que perder a vida por amor é encontrar o verdadeiro sentido de viver.
Dirijamos-Lhe a nossa oração, agradecendo a fé, a força e a coragem para colocar o Evangelho no centro das nossas escolhas, sem esquecer aqueles que ainda procuram o caminho até Ele.
Para ler a passagem bíblica de Mt 16, 21-27, se tivermos três pessoas, façamo-lo de forma alternada (narrador, Pedro e Jesus), tranquilamente:
NARRADOR
Naquele tempo, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo:
PEDRO
Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!
NARRADOR
Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe:
JESUS
Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens.
NARRADOR:
Jesus disse então aos seus discípulos:
JESUS
Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la.
Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?
O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.
Aprofundemos a mensagem desta passagem bíblica
Ganhar o mundo inteiro
Quando Jesus pergunta “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?”, Ele desmonta a lógica humana de sucesso e obriga-nos pensar além das aparências. Ganhar o mundo significa alcançar tudo aquilo que parece valioso nesta vida: dinheiro, influência, fama, prestígio, poder, admiração e riqueza. Nenhuma destas coisas é necessariamente errada em si mesma mas torna-se perigosa quando ocupam o essencial da existência. O problema começa quando a pessoa passa a medir o seu valor pelo que conquistou, quando a sua identidade depende do que exibe e quando a sua paz está condicionada ao que consegue manter. Neste momento, a alma começa a adoecer, porque foi criada para algo maior do que os bens temporários. A pessoa pode ter a agenda cheia, os cofres cheios e a casa cheia mas continuar com a alma vazia, pode ser admirada por muitos e desconhecida de si mesma. O perigo surge quando estas coisas ocupam o lugar que pertence somente a Deus.
Perder a vida
A perda a vida eterna e, por consequência, da própria alma, nem sempre acontece de forma repentina mas, muitas vezes, é um processo lento e silencioso que surge de pequenas concessões: um valor abandonado aqui, uma mentira tolerada ali, um coração cada vez mais distraído, a fé é adiada para depois. Aos poucos, aquilo que incomodava deixa de incomodar, o pecado normaliza-se, a frieza instala-se e o que era prioridade vira detalhe. Quando se percebe, a pessoa construiu uma vida inteira por fora e negligenciou o essencial por dentro. A pessoa continua a funcionar, a trabalhar, a sorrir e a produzir mas, por dentro, está a esvaziar-se. Pode haver sucesso externo e falência interna ao mesmo tempo.
O valor da alma
A alma tem um valor que o mundo não consegue mensurar porque carrega a dimensão de vida eterna do ser humano. O homem pode conquistar territórios inteiros e ainda assim continuar vazio porque existe dentro dele uma sede que só Deus pode saciar. Quando procuramos nas coisas temporárias o que só o eterno pode dar, frustramo-nos inevitavelmente.
Há conquistas construídas sobre ansiedade, relacionamentos quebrados, culpa escondida, vazio emocional, ausência de sentido, perda de honestidade, consciência ferida. O mundo costuma celebrar resultados sem perguntar qual foi o preço pago por eles. Deus sempre vê aquilo que é negociado no segredo do coração e percebe se estamos a atribuir à nossa alma um valor alto ou baixo. Se para subir, for preciso tudo isto e muito mais, então não houve um ganho real, apenas perda disfarçada de vitória e há uma hipoteca da minha alma e da vida eterna. Há pessoas que alcançaram muito diante dos homens e perderam tudo diante de si mesmas e de Deus.
O apelo à conversão
No fim, tudo o que é material ficará para trás, os títulos cessarão, os bens mudarão de mãos, a fama apagar-se-á e os aplausos calar-se-ão. Restará a alma diante de Deus e por isso a pergunta de Jesus permanece urgente. O maior fracasso não é não conquistar o mundo mas conquistar o mundo inteiro e chegar vazio à eternidade. O maior sucesso, ao contrário, é viver reconciliado com Deus, guardar o coração e terminar a caminhada com alma salva e em paz, sendo fiel àquilo que realmente importa.
Jesus não passa ao nosso lado sem nos interpelar… Ele desafia-nos a olhar para além das aparências, a questionar aquilo que o mundo nos apresenta como sucesso e a descobrir onde colocamos verdadeiramente o valor da nossa vida. Convida-nos a não trocar o essencial pelo que é passageiro, nem a ganhar o mundo à custa da nossa alma.
Com humildade e coragem, verdade e confiança, deixemo-nos questionar pelas Suas palavras e reflitamos:
- Onde está verdadeiramente o meu tesouro?
Que lugar ocupam na minha vida o dinheiro, os bens, o reconhecimento, o sucesso e o poder?
Alguma destas coisas está a ocupar o lugar que pertence a Deus? - Que preço estou disposto a pagar para alcançar os meus objetivos?
Já sacrifiquei valores, relações, princípios ou a minha paz interior para conseguir aquilo que considero sucesso? - Tenho cuidado da minha alma?
Na correria do dia a dia, tenho dado espaço à fé, à oração e à relação com Deus, ou tenho deixado o essencial para depois? - Se hoje tivesse de apresentar a Deus a minha vida, o que permaneceria verdadeiramente valioso?
Se tudo aquilo que tenho conquistado desaparecesse, quem seria eu diante de Deus e o que teria para Lhe oferecer?
Jesus conhece o nosso coração e sabe como facilmente nos deixamos seduzir pelo que o mundo valoriza.
Quando colocamos o sucesso, os bens, o reconhecimento ou as nossas ambições acima de Deus, corremos o risco de perder de vista aquilo que verdadeiramente importa. Confiando na Sua palavra e pedindo a graça de viver com o coração voltado para o essencial, apresentemos-Lhe as nossas preces.
Reconhecendo que o verdadeiro sentido da vida não está naquilo que possuímos ou conquistamos, mas na relação com Deus e com os nossos irmãos, e pedindo a graça de colocar o essencial acima de tudo, rezemos, com confiança:
Atentos às palavras que vamos proferir, digamos esta oração juntos:
Deus, nosso Pai,
Ensina-nos a não confundir o verdadeiro valor da vida
com aquilo que o mundo nos apresenta como sucesso.
Livra-nos da ambição que nos afasta de Ti
e da procura de bens, reconhecimento ou poder que nos faz esquecer o essencial.
Dá-nos a coragem de tomar a nossa cruz e seguir Jesus, colocando a nossa vida ao serviço dos outros e permanecendo fiéis aos valores do Evangelho, mesmo quando o caminho é difícil.
Que saibamos cuidar da nossa alma, guardar o nosso coração e escolher, todos os dias, aquilo que verdadeiramente permanece.
Senhor, que nunca ganhemos o mundo à custa de perder a nossa vida.
Que, no final da nossa caminhada, possamos apresentar-Te não aquilo que acumulámos, mas o amor que demos, o bem que fizemos e a fidelidade com que Te seguimos.
Amen.
Abençoados por Jesus, que nos chama a deixar para trás o que é passageiro e a escolher aquilo que verdadeiramente dá sentido à nossa vida, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Fica a sugestão da Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2026