Semana de 20 a 26 de setembro de 2026
XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Vamos criar um momento de silêncio e tranquilidade para nos reunirmos e estarmos com Deus… Ele não está longe. Está presente, mesmo quando não O sentimos, mesmo quando atravessamos momentos de dúvida, silêncio ou desânimo.
Preparemo-nos para a oração abrindo a bíblia em Is 55, 6-9, acendemos uma vela e, de olhos fechados, perguntemos com sinceridade, ao nosso coração: É Deus que Se esconde ou somos nós que, pouco a pouco, nos afastamos d’Ele?
Abrindo o nosso coração à presença de Deus, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Chamemos Deus para o meio de nós, abstraindo-nos das nossas preocupações.
Assim como uma corsa
suspira pelas águas,
assim suspira minha alma,
Espírito de Deus.
Oh, oh, enche-me Espírito
Enche-me Espírito
Enche-me Espírito de Deus
Este é o momento de agradecer a Deus por aquilo que, espontaneamente, o nosso coração nos dita, pode ser uma pessoa, uma situação, uma graça, um momento em que sentimos a Sua presença…
Terminamos dizendo: “ Senhor, obrigado porque estás perto, mesmo quando eu não Te sinto.”
Escutemos na voz de um de nós o texto de Is 55, 6-9, que nos convida a “olhar para dentro”.
Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar,
invocai-O, enquanto está perto.
Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos.
Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele,
ao nosso Deus, que é generoso em perdoar.
Porque os meus pensamentos não são os vossos,
nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor.
Tanto quanto o céu está acima da terra,
assim os meus caminhos estão acima dos vossos
e acima dos vossos estão os meus pensamentos.
Despertos para a boa nova, tentemos compreender esta mensagem:
Deus pode afastar-se?
Ao ouvir o texto de Isaías, que faz parte desta oração, pode surgir uma pergunta inquietante: Deus pode afastar-se? Existe o risco de Deus fugir para longe do ser humano? Pode esconder-se? Se Ele é amor infinito, como entender esta urgência do profeta? Toda a Sagrada Escritura revela, justamente, um Deus que se aproxima. Desde o início da história da salvação, é Deus quem procura o Homem, mesmo depois do pecado de Adão, Deus continua a chamar, dizendo: “onde estás?” Em toda a Bíblia, vemos um Deus que insiste em permanecer próximo, um Deus que acompanha Abraão, caminha com Moisés, fala pelos profetas e, finalmente, aproxima-se definitivamente da humanidade em Jesus Cristo, Seu filho.
Este texto, tirado do chamado Segundo Isaías, como chamam os estudiosos da Bíblia, é dirigido ao povo de Deus, no exílio da Babilónia. Quando o profeta diz: “Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto”, ele está a falar a um povo que precisava de decidir se voltaria ou não para Deus. O exílio revelou as consequências da infidelidade de Israel, que vieram pela idolatria, pela injustiça, orgulho e afastamento espiritual. Tudo isto tinha destruído a relação do povo com Deus, Agora e mais uma vez, Deus procura o Seu povo e oferece uma nova oportunidade de conversão. Não é afastamento pela parte de Deus mas um convite à conversão.
O afastamento do Homem
O problema do Homem nunca foi a ausência de Deus mas a sua distração interior. Deus fala no silêncio da consciência, nas dores, nos acontecimentos da vida, na Palavra, nas inquietações mais profundas da alma. Entretanto, o coração moderno vive cheio de ruídos. Há excesso de informação e falta de interioridade, muitos sabem de tudo sobre o mundo mas desconhecem o próprio coração. A superficialidade torna o Homem incapaz de perceber a presença de Deus.
Deus é imutável no Seu amor mas o Homem muda constantemente. O coração humano pode endurecer-se, pode-se ir afastando de Deus. Quanto mais o Homem se afasta da luz, menos percebe a sua própria escuridão. A consciência vai-se tornando silenciosa, vai-se acostumando ao pecado e o que antes causava arrependimento passa a parecer normal. A alma perde a sensibilidade espiritual e o Homem pode ocupar-se tanto consigo mesmo, com o mundo, com os próprios desejos que já não consegue reconhecer a presença divina. Assim, aos poucos, o Homem foi-se afastando da fonte, que é Deus, e passou a viver biologicamente mas está espiritualmente morto.
Um despertar de consciência
Esta palavra de Isaías não é para gerar medo mas para despertar a consciência. A vida é passageira, o coração humano é frágil, a graça é um dom de Deus que não podemos adiar indefinidamente. O ser humano costuma adiar a conversão, tem a ilusão de que haverá tempo para mudar, para rezar, para voltar para Deus, mas a Palavra de Isaías insiste no hoje.
“Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar” significa “procurar” enquanto o coração ainda consegue escutar, “procurar” enquanto existe desejo de conversão, “procurar” enquanto a consciência fala, “procurar” enquanto a alma ainda sente sede de infinito. Deus não foge do ser humano e o Seu amor divino permanece fiel mesmo diante das infidelidades humanas. O que pode acontecer é o Homem acostumar-se a viver longe de Deus que já não percebe a sua ausência. Não deixemos que o nosso coração fique adormecido e duro mas aceitemos o desafio de Isaías.
Ao “olharmos para dentro”, talvez percebamos que, provavelmente, não é Deus Aquele que Se afasta, mas nós que, pouco a pouco, deixamos de O procurar…
As preocupações, a pressa, as feridas, o orgulho, as deceções ou simplesmente a rotina ocupam tanto espaço dentro de nós que já não deixamos lugar para Deus. E, no entanto, Ele continua perto.
Reflitamos:
- Quando foi a última vez que procurei verdadeiramente Deus em silêncio?
- Há alguma preocupação que esteja a ocupar no meu coração o lugar que deveria pertencer a Deus?
- Procuro Deus apenas quando preciso d’Ele?
- Tenho dificuldade em aceitar que os caminhos de Deus possam ser diferentes dos meus?
- Se Deus está perto, porque é que, por vezes, eu não O consigo reconhecer?
Agora, cada um pode apresentar a Deus a sua própria prece; podemos pedir-Lhe por aquilo que trazemos no coração: uma preocupação, uma pessoa, uma decisão, uma dificuldade ou simplesmente a graça de voltar a aproximar-nos d’Ele.
Terminamos dizendo: “Senhor, aproxima o meu coração de Ti.”
Sentindo a presença de Deus no nosso coração, rezemos com Jesus
Atentos às palavras que vamos proferir, digamos esta oração juntos:
Senhor, tantas vezes Te procuramos longe, quando Tu estás tão perto.
Pensamos que Te escondeste, quando talvez tenhamos sido nós a fechar os olhos à Tua presença.
Perdoa-nos quando nos afastamos, quando deixamos que a preocupação seja maior do que a confiança, quando a nossa vontade fala mais alto do que a Tua Palavra.
Ensina-nos a procurar-Te, não apenas nos momentos de necessidade, mas em cada dia, nas pequenas coisas, nas pessoas que colocas no nosso caminho, nos acontecimentos da nossa vida e no silêncio do nosso coração.
Quando não compreendermos os Teus caminhos, dá-nos confiança.
Quando não Te sentirmos, dá-nos perseverança.
Quando nos afastarmos, chama-nos de novo.
Que nunca confundamos o Teu silêncio com ausência, nem a Tua aparente distância com abandono.
Ajuda-nos a acreditar que estás perto e que, quando Te procuramos com um coração sincero,
Tu nunca deixas de Se deixar encontrar.
Senhor, aproxima-nos de Ti e ensina-nos a permanecer Contigo.
Amen.
Abençoados com a presença constante de Deus, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.