Semana de 14 a 20 de junho de 2026
XI DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Num local acolhedor, sentemo-nos formando um círculo, para que todos fiquemos visíveis uns para os outros. Que tal partilharmos um sorriso neste momento de recolhimento e proximidade, sentindo que a graça de Deus está aqui, connosco! Preparemo-nos para a oração…
Tenhamos a Bíblia aberta em Mt 9 e acendamos uma vela quando estivermos prontos a começar.
Permitindo que o Espírito Santo nos ajude a escutar a voz de Deus e a sermos canais de Sua graça, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Surpreendidos pela graça do Pai querido e amigo fiel, louvemo-Lo.
Meu pai querido, amigo fiel
Tua misericórdia é como um rio que não tem fim
E me submerge, cobre o meu pecar
Sempre que estou em Tua presença
Me Surpreendes outra vez
Tua graça surpreende-me
Teu amor mistério é p’ra mim
Me faz ajoelhar diante de ti
Tua graça ainda me surpreende
Tua graça surpreende-me
Meu Salvador, completo estou
Da minha alma és o autor e o sanador
Que posso eu dar-te, Senhor, que posso dizer
Não há maneira de pagar-te, só oferecendo o meu louvor
Tua graça surpreende-me
Teu amor mistério é p’ra mim
Me faz, ajoelhar diante de ti
Tua graça ainda me surpreende
Tua graça surpreende-me
Mais funda, mais ampla, mais forte, mais alta
Mais funda, mais ampla, mais forte, mais alta
Que tudo o qu’ os meus olhos vêem, Pai
Tomemos consciência daquilo que Deus colocou nas nossas mãos; dons, recursos, oportunidades, influência, conhecimento e até mesmo a própria vida. Lembremo-nos das vezes em que a Sua graça chegou até nós através de outras pessoas e façamos a nossa oração de agradecimento ao Pai…
Um de nós pode ler, pausadamente, o texto de Mt 9, 36-10, 8:
Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».
Debrucemo-nos atentamente sobre esta mensagem que Jesus nos entregou.
No texto desta oração, Jesus declara: “Recebestes de graça, dai de graça”. Quando Jesus pronunciou estas palavras, Ele estava a enviar os seus discípulos para uma missão. Eles iriam curar os enfermos, libertar os oprimidos e anunciar que o Reino de Deus tinha chegado mas, antes de saírem, Jesus recorda-os que a origem daquilo que carregavam não vinham deles próprios mas tudo era graça divina.
No mundo, somos ensinados que primeiro precisamos de merecer para depois receber, vivemos num sistema onde tudo parece depender do desempenho. Com isto aprendemos, desde cedo, que a recompensa é resultado do esforço e por isso, quando olhamos para a espiritualidade, tendemos a aplicar o mesmo raciocínio: “se eu for bom o suficiente, Deus aceita-me. Se eu fizer melhor, Deus abençoar-me-á”.
No Reino de Deus, recebemos primeiro. Neste texto do Evangelho, os discípulos não pagaram pela autoridade espiritual, não conquistaram o poder por performance, eles receberam porque foram chamados. Assim é também connosco. Nós não merecemos o amor de Deus porque ele não é fruto duma recompensa por bom comportamento, não conquistamos a salvação porque ela não é um salário, não compramos o perdão nem produzimos a graça. Tudo o que temos – dons, recursos, oportunidades, influência, conhecimento e até mesmo a própria vida – não se originou em nós. Recebemos e todas as graças que recebemos não podem ser tratadas como posse absoluta mas como responsabilidade que é confiada.
Quando Jesus declara “recebestes de graça, dai de graça”, Ele diz-nos que a experiência com Deus nunca termina em nós. A graça não foi desenhada para estagnar mas foi criada para fluir. Como discípulos, não somos chamados a ser reservatórios mas rios. O proprietário controla, acumula e protege com medo de perder, o canal confia, distribui e permanece aberto para continuar a receber. Esta diferença muda completamente a nossa postura diante da vida. Quando nos vemos como proprietários, começamos a agir com apego, defendemos posições, retemos recursos e medimos tudo com base no que podemos ganhar ou perder. Como proprietários, nem sempre cobramos dinheiro, mas corremos o risco de cobrar reconhecimento, gratidão ou exigir retorno. Como proprietários, retemos a graça divina, pensamos que a obra é “nossa”, as conquistas são “nossas” e criamos competição, ciúmes e comparações.
Quando entendemos que somos canais da graça, a lógica muda. Um canal não produz água, apenas permite que ela passe. Da mesma forma, não produzimos a graça, apenas a transmitimos. Ser canal exige humildade e confiança. Humildade para reconhecer que não somos a origem e confiança para acreditar que, ao libertar, continuaremos a receber. O fluxo da graça funciona assim: quanto mais circula, mais se manifesta porque a retenção bloqueia mas a entrega renova. Viver como canal é acordar todos os dias com a consciência de que aquilo que Deus colocou nas minhas mãos tem o propósito de ir além de mim, é perguntar “por onde pode fluir hoje esta graça? Pode ser por meio duma palavra, dum gesto, dum ato de generosidade ou de um simples ouvir atento. Quando a graça flui através de nós, permanecemos espiritualmente vivos e a alegria renova-se porque descobrimos que fomos chamados não para possuir mas para participar do que Deus está a fazer.
O Senhor não escolhe discípulos perfeitos; escolhe pessoas disponíveis. A missão recebida pelos apóstolos é também a nossa: levar a presença de Deus aos que encontramos. Ele chama-nos a sermos canais da Sua graça para que o Seu amor chegue aos outros através das nossas palavras, dos nossos gestos, da nossa vida. Reflitamos:
- Reconheço que Deus também me chama e envia?
- Deixo-me tocar pela compaixão de Jesus perante o sofrimento dos outros?
- De que forma posso ser canal da graça de Deus na minha família, no trabalho, na comunidade?
- Que dons recebi gratuitamente e sou chamado a oferecer gratuitamente?
Apresentemos agora ao Senhor as nossas intenções. Peçamos força e coragem para sermos canais onde flui a graça de Deus; rezemos pelas pessoas que mais necessitam da Sua graça neste momento, e apresentemos a Deus o que deixa os nossos corações cansados, feridos e necessitados da Sua compaixão.
Sentindo a mão acolhedora do Pai sobre as nossas cabeças inclinadas, rezemos
Com as mãos viradas ao alto, dizemos juntos:
Senhor Jesus, que olhas para cada um de nós com compaixão, nos chamas pelo nome e nos concedes uma missão…
Faz de nós canais da Tua graça. Que as nossas palavras transmitam paz; que os nossos gestos revelem bondade; que a nossa presença leve esperança aos que vivem cansados e desanimados.
Livra-nos do egoísmo que fecha os nossos corações e ensina-nos a servir com alegria; que saibamos dar gratuitamente aquilo que, gratuitamente, recebemos de Ti.
Envia-nos onde houver tristeza, para levarmos a consolação; onde houver divisão, para levarmos reconciliação; onde houver escuridão, para levarmos a luz do Evangelho.
Que a nossa vida seja um reflexo do Teu amor e um instrumento da Tua graça no mundo.
Amen
Permitindo que Deus nos abençoe, cure o nosso coração e nos faça testemunhas da Sua misericórdia, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.