Semana de 3 a 9 de maio de 2026
V DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A

Coloquemo-nos num lugar tranquilo…
Podemos escolher juntarmo-nos hoje, num jardim, num terraço ou numa varanda, ao ar livre!
Reunimo-nos em círculo, respiramos fundo; procuramos silenciar o coração e tomamos consciência da presença de Deus connosco.
Tenhamos a nossa Bíblia aberta em Jo 14 e, quando estivermos preparados espiritualmente para este momento de intimidade com Deus, acendemos uma vela, sinal da presença de Jesus Cristo, a luz que ilumina o nosso coração.
Dispostos a abandonar inquietações, medos e prontos para confiar no caminho que Jesus nos mostra, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Em Jesus, dom do Pai, encontramos a Verdade e o caminho para a vida. Com a Sua luz no nosso coração, louvemo-Lo!
Há nascer, há crescer e há morrer
E em cada chegada uma partida,
Mas importa que em cada acontecer
Haja sempre um caminho para a vida.
Há nos olhos do outro uma promessa,
Cada homem é uma mão estendida.
É preciso que nada nos impeça
D’ai ver um caminho para a vida.
Na Tua Luz encontramos a Verdade
És o Dom do Pai, a mão estendida
És Jesus, a plena liberdade
O Caminho, a Verdade e a Vida (bis)
Há o olhar sereno de quem ama,
Há a fé das entregas decididas,
Há em tudo afinal uma só esp’rança
De trilhar o caminho para a vida.
Somos jovens do hoje e do amanhã,
Testemunhas do mundo em mudança,
Levamos Jesus no coração
E nas mãos a bandeira da esp’rança.
Confiantes que Jesus não somente conhece o caminho, mas Ele próprio é o caminho, façamos a nossa oração de agradecimento pelos caminhos que já percorremos, pelas vezes em que sentimos a Sua presença a guiar-nos; pelas pessoas que foram sinal de luz nas nossas vidas e tanto mais pelo que Lhe somos gratos!
Escutemos agora, com o coração atento e disponível, a Palavra que Deus nos dirige em Jo 14,1-7. Qual de nós se propõe a ler em voz alta?
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Não se perturbe o vosso coração.
Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.
Em casa de meu Pai há muitas moradas;
se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito.
Vou preparar vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo,
para que, onde Eu estou, estejais vós também.
Para onde Eu vou, conheceis o caminho».
Disse Lhe Tomé:
«Senhor, não sabemos para onde vais:
como podemos conhecer o caminho?»
Respondeu lhe Jesus:
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vai ao Pai senão por Mim.
Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.
Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».
Porque não reler novamente este texto tão intenso?
Procuremos, desta vez, identificar uma palavra ou uma frase que mais tocou o nosso coração. Tentemos compreendê-la… Agora, percebamos melhor a mensagem que escutámos:
Vivemos num mundo cheio de caminhos: caminho do sucesso, do poder, da fama, do prazer, da religião… mas muitos destes caminhos prometem muito e entregam pouco. Neste texto, tirado da última ceia, Jesus fala aos seus discípulos aflitos, confusos e com medo do futuro, muito parecidos connosco hoje, e, entre as dúvidas de Tomé e a revelação de Jesus, podemos tirar alguns ensinamentos para a nossa vivência.
Primeiro: A honestidade da dúvida
Tomé dá voz a uma angústia profundamente humana quando diz a Jesus: “Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?” Ele não fala por incredulidade mas por honestidade. Ele ama Jesus, caminha com Ele mas não entende o que Jesus anuncia e, justamente, por isso pergunta. Ele não se cala, não finge compreender, não se esconde atrás duma fé aparente. Quando Tomé admite que não sabe o caminho, ele reconhece os seus limites e é, nessa altura, que Jesus se revela com maior profundidade porque Deus não se manifesta plenamente ao coração orgulhoso, que pensa que sabe tudo, mas ao discípulo humilde que confessa a sua necessidade. A confissão de Tomé ensina-nos que não precisamos de fingir uma fé que não temos, que podemos levar as nossas dúvidas ao Senhor, sem medo, que, quando colocada diante de Jesus, a confusão não nos afasta d’Ele mas torna-se ponto de encontro. Admitir que não se sabe o caminho não é sinal de fracasso espiritual mas é sinal de verdade.
Segundo: O erro de perspetiva geográfica
Tomé estava à procura dum mapa, de coordenadas ou dum destino físico, ele pensava que o “caminho” era uma estrada na terra. Na pergunta de Tomé há um desejo legítimo de orientação, clareza e segurança diante do que estava para vir, ele queria saber o destino, o trajeto, os passos exatos. Como tantos de nós, Tomé procurava garantias antes de seguir adiante, ele queria compreender para então confiar. Como Tomé, nós também cometemos o mesmo erro e procuramos a felicidade em lugares, num novo emprego, nova casa, numa viagem… Jesus corrige Tomé e diz-lhe que o caminho não é um “onde” mas um “quem”. A solução para as nossas crises não é uma mudança de cenário, mas uma mudança de companhia, isto é, caminhar com Cristo.
Terceiro: O Caminho faz-se caminhando
Jesus não responde com um trajeto, um método ou uma doutrina abstrata, também não oferece informações detalhadas sobre o futuro mas Ele aponta para si mesmo ao dizer: “Eu sou o Caminho”. O caminho não é algo a ser dominado, como se fosse um mapa, mas é alguém a ser seguido. O discípulo não é aquele que domina o trajeto mas aquele que coloca os pés onde o Mestre pisa e por isso, muitas vezes, só entendemos o sentido do caminho depois de termos caminhado com Jesus. Ao afirmar “Eu sou o Caminho”, Jesus revela que o caminho não é algo externo ao discípulo mas uma relação viva que se constrói passo a passo e, desta forma, Jesus mostra que a direção da vida não está num projeto bem definido mas numa relação fiel. O discípulo aprende que não caminha porque vê mas vê porque caminha; não segue porque entende tudo mas entende porque decide seguir e, neste seguimento diário, descobre que o caminho nunca foi um lugar a ser alcançado mas uma pessoa a ser acompanhada. É como se Jesus nos fizesse este convite: “Eu sou o Caminho, vem comigo, caminha comigo, segue os meus passos”.
Seguir Jesus não significa apenas saber para onde ir, mas caminhar com Ele, confiar n’Ele, mesmo quando o caminho parece incerto. Muitas vezes surgem dúvidas, medos ou cruzamentos difíceis, mas Jesus recorda-nos que não estamos sozinhos – Ele prepara-nos um lugar e acompanha-nos sempre. Reflitamos
- Que caminhos tenho percorrido na minha vida?
- Em que momentos me lembro de ter sentido medo ou incerteza diante do futuro?
- Tenho procurado Jesus como meu guia nas decisões importantes?
- Que obstáculos me impedem de confiar plenamente n’Ele?
- Como posso seguir fielmente o caminho que Jesus me mostra?
Dediquemos as nossas orações a Maria, façamos a nossa Consagração e peçamos a Sua proteção para a nossa família.
Acreditamos na Sua presença e misericórdia, por isso, apresentemos-Lhe, agora as nossas preces: pelos momentos em que nos sentimos perdidos e sem direção; pelas pessoas que procuram um caminho de esperança; por todos os que vivem na dúvida ou no medo; por aqueles que precisam reencontrar sentido para a vida.
De mãos dadas, fechamos os olhos, sentimos a presença de Deus no meio de nós, e rezemos-Lhe confiadamente
Abraçados ou de mãos dadas, digamos esta oração em conjunto:
Senhor Jesus,
Tu és o Caminho que me conduz ao Pai,
a verdade que ilumina a minha vida
e a Vida que renova o meu coração.
Quando me sinto perdido,
mostra-me direção.
Quando o medo me paralisa
dá-me confiança para continuar.
Quando o caminho é difícil,
caminha ao meu lado
e ensina-me a confiar em Ti.
Que eu nunca me afaste do Teu caminho
e que a minha vida seja sinal
da Tua presença e do Teu amor.
Amen.
Abençoados com a presença de Deus nos nossos caminhos, fortalecidos nas dificuldades e conduzidos pela Sua paz, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.