Semana de 12 a 18 de abril de 2026 II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A
Para que este momento seja o mais proveitosos possível, procuremos um lugar de silêncio, confortável e sem distrações. Tenhamos a Bíblia aberta no capítulo 20 do Evangelho de São João e uma vela acesa, sinal de Cristo Ressuscitado.
Com o nosso coração permeável à luz de Cristo ressuscitado, capaz de desfazer as nossas dúvidas e de acrescentar confiança à nossa fé, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos o Senhor, pois só o amor é a solução…
Somos agora convidados a fazer a nossa oração de agradecimento… Podemos fazê-la em silêncio ou, quem quiser, pode partilhar com os outros. Pensemos sobretudo, nas vezes em que Deus se fez presente nas nossas vidas, sem o percebermos!
Preparemos o coração para escutarmos atentamente, na voz de um de nós, o que Deus nos quer dizer, em Jo 20, 24-29.
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».
Deixando que esta mensagem nos permita um encontro pessoal com Deus, tentemos percebê-la melhor.
“Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».” Esta palavra de Jesus, dirigida a Tomé no cenáculo, não é apenas uma correção fraterna mas é uma Bem-aventurança e não é uma Bem-aventurança qualquer mas a Bem-aventurança própria do tempo pascal, aquela que define a condição normal do discípulo depois da ressurreição. No sermão da Montanha, as Bem-aventuranças partem de situações humanas concretas como a mansidão, a fome, a sede, a misericórdia, a paz, a perseguição… mas a Bem-aventurança pascal nasce do mistério da fé, ela não promete felicidade a quem vê, toca ou comprova, mas a quem confia. Depois da Páscoa, o acesso a Cristo já não se dá pelos sentidos mas pela fé, iluminada pelo Espírito.
Com Tomé, encerra-se definitivamente a etapa da fé sustentada pelo ver, ele é o último a tocar o Ressuscitado e assim, a partir desse momento, a Igreja não viverá mais da presença sensível de Cristo mas da sua presença sacramental e espiritual. Cristo poderia ter permanecido glorioso diante do mundo e visível para todos mas escolheu o caminho do ocultamento. Porquê?
Deus quer os seus filhos atraídos pelo amor A Bem-aventurança pascal revela que Deus não se impõe, não se exibe, não se prova mas confia no coração humano. Na ressurreição, Deus poderia ter escolhido o caminho da evidência absoluta, aparecer a todos, eliminar todas as dúvidas e impor a fé pela visão. Se Deus se tornasse evidente demais, a fé deixaria de ser amor e tornar-se-ia uma evidência inevitável e assim seríamos como que “obrigados” a acreditar e não haveria espaço para a liberdade. Por isso, Deus esconde-se para que possamos escolhê-l’O, para que a fé seja relação e não submissão, para que o “sim” humano seja verdadeiro. O Ressuscitado não convence pela evidência mas seduz pela profundidade das suas chagas, pelo cuidado silencioso, pelo perdão oferecido. A Bem-aventurança pascal proclama felizes os que se deixam atrair pelo amor de Deus e não os que são forçados a admitir. Ser atraídos pelo amor do Ressuscitado significa responder à presença de Deus no coração, na Palavra, nos sacramentos, na Igreja. É a fé que cresce não porque vimos mas porque fomos tocados pelo amor divino, que nos chama pelo nome e espera-nos pacientemente, respeitando a nossa liberdade.
Deus quer que lhe entreguemos a nossa vida num abandono existencial Tomé representa cada ser humano diante do mistério divino. Perante ele, cada um de nós procura garantias, sinais, provas porque o desconhecido assusta mas a fé, que agrada a Deus, não se sustenta em evidências externas, ela nasce da confiança, do abandono existencial. Crer sem ver é um abandono existencial, é entregar toda a própria vida nas mãos de Deus sem garantias, sem certezas, sem mapas visíveis. É continuar a caminhar, a amar e a esperar mesmo quando não compreendemos o que Deus está a fazer. Abraão partiu da sua terra sem saber o destino; Maria disse “faça-se em mim segundo a Tua palavra” sem compreender inteiramente o que aquilo significava. Tomé, que desejava provas, aprende que a fé verdadeira não depende de evidências mas da confiança ativa. Entregar-se a Deus é encontrar a liberdade mais profunda porque a verdadeira liberdade nasce quando não tentamos controlar Deus ou a própria vida, mas confiamos no seu amor. A fé cristã não é uma submissão a uma evidência incontestável mas uma resposta relacional ao amor de Deus por nós e que devemos manifestar vivendo num abandono existencial.
Jesus paciente e misericordioso, aproximou-se de Tomé, ofereceu-Lhe a Sua paz, mesmo que ele precisasse de ver, tocar, sentir e ter sinais claros, respostas imediatas e certezas visíveis!Tomé, é cada um de nós, que Jesus convida a crer sem ver; a entregar toda a própria vida nas mãos de Deus sem garantias, sem certezas, sem mapas visíveis e a caminhar, a amar e a esperar mesmo quando não compreendemos o que Deus está a fazer! Reflitamos:
Hoje, que palavras diria eu a Jesus, se Ele me convidasse a aproximar-me d’Ele?
Procuro Jesus apenas quando preciso de provas ou sou capaz de confiar e de me entregar plenamente, mesmo no silêncio e quando as respostas tardam?
Que dúvidas ou medos Lhe apresento hoje?
Deixo que as minhas feridas me afastem da fé, ou anseio e permito que Jesus as toque e as cure?
Podemos dar um abraço um a um, entre todos, espiritualmente aos familiares que não estão connosco ou individualmente a quem quisermos. É nos gestos de amor, partilha, serviço, encontro e fraternidade que encontramos Jesus vivo a transformar e a renovar o mundo. Peçamos a ajuda do Senhor para sermos misericordiosos como Ele:
Cada pessoa é convidada a apresentar, agora, a Deus as suas preces; pelas dúvidas que traz no coração; pelas pessoas que perderam a esperança, por todos os que procuram sinais de Deus nas suas vidas…
Com um “Sim” verdadeiro à nossa entrega a Deus, rezemos com Jesus:
Digamos todos juntos:
Senhor Jesus, Tu conheces as nossas dúvidas e os nossos medos!
Como fizeste com Tomé, aproxima-Te também de nós e mostra-nos as Tuas mãos e o teu lado, sinais do Teu amor.
Ajuda-nos a confiar em Ti, mesmo quando não vemos claramente o caminho; fortalece a nossa fé, para que possamos reconhecer-Te vivo no meio de nós e proclamar com o coração sincero: “Meu Senhor e meu Deus”!
Amen.
Abençoados pela luz do ressuscitado com uma fé firme nas dúvidas, coragem nas dificuldades e paz em todos os momentos da nossa vida, benzemo-nos.