Semana de 16 a 22 de agosto de 2026
XX DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Mesmo que o tempo seja pouco, a vontade nem seja muita e a solidão seja mais fácil, desafiemos outros para fazerem esta oração connosco.
Experimentemos este momento de oração em família.
Tenhamos a Bíblia aberta no capítulo 11 da Carta de São Paulo aos Romanos e uma vela acesa no meio de nós.
Na presença de Deus e do Seu amor misericordioso, façamos silêncio durante uns segundos e benzamo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos a Deus, a quem entregamos a alma e o coração.
Deus não sou mais que um homem
Deus tem piedade de mim
Se for tua vontade
Eu estarei pronto a levar a Cruz
Deus dou-te a minha alma
E o meu coração
Viverei só p’ra ti senhor
Tu és a salvação
Deus se tu me abandonas
Quem te substituirá?
Procuro à minha volta alguém
Mas ninguém o fará
Cada um de nós é convidado a fazer um momento de silêncio e a agradecer a Deus Pai…
Pode ser por uma graça recebida, uma pessoa, uma situação, pelo Seu amor que nunca nos abandona ou por algo mais que nos pareça significativo e tocou o nosso coração…
Quem vai ler hoje, em voz alta, o texto que nos é proposto em Rom 11, 13-15.29-32?
Irmãos: É a vós, os gentios, que eu falo: Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. Assim também eles desobedeceram agora, devido à misericórdia que alcançastes, para que, por sua vez, também eles alcancem agora misericórdia. Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.
Percebamos a mensagem de esperança e alento contida neste texto!
A desobediência é comum a todos
Quando São Paulo afirma que “Deus encerrou a todos na desobediência”, ele não está só a falar de erros isolados mas duma condição que alcança toda a humanidade. A desobediência não se limita a atitudes visíveis ou falhas ocasionais, ela nasce no interior, no coração humano, quando escolhemos a nossa própria vontade em vez da vontade de Deus. Muitas vezes, acreditamos que desobedecer é apenas quebrar regras claras mas, na verdade isto acontece quando confiamos mais em nós mesmos do que em Deus, quando seguimos os nossos próprios caminhos e ignoramos a direção divina.
Esta realidade coloca-nos a todos no mesmo nível diante de Deus. Não há espaço para comparação, orgulho ou sentimento de superioridade, porque “todos”, sem exceção, já falhámos. Todos aqueles que se consideram corretos quanto aqueles que reconhecem as suas fraquezas carregam dentro de si esta mesma inclinação. A desobediência pode ser subtil e silenciosa, escondida em intenções, pensamentos e justificações. Às vezes, ela manifesta-se na omissão, quando sabemos o que é certo e não fazemos; outras vezes, na pressa, quando agimos sem buscar a vontade de Deus; muitos casos em atitudes aparentemente corretas mas motivadas por razões erradas.
A desobediência revela a nossa necessidade de Deus
Uma escolha errada, um impulso não controlado ou uma atitude precipitada revelam o quanto somos frágeis. Esta fragilidade não é um acidente isolado mas um sinal constante de que precisamos de direção, de sabedoria e de transformação que vêm de fora de nós. Assim, em vez de nos afastar de Deus, a desobediência, quando reconhecida, leva-nos ao encontro do caminho da graça porque a vida passa a ser sustentada pela dependência de Deus e não pela autossuficiência.
A misericórdia é para todos
Quando São Paulo diz que Deus ”usa de misericórdia para com todos”, ele mostra que a história humana não caminha para a rejeição mas para a graça. A desobediência expõe a nossa condição mas não define o destino que Deus deseja para nós. A afirmação de que ninguém fica fora da graça de Deus mostra que ela não é um privilégio de alguns mas uma oferta universal que alcança toda a humanidade com as suas falhas e méritos. A tendência humana para criar categorias de pessoas mais dignas e menos dignas, mais próximas e mais distantes de Deus deixa de ter sentido.
Ninguém fica fora da graça de Deus
Se todos passaram pela desobediência, então todos compartilham a mesma necessidade; se a misericórdia e graça de Deus são oferecidas a todos, então ninguém pode ser automaticamente excluído. A graça não é limitada pelo passado de alguém, nem pelas suas quedas, nem pelas suas escolhas erradas, pelo contrário, ela manifesta-se onde há necessidade. Isto não significa que todos vivem automaticamente na experiência da graça mas que todos estão incluídos na possibilidade dela. A graça está disponível, aberta e acessível. O que muitas vezes impede alguém de vivê-la não é a falta de oferta divina, mas a resistência humana, seja por orgulho, quando alguém acredita que não precisa, seja por culpa, quando alguém acredita que não merece. Em ambos os casos, há um bloqueio que não vem de Deus mas da própria perceção humana.
A desobediência não deve ser ignorada ou tratada como algo sem importância, mas ela não é ponto final da relação entre Deus e a humanidade. Isto revela que o objetivo de Deus não é excluir mas resgatar, não é afastar mas reconciliar, não é nivelar na desobediência mas levantar o pecador.
Todos, sem exceção, experimentamos momentos em que escolhemos o nosso caminho, fechamos o coração, erramos, nos afastamos de Deus e lhe somos desobedientes. Reconhecer humildemente a nossa desobediência ao Pai é perceber que precisamos d´Ele e que, nas nossas fraquezas, podemos experimentar sempre a Sua misericórdia. Reflitamos:
- Em que situações tenho dificuldades em obedecer à vontade de Deus?
- Tenho consciência das minhas próprias fragilidades ou vejo mais facilmente os erros dos outros?
- Há alguém a quem tenho dificuldade em perdoar ou acolher?
- Como reajo quando erro? Afasto-me de Deus ou procuro a Sua misericórdia?
- De que forma posso ser, esta semana, um sinal de misericórdia para alguém?
Agora, confiantes na misericórdia de Deus, cada um é convidado a fazer a sua prece. Podemos rezar por nós, pelas nossas fragilidades, por quem precise de perdão, por quem se afastou de Deus… Deixemos o nosso coração se desnudar e falar abertamente com o Pai de misericórdia.
Sabendo que a nossa fragilidade não é maior que a misericórdia de Deus e sentindo-nos dignos do Seu infinito amor, rezemos ao Pai
Senhor, sabemos que somos todos frágeis e que muitas vezes nos afastamos de Ti.
Obrigado por não desistires de nós!
Quando erramos, dá-nos a humildade para reconhecer;
Quando cairmos, dá-nos força para recomeçar;
Quando somos magoados, dá-nos um coração capaz de perdoar.
E quando olharmos para os outros, ajuda-nos a vê-los com os olhos da Tua misericórdia.
Que nunca nos esqueçamos que a nossa desobediência, não é maior que o Teu amor!
Amen
Que o Senhor nos abençoe, nos acompanhe nas nossas fragilidades, nos conceda um coração humilde para pedir perdão e um coração misericordioso para perdoar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.