Semana de 27 de setembro a 3 de outubro de 2026
XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Preparemos o nosso local de oração…
Preparemo-nos a nós mesmos, interiormente, façamos silêncio por alguns instantes e coloquemo-nos diante de Deus, sem máscaras e sem desculpas.
Devemos ter connosco a Bíblia aberta em Mateus 21 e, quando todos estivermos preparados para começar, acendemos a vela.
Sabendo que Jesus aprecia a verdade do nosso coração, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Com verdadeira intenção de vivenciar este nosso momento de comunhão com Deus, diante d´Ele, repitamos juntos:
Senhor nosso Deus,
estamos diante de Ti tal como somos.
Conheces as nossas palavras,
as nossas intenções,
as nossas resistências
e também os nossos recomeços.
Dá-nos a coragem de olhar para dentro de nós
e reconhecer onde precisamos de mudar.
Que a Tua Palavra encontre espaço no nosso coração
e nos ajude a passar das palavras aos gestos,
da obrigação à entrega, da resistência ao arrependimento.
Amen.
Queremos ser fiéis ao amor de Deus?
Então, louvemo-Lo!
Quero ser fiel
Neste caminhar a dois
Com um amor real
Sem fingir a minha fé
Viver o que acredito
Não falar do que não vivo
Quero ser fiel, Senhor
Porque és digno de adoração total
Porque és santo
Deixarei p’ra trás o mal
Quero viver para ti
Com um coração completo
Pois quando deste, deste tudo
Tudo por mim
Antes de continuarmos, cada um de nós é convidado a fazer a sua própria oração de agradecimento. Agradeçamos a Deus por algo concreto: uma pessoa, uma oportunidade, um perdão recebido, uma dificuldade que conseguimos ultrapassar, ou simplesmente pelo dom de mais um dia.
Escutemos na voz de um de nós, a significativa mensagem que Jesus nos transmite em Mt 21, 28-32.
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe:
‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’.
Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’.
Depois, porém, arrependeu-se e foi.
O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo.
Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’.
Mas de facto não foi.
Qual dos dois fez a vontade ao pai?»
Eles responderam-Lhe: «O primeiro».
Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo:
Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus.
João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele;
mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram.
E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».
Percebamos melhor esta mensagem para permitamos que o nosso arrependimento, passe a transformar o nosso coração:
No texto desta oração, Jesus conta uma pequena parábola em que o pai convida os dois filhos para irem trabalhar na vinha.
O primeiro filho responde ao pai com uma negativa direta: “não quero”. A resposta deste filho carrega rebeldia, resistência e talvez cansaço. Ele representa o ser humano na sua condição mais honesta, alguém que muitas vezes luta contra a vontade de Deus, alguém que resiste ao chamamento divino e escolhe seguir os seus próprios desejos. Contudo, a história não termina na resposta negativa porque algo aconteceu dentro dele. O texto diz que depois ele arrependeu-se e foi trabalhar na vinha do pai.
O primeiro filho não foi movido pela aparência, pela obrigação religiosa ou desejo de impressionar o pai, ele foi movido por um confronto interior. Em algum momento, ele percebeu que a sua resposta estava errada e, quando essa consciência alcançou o seu coração, a sua direção mudou.
O arrependimento bíblico não é apenas tristeza emocional. Muitas pessoas sentem culpa, medo das consequências ou remorso momentâneo, mas continuam a viver da mesma maneira. O arrependimento verdadeiro vai além do sentimento porque ele produz mudança. Na Sagrada Escritura, a palavra arrependimento carrega a ideia de transformação de mente, coração e direção. O verdadeiro arrependimento produz frutos visíveis, muda atitudes, relacionamentos, escolhas e prioridades. Quem se arrepende verdadeiramente não lamenta o pecado, não fica na culpa, mas abandona o caminho que o afastava de Deus.
Por isso, o primeiro filho obedeceu porque se arrependeu. A sua obediência não nasceu da perfeição, mas do reconhecimento sincero da sua própria rebeldia. O primeiro filho disse “não”, mas teve um coração contrito e humildade suficiente para reconhecer o seu erro e esta contrição e humildade abriram o caminho para a obediência.
O segundo filho da parábola representa uma realidade muito perigosa. Ele responde corretamente “sim, Senhor”, as suas palavras são bonitas, respeitosas e aparentemente submissas, contudo ele nunca vai trabalhar para a vinha. Este filho sabia falar como filho obediente, mas as suas atitudes revelavam distância interior. A sua boca concordava com o pai, mas a sua vida não acompanhava as suas palavras. Este filho simboliza a religiosidade sem transformação, a espiritualidade de aparência, a fé que fala muito mas não produz frutos.
Esta é uma das críticas mais fortes feitas por Jesus aos líderes religiosos do Seu tempo. Eles conheciam as Escrituras, frequentavam o templo e falavam sobre Deus continuamente, mas os seus corações permaneciam endurecidos. Enquanto isso, pessoas consideradas pecadoras ouviam a mensagem de João Batista, reconheciam os seus pecados e mudavam de vida. Por isso, Jesus afirma que “os publicanos e as mulheres de má vida” estavam a entrar no Reino antes dos líderes religiosos, não porque o pecado fosse aprovado, mas porque o arrependimento sincero abriu espaço para a transformação.
Esta passagem ensina-nos que a obediência que nasce apenas do dever pode até produzir aparência de fidelidade, mas a obediência que nasce do arrependimento transforma o coração.
Há momentos em que resistimos, adiamos, não queremos aquilo que Deus nos pede. Mas, depois, alguma coisa acontece dentro de nós. Reconhecemos que não escolhemos bem. Arrependemo-nos. E voltamos atrás. Outras vezes fazemos aquilo que é esperado, cumprimos a obrigação… mas o nosso coração está longe. Jesus mostra-nos que a verdadeira obediência não nasce apenas do medo, da obrigação ou do cumprimento de regras. Nasce de um coração que se deixa transformar.
Reflitamos:
- Há alguma coisa que Deus me pede e à qual tenho respondido interiormente: “não quero”?
- Tenho dificuldade em pedir perdão ou em mudar de atitude?
- Há alguém a quem preciso de demonstrar, através de atitudes, que estou verdadeiramente arrependido/a?
- Será que confundo obedecer com simplesmente cumprir?
- O que precisaria de mudar hoje para que o meu “sim” a Deus fosse mais verdadeiro?
Depois de refletirmos sobre esta Palavra, somos convidados a apresentar a Deus as nossas próprias preces. Podemos pedir-Lhe perdão por aquilo em que temos falhado, força para mudar e humildade para reconhecer que precisamos dos outros e de Deus.
Cada um pode apresentar a sua própria prece, em silêncio ou em voz alta.
Reconhecendo que o arrependimento verdadeiro não é apenas sentir culpa, é permitir que Deus mude a nossa direção, rezemos com fé
Com o coração apertadinho e as mãos a segurá-lo, digamos todos a uma só voz:
Senhor Jesus,
tantas vezes dizemos “sim” quando, no fundo, o nosso coração diz “não”.
Cumprimos, mas nem sempre amamos.
Obedecemos, mas nem sempre nos entregamos.
Falamos de perdão, mas nem sempre perdoamos.
Prometemos mudar, mas tantas vezes permanecemos iguais.
Hoje queremos pedir-Te um coração verdadeiro.
Quando dissermos “não”, dá-nos humildade para reconhecer o nosso erro.
Quando cairmos, dá-nos coragem para nos levantarmos.
Quando nos afastarmos, ajuda-nos a regressar.
Que o nosso arrependimento não seja apenas tristeza pelo que fizemos,
mas uma verdadeira mudança de caminho.
Ensina-nos a obedecer não por medo, não apenas por obrigação,
mas porque reconhecemos em Ti
um Pai que nos ama e nos chama à vida.
Que as nossas palavras e os nossos gestos caminhem na mesma direção.
E que, mesmo depois de um “não”,
tenhamos sempre a coragem de dizer:
“Senhor, aqui estou. Quero voltar para Ti.”
Amen.
Abençoados com a presença constante de Deus, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.