Semana de 5 a 11 de abril de 2026 PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – ANO A
Aleluia! Aleluia! Aleluia! Rejubilemos na presença de Cristo ressuscitado! Criemos um momento de silêncio, inspiremos a paz d’O ressuscitado; deixemos que o nosso coração se acalme e, iluminados pela Sua luz, essa luz que nos diz que o horizonte não é mais o túmulo mas a glória, preparemo-nos para este momento de oração! Com a Bíblia aberta em Jo 20, acendamos uma vela para começar.
Com o coração disponível para acolher Jesus ressuscitado, caminhando com os pés na terra mas com o coração orientado para o alto, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Na sua dor os homens encontraram Uma pura semente de alegria, O segredo da vida e da esperança: Ressuscitou o Senhor!
Ressuscitou, ressuscitou, ressuscitou, aleluia! Ressuscitou, ressuscitou, ressuscitou, aleluia! Os que choravam cessarão o pranto. Brilhará novo Sol nos corações, Pode o homem cantar o seu triunfo: Ressuscitou o Senhor!
Os que nos duros campos trabalharam Voltarão entre vozes de alegria, Erguendo ao alto os frutos da colheita: Ressuscitou o Senhor!
Já ninguém viverá sem luz da fé, Já ninguém morrerá sem esperança; O que crê em Jesus venceu a morte: Ressuscitou o Senhor!
Louvemos a Deus Pai eternamente E cantemos a glória de seu Filho, Com o Espírito Santo que nos ama: Ressuscitou o Senhor!>
Recordemos os sinais de vida nova, na nossa vida… momentos de esperança, de recomeço, de luz no meio da dificuldade. Pensemos, agora, em tudo o que já recebemos hoje: os gestos simples, as pessoas, a vida… Com palavras simples, como se falássemos com um amigo, agradeçamos a Deus pela vida que renasce em nós, todos os dias e por aquilo que o nosso coração reconhece como Sua dádiva.
Com a alegria de quem lê a melhor das boas notícias, interiorizemos esta passagem bíblica de Jo 20, 1-9.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo amado de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.
Para percebermos melhor alguns detalhes da mensagem de Jesus, aprofundamos o texto que acabámos de ler.
A Páscoa é uma mudança radical do horizonte do túmulo ao horizonte de glória, é a transformação mais profunda já ocorrida na história da humanidade porque altera não só o destino individual mas o próprio sentido da existência humana.
Antes da Páscoa, o horizonte humano estava fechado na morte, a cruz erguida no Calvário representava o fracasso absoluto, o silêncio do túmulo pesava como um selo definitivo sobre a esperança. O túmulo, mais do que um lugar físico, é símbolo de tudo aquilo que encerra os nossos sonhos, uma imagem concreta do limite humano: o sofrimento inevitável, a injustiça impune, a fragilidade do corpo, o medo da morte. O túmulo é o horizonte natural da condição humana quando vista apenas a partir da lógica biológica e histórica.
Quando o túmulo é encontrado vazio, conforme diz o Evangelho de São João, algo ontologicamente acontece, não é apenas Jesus que volta à vida mas é a própria estrutura da esperança humana que é alterada. A ressurreição não é um retorno à vida anterior mas a inauguração duma vida nova, transfigurada e definitiva. O horizonte já não termina na morte mas abre-se para a eternidade, para a glória. O túmulo deixa de ser o ponto final e torna-se passagem e a morte é despojada da sua soberania.
Esta mudança de horizonte não é só futura mas é existencial porque leva-nos a mudar o critério de valor. Se a morte não é o fim, então o sucesso imediato deixa de ser definitivo; se a eternidade é real, então o amor vale mais que o poder; se Cristo reina “à direita do Pai”, então a história não está abandonada ao absurdo; se o destino não é o nada mas a plenitude, então cada gesto de amor possui um peso eterno. Cada ato de fidelidade silenciosa já pertence à eternidade.
A Páscoa altera o modo como compreendemos o tempo. Vivemos na tensão do “já” e do “ainda não” porque a vitória já foi conquistada mas a sua manifestação plena ainda é aguardada. Há algo em nós que já pertence ao céu mesmo enquanto caminhamos na fragilidade da terra. Esta consciência gera uma espiritualidade de esperança firme, não ingénua, mas fundamentada num acontecimento real, a ressurreição de Jesus.
Esta nova perspetiva exige conversão interior. Não se pode contemplar o túmulo vazio e continuar a viver como se tudo terminasse na matéria ou no instante. A Páscoa desloca o centro da vida porque o cristão passa a viver com os pés na terra mas com o coração orientado para o alto. As realidades temporais são valorizadas mas não absolutizadas. O amor torna-se prioridade porque é a única realidade capaz de atravessar a morte. A ressurreição revela que a realidade é maior do que aparenta, o invisível sustenta o visível e a eternidade atravessa o tempo.
Celebrar a Páscoa é permitir que este novo horizonte reconfigure a nossa forma de viver, sofrer, amar e esperar. Não caminhamos para o nada mas para o encontro e a morte já não é um muro mas uma passagem. A história humana, marcada por ambiguidades, está definitivamente iluminada pela luz do Ressuscitado e esta luz diz-nos que o horizonte não é mais o túmulo mas a glória, a vida eterna.
A fé nem sempre nasce de certezas, mas de sinais simples, de um coração aberto, de uma confiança que cresce pouco a pouco. Também na vida há “túmulos” vazios, situações que não entendemos, mudanças inesperadas! Mas é aí que a luz do Ressuscitado nos pode estar a revelar uma vida nova! Reflitamos:
Que “túmulos” vazios (sofrimento inevitável, injustiça impune, fragilidade do corpo, medo da morte, etc.) existem hoje na minha vida?
Consigo ver neles sinais de esperança ou apenas ausência?
O que me impede de acreditar mais?
Como posso crescer na fé, mesmo sem compreender tudo?
Apresentemos agora a Cristo ressuscitado, as nossas dúvidas,os nossos medos, as nossas esperanças. Entreguemos-Lhe as nossas preces/pedidos para nós, para os outros, não esquecendo de pedir uma fé mais firme, mais viva e confiante…
Rezemos a oração que Jesus nos ensinou:
Digamos todos em uníssono:
Senhor,
na Páscoa mostraste-nos que o tempo não é apenas sucessão, mas transformação. Onde víamos fim, revelaste começo. Onde contávamos dias, ensinaste eternidade.
Liberta-nos da pressa vazia e do medo do que passa. Dá-nos olhos para reconhecer que cada momento, em Ti, pode ser renovado.
Que vivamos não presos ao passado, nem ansiosos pelo futuro, mas conscientes de que, pela Ressurreição, o tempo ganhou sentido.
Amen.
Abençoados e fortalecidos pelo amor de Jesus, que permanece, benzemo-nos.