Semana de 6 a 12 de setembro de 2026
XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Quando surgem conflitos ou dificuldades entre nós, é fácil afastarmo-nos, guardar ressentimentos ou fingir que nada aconteceu. Jesus convida-nos a fazer diferente: a procurar o irmão, falar com verdade e procurar a reconciliação.
Também na oração somos chamados a não caminhar sozinhos, mas a reunir-nos em Seu nome, confiando que Ele está presente no meio de nós.
Preparemo-nos para esta oração, tendo a Bíblia aberta em Mateus 18 junto de uma vela acesa e trazendo ao coração alguém com quem precisamos de fazer as pazes ou por quem queremos rezar.
Entreguemos o nosso coração a Deus para nos ajudar a descobrir que nas nossas relações, mais importante que ter razão, é restaurar, perdoar e voltar a unir.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Ousemos louvar a Deus, de braços no ar, abertos ou em cruz! Desafiamo-vos a aprender e a reproduzir a coreografia do refrão, enquanto cantamos com alegria!
Braços no ar para gritar
Braços abrir para acolher
Braços em cruz para dizer:
“Aqui, aqui está Jesus!”
Dou-te o braço direito para abraçar o irmão
Para te dar o que tenho, para ser a tua mão.
Dou-te o braço esquerdo para puxar o arado
Para lançar as redes do teu apostolado.
Dou-te a perna direita para andar o caminho
Que tu andares Senhor nunca estarei sozinho.
Dou-te a perna esquerda para correr apressado
Falando de ti e de Deus, aqui e em todo o lado.
Dou-te a minha boca para te anunciar
Para gritar ao mundo: é tão bonito amar
Dou-te o meu coração, tudo o que sinto e sou
Leva-me onde quiseres, leva-me contigo, vou!
Antes de escutarmos a Palavra, somos convidados a fazer a nossa oração de agradecimento sincera e espontânea. Agradecemos, em particular, por alguém que tenha sido instrumento de reconciliação, compreensão ou perdão, na nossa vida.
Escutemos, na voz de um de nós, o convite que Jesus nos faz em Mt 18, 15-20: ir ao encontro do irmão.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».
Consideremos, pensando na mensagem e na nossa vida, este aprofundamento ao texto bíblico
O orgulho manifesta-se no “ter razão”
Muitos conflitos e ruturas não acontecem por falta de amor mas por excesso de ego e de orgulho. O orgulho é subtil e, raramente, aparece de forma explícita mas sempre se disfarça de “ter razão”, de justiça ou de “estou a defender-me”. No fundo, o orgulho manifesta-se na necessidade de ter o controle, de não ceder, de não parecer fraco, de abrir mão duma posição de superioridade. O orgulho impede o pedido de perdão, porque associa o erro à perda de valor pessoal, ele bloqueia a escuta porque já decidiu internamente que o outro está errado e endurece o coração ao ponto de transformar pequenos conflitos em distâncias profundas. O orgulho cria uma dinâmica silenciosa de competição a ver quem está mais certo, quem cede primeiro, quem pede desculpa e, enquanto esta disputa invisível acontece, o vínculo vai-se desgastando, porque o relacionamento não sobrevive à lógica da disputa. Na verdade, o orgulho protege o “eu” mas sacrifica o “nós”.
Quando o orgulho domina, passamos a interpretar tudo a partir de nós mesmos e acabamos por distorcer a realidade. Assim, as nossas dores parecem maiores, as nossas razões mais justificáveis, os nossos erros menores. O outro deixa de ser alguém a ser compreendido e passa a ser alguém a ser enfrentado. Neste processo, a empatia desaparece e sem ela não há reconciliação possível.
Passar do “ter razão” à restauração do outro
Neste texto de Evangelho, Jesus convida a restaurar o irmão e, por conseguinte, restaurar as relações. Restaurar implica reconhecer que o relacionamento tem mais valor do que o argumento, implica deslocar o foco do “eu tenho razão” para o “nós precisamos de ficar bem”. Esta mudança não é natural, ela exige maturidade, humildade e, muitas vezes, um confronto interno antes mesmo do confronto com o outro.
Quando Jesus orienta a procurar o irmão com o objetivo de o ganhar, Ele redefine completamente a finalidade do diálogo. Não se trata de corrigir para provar um erro mas de aproximar para reconstruir e isto muda o tom da conversa, a escolha das palavras e a postura do coração. Quem quer apenas “ter razão” tende a acusar, a interromper e a insistir, quem quer restaurar aprende a ouvir, a considerar, a falar com cuidado. A intenção transforma a comunicação e a motivação faz toda a diferença. A intenção não deve ser expor para ferir ou mas tratar para curar. Em vez de usar a verdade como arma, ela passa a ser instrumento de reconstrução.
Quando o objetivo é restaurar, o tempo ganha um novo significado. Nem toda a reconciliação acontece rapidamente, às vezes, o outro não está pronto para ouvir, ou a ferida ainda está aberta. Quem procura apenas “ter razão” costuma pressionar por uma resolução imediata, já quem deseja restaurar entende processos, respeita limites e permanece disponível, sem forçar resultados.
Priorizar estar certo é um movimento centrado no ego, priorizar restaurar é um movimento centrado no amor. Em cada conflito, em cada conversa difícil, surge a oportunidade de escolher entre vencer ou reconciliar. Embora restaurar seja mais exigente, é o único caminho que realmente constrói relacionamentos duradouros, profundos e transformadores.
Jesus fala-nos de situações em que somos magoados ou alguém erra connosco. É fácil ficarmos presos à nossa razão, acusar, julgar ou afastar. Mas Jesus convida-nos a procurar o irmão e a restaurar a relação ferida. Reflitamos:
- Já aconteceu estar tão focado no erro do outro que deixo de ver a pessoa?
- Quando corrijo alguém, faço-o para ajudar ou para mostrar que estava certo?
- Há alguém de quem me afastei porque não consegui ultrapassar a mágoa?
- Tenho coragem de falar diretamente com quem me magoou, em vez de falar sobre essa pessoa?
- Quem é, hoje, o “irmão” que Jesus me pede para restaurar?
Agora, cada um é convidado a apresentar a sua prece a Jesus. Peçamos por alguém com quem precisamos de nos reconciliar, por uma relação ferida ou por alguém que necessita do nosso perdão.
Querendo verdadeiramente “ir ao encontro do irmão”, procurando-o com verdade e amor, não para o humilhar, mas para o ajudar a reencontrar o caminho, rezemos com fé
Atentos às palavras que vamos proferir, digamos esta oração juntos:
Senhor Jesus, liberta-nos da necessidade de termos sempre razão.
Quando o nosso orgulho nos disser para nos afastarmos,
dá-nos coragem para nos aproximarmos.
Quando formos magoados, ensina-nos a perdoar.
Quando tivermos de corrigir,
dá-nos palavras que curem e não palavras que firam.
Que nunca procuremos simplesmente vencer uma discussão,
mas procuremos ganhar o irmão.
Ensina-nos a escolher a reconciliação em vez do ressentimento,
o diálogo em vez do silêncio, o amor em vez do orgulho.
E que, no meio das nossas famílias,
das nossas amizades e das nossas comunidades,
se possa reconhecer a Tua presença.
Porque onde há pessoas que escolhem restaurar em vez de destruir, Tu estás no meio delas.
Amen.
Que o Senhor nos abençoe e nos ensine a construir pontes onde existem muros, a procurar o diálogo onde existe conflito e a escolher o amor quando seria mais fácil escolher a razão.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.