Semana de 17 a 23 de maio de 2026 SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR – ANO A
Hoje, somos convidados a levantar os olhos para o céu e a acolher o amor de Jesus que ascendeu ao céu! E vamos fazê-lo juntos, em família, num espaço silencioso e confortável do nosso lar. Deus está aqui connosco para escutar a nossa oração e para nos despertar para vivermos uma fé que se transforme em atitude, serviço e missão! Tenhamos a Bíblia aberta no início do livro dos Atos dos Apóstolos e, quando prontos, acendemos uma vela.
Audazes para superarmos a nossa acomodação religiosa e dispostos a ativar a nossa fé, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Certos que o espírito de Deus ilumina a nossa vida, nos enche de paz e nos guia em segurança, louvemo-Lo
Sei Senhor, que na vida Nem sempre temos tudo, tudo dado Por isso, aqui estou Pronto para ser, ser ajudado
Senhor a Ti me entrego Com todo o coração Eu nunca fui tão sincero Não sei mais o que fazer, sem Ti eu não sei viver Ouve a minha oração, Senhor dá-me a Tua mão
Sei Senhor, que não posso Ter tudo o que quero, ou que gosto Por isso, peço-Te a Ti Que me leves sempre, sempre contigo
Agora, em silêncio, oferecemos a Jesus elevado ao céu, a nossa oração de agradecimento:
pelas vezes em que Ele nos chamou à vida, à esperança e à missão;
pelas pessoas que nos ajudaram a crescer na fé;
pelos dons que recebemos e podemos colocar ao serviço dos outros;
e por tudo o mais que nos lembrarmos…
Os discípulos esperam respostas rápidas, sinais grandiosos e soluções imediatas da parte de Jesus! Escutemos, então, na voz de um de nós, o texto de Act 1, 6-11, e percebamos a missão que Jesus Lhes (nos) entrega.
Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus se afastava, apresentaram-se-Ihes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
Aprofundamos melhor a mensagem de Jesus; Não fiquemos apenas a contemplar; a “olhar para o céu”: levantemo-nos e sejamos testemunhas!
O relato da ascensão diz-nos que os discípulos ficaram parados a “olhar para o céu”. Com esta atitude eles não estão a pecar nem a duvidar, eles estão simplesmente imóveis. Ficar a “olhar para o céu” não é, em si mesmo, um erro. Os discípulos olham porque amam, porque estão marcados pela ausência de Jesus, porque o coração ainda não acompanhou o acontecimento. O “olhar para o céu” nasce da saudade, da admiração e até da fé. No entanto, o perigo não está em olhar mas em permanecer nesse olhar. Há um momento em que o olhar deixa de ser contemplação e passa a ser fuga, uma forma silenciosa de evitar a responsabilidade que a fé exige.
É aqui que a Palavra de Deus interpela porque Deus não nos chama à contemplação sem fim mas à missão. A pergunta dos anjos “porque estais a olhar para o céu?” revela que há um momento em que continuar a “olhar para o céu” já não é fidelidade mas adiamento. A Ascensão convida-nos a superar a tentação da passividade religiosa que nasce quase sempre dum desejo legítimo de não errar, não agir sem Deus, não avançar sem garantias. À primeira vista parece humildade e prudência espiritual mas, pouco a pouco, pode transformar-se numa forma subtil de resistência à responsabilidade que a fé implica. Assim, em vez da confiança, instala-se a espera e, em vez da obediência, surge a suspensão permanente da ação.
Esta passividade religiosa manifesta-se quando a pessoa crê, reza e espera mas evita comprometer-se, espera que Deus fale de forma clara, que as circunstâncias sejam as ideias, que alguém mais preparado tome a iniciativa, que outros avancem. A fé passa a ser vivida como observação e não como seguimento e Deus é reconhecido como Senhor mas não como Aquele que envia.
A passividade religiosa é alimentada pelo medo: medo de falhar, medo de se expor, medo de assumir as consequências. Agir implica risco, desgaste e possibilidade de erro, ficar parado parece mais seguro e até mais espiritual, contudo, esta segurança é ilusória porque a fé bíblica nunca foi isenta de risco. Abraão parte sem saber para onde vai, Moisés fala que apesar da sua fragilidade, os discípulos são enviados sem garantias. A ação precede muitas vezes a clareza.
Há também uma forma coletiva desta tentação de passividade religiosa. Comunidades inteiras podem cair numa espiritualidade de espera, espera por melhores tempos, por líderes mais fortes, por condições ideais. Reza-se para que Deus faça, quando Ele já confiou a missão e assim a religião corre o risco de ser tornar um espaço de conservação em vez dum lugar de envio.
A passividade religiosa disfarça-se facilmente de fidelidade, repete-se práticas, mantém-se estruturas, preserva-se tradições mas perde-se o dinamismo do Evangelho. O coração acostuma-se a cumprir mas deixa de escutar o apelo inquietante de Deus que chama sempre para fora, para além do já conhecido e controlável.
A passividade religiosa empobrece a fé e faz perder o tempo da graça porque o Evangelho não foi dado para ser apenas contemplado mas para ser vivido, arriscado e encarnado na história concreta de cada dia e de cada pessoa. O verdadeiro perigo não é amar o céu mas usá-lo para adiar a fidelidade porque a fé deixa de ser autêntica quando se limita a olhar e só se torna seguimento verdadeiro quando se transforma em caminho, serviço e entrega.
Quantas vezes caímos numa fé passiva; esperamos que Deus faça tudo, adiamos mudanças, acomodamo-nos, rezamos sem agir, sonhamos sem caminhar… Jesus não nos entrega facilidades (não nos chama a sermos discípulos passivos) Ele entrega-nos uma missão e chama-nos a sermos testemunhas vivas! Reflitamos
Em que áreas da minha vida me tenho acomodado?
Tenho uma fé viva, ou apenas hábitos religiosos?
Que talentos estou a esconder por medo, preguiça ou desânimo?
Estou disponível para servir, ou apenas para receber?
Apresentemos ao Senhor as nossas preces; peçamos-Lhe coragem para sair da passividade, força para agir com amor e disponibilidade para viver a missão que nos confia! Peçamos também pelos cristãos que perderam o entusiasmo da fé, pelos jovens para que descubram a alegria de servir, pela igreja, que seja sinal vivo de esperança no mundo e pelo que desejamos no nosso coração.
Com os braços erguidos ao alto, falemos com o coração sustentado pelo Pai
Com os braços abertos em cruz, façamos esta oração juntos:
Senhor Jesus, Tu não nos chamas a ficar imoveis, presos ao medo ou à comodidade… Tu elevaste-Te ao céu, mas deixaste-nos a missão de continuar o Teu amor no mundo! Liberta-nos da fé passiva, de uma oração sem compromisso, de uma esperança sem ação; Dá-nos um coração disponível, mãos prontas para servir e coragem para testemunhar o Evangelho: Que o Teu Espírito Santo nos desperte quando quisermos desistir, nos levante quando estivermos acomodados e nos recorde que cada cristão é enviado em missão. Faz de nós discípulos vivos, capazes de levar luz, consolo e esperança aos que mais precisam. Amen.
Despertos para a missão e para sermos testemunhas vivas do amor de Jesus, benzemo-nos.