Semana de 25 a 31 de janeiro de 2026
III DOMINGO COMUM – ANO A

Preparemos um espaço calmo, harmonioso, confortável e sem distrações para realizarmos o nosso momento de oração.
Tenhamos a Bíblia aberta na Primeira Carta aos Coríntios e uma vela para acendermos ao iniciar.
Permitindo que o Espírito nos unifique, nos purifique e nos disponha a escutar e a agradecer a Deus, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Bendigamos e louvemos o Senhor, pela luz terna e suave do Seu olhar sobre nós…
Que importa, Senhor,
se é tão longe para mim a praia onde tenho de chegar,
se sobre mim levar pousada a clara luz do teu olhar.
Hoje te peço, Senhor,
para seres a luz que me ilumina
na plenitude da Tua luz divina.
Luz terna e suave no meio da noite,
leva-nos mais longe.
Não temos aqui uma morada permanente.
Leva-nos mais longe,
Luz terna e suave no meio da noite.
Que importa, Senhor,
os meus passos mal andados e o desamor, perdoa os meus pecados.
Eu sei que vais raiar a madrugada e não me deixarás abandonado.
Se Tu me dás a mão, Senhor,
os meus passos serão firmes no andar.
Leva-me mais longe para até Ti chegar.
Com Deus no centro do nosso coração, somos convidados a reconhecer tudo o que Ele já realizou em nós. Em silêncio, cada um de nós recorde os motivos de gratidão que traz hoje no coração: pessoas, encontros, desafios superados, aprendizagens, gestos de cuidado, presenças discretas de Deus… Em voz alta. ou no íntimo, dirijamos a Deus a nossa oração espontânea de agradecimento.
Conscientes de que é Jesus que nos fala, quem empresta a voz para ler 1 Cor 1, 10-13.17?
Irmãos: Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Baptismo? Na verdade, Cristo não me enviou para baptizar, mas para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo.
Um texto tão rico… O que nos poderá dizer? Antes de ouvirmos/lermos o aprofundamento do texto, partilhemos as nossas interpretações.
Dividir é partir algo ao meio ou em várias partes, é quebrar a unidade, é fracionar algo. Um pão pode ser dividido e com isso matar a fome a duas ou mais pessoas e isto é bom. Um copo não pode dar de beber e matar a sede a duas pessoas se for dividido ao meio. Existem certas coisas que a divisão propicia vantagens já, em certos casos, a divisão pode destruir a coisa dividida. Tendo em conta o perigo que a divisão pode trazer para a comunidade cristã, Paulo “roga” aos cristãos de Corinto que “não haja divisões” entre eles. Quais as razões?
Primeira: Quando a Igreja está dividida, a comunidade enfraquece
A Igreja é o Corpo de Cristo e cada um de nós é um membro desse corpo (cfr 1 Cor 12, 27). A união deve fazer parte da Igreja e unir-se não é pensar igual em tudo mas é ter o mesmo coração voltado para o Senhor. Unidade não significa uniformidade mas comunhão. Podemos ter dons diferentes, opiniões diferentes mas somos um só povo, reunido pelo amor de Deus.
Quando há divisão, é como se o corpo se machucasse a si mesmo. As divisões não surgem do nada, elas começam em pequenos orgulhos, mal-entendidos, vaidades, sentimentos de superioridade ou inveja espiritual. Quando as pessoas começam a comparar-se, surge a necessidade de “ser melhor” que o outro e assim surge a competição e o orgulho que leva a procurar reconhecimento em vez de glorificar a Cristo. A falta de visão comum e o foco em interesses próprios e não no crescimento da comunidade leva a disputas, rivalidades e assim nasce a priorização do “eu” em vez do “nós”, gera-se o culto da personalidade em que o coração do fiel se prende mais à figura humana do que à pessoa de Jesus. Tudo isto e muito mais, quando não é curado, cresce e destrói a comunhão, cria-se uma Igreja dividida que é uma Igreja enfraquecida porque, onde há divisões e contendas, o Espírito Santo entristece-se e o amor perde espaço. A humildade é o cimento da unidade. Quando cada um reconhece que precisa do outro, que ninguém é o dono da verdade e que tudo vem de Cristo, então o Espírito Santo age e restaura a comunhão.
Segunda: Quando a Igreja está dividida, Cristo deixa de ser o centro
Na comunidade de Corinto, muitos cristãos perderam o foco e, em vez de olhar para Jesus, começaram a olhar para os homens, para os grupos, para as opiniões. Uns diziam: «Eu sou de Paulo», outros: «eu de Apolo», outros: «eu de Pedro» e outros: «eu de Cristo». Paulo, com sabedoria, responde: “Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós?” Esta pergunta ecoa ainda hoje, porque muitas vezes, mesmo dentro da Igreja, Cristo já não é mais o centro. Quando Cristo deixa o trono do coração, outros tronos se erguem: o trono do ego, o trono da vaidade, o trono das opiniões. Cristo é como o eixo duma roda e, se Ele não estiver no centro, tudo gira torto. Quando Cristo não é o centro, a religião vira aparência, a oração vira costume, o serviço vira obrigação e a comunhão vira disputa. Cristo é o centro porque Ele é fonte e a razão de tudo o que somos. Quando Cristo está no centro, o amor prevalece sobre as opiniões, o serviço vence a vaidade, a cruz é exaltada e não uma pessoa humana. Quando Cristo está no centro, tudo se alinha, a comunidade deixa de competir e passa a servir. Os homens tendem a dividir, mas Cristo vem para reconciliar, curar, unir e a criar comunhão. A cura para as divisões começa sempre com um voltar os olhos para Jesus e colocá-l’O no centro porque, onde Cristo reina, há paz, comunhão e união.
Quando colocamos pessoas, ideias ou preferências acima de Cristo, fragmentamo-nos pois Cristo é o centro, a fonte e a razão de tudo o que somos. Contudo, quando alojamos Cristo no centro da nossa vida e Ele reina no nosso coração, há paz, comunhão e união porque Ele vem para reconciliar, curar, unir e a criar comunhão. Reflitamos:
- Que nome dou às minhas divisões? Preferências, mágoas antigas, resistências, comparações, necessidade de ter razão?
- Como falo dos outros quando não concordo? As minhas palavras constroem unidade ou aprofundam fraturas?
- Cristo é verdadeiramente o centro das minhas escolhas e relações ou uso o Seu nome para justificar as minhas posições pessoais?
- Que pequeno gesto de reconciliação posso dar hoje?
- Onde posso servir sem esperar reconhecimento?
Confiantes no amor de Deus, apresentemos agora as nossas preces, colocando nas Suas mãos aquilo que nos preocupa, o que pesa no coração, as nossas necessidades e também as dos outros.
Querendo ser instrumento de unidade, rezemos como Cristo:
Senhor Jesus, liberta-nos das divisões, do orgulho e da tentação de nos colocarmos no centro. Ensina-nos a viver unidos, com um só coração e um só espírito, para que o mundo reconheça em nós a força do Teu amor. Que a nossa vida anuncie o evangelho, não com palavras vazias, mas com gestos de unidade, humildade e serviço.
Permitindo que Cristo nos unifique e seja o centro da nossa vida, benzemo-nos:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.