Semana de 27 de abril a 3 de maio de 2025 II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO C
Escolhemos o espaço ideal para este momento de oração e partilha tendo em conta o silêncio, a comodidade e a ausência de distrações. Podemos ter uma Bíblia aberta em João 20 e uma vela acesa como símbolo da presença de Jesus Cristo, o Ressuscitado, no meio de nós.
Acalentados pela paz e pelas mãos de Jesus, sinais vivos do Seu Amor, benzemo-nos
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Porque sinto a necessidade de Te louvar, de falar contigo e de Te seguir
As mãos que ajudaram Tudo criaram com poder sem fim Faz o convite a todos vinde a mim As mãos que alimentaram Coxos curaram e aos cegos também Com amor sem esquecer ninguém
As suas mãos servindo assim Mostram que podemos sim Fracos e aflitos se erguer Agindo sempre pelo bem E assim também eu não descansarei até fazer Minhas mãos servirem com todo poder
As mãos que dos amigos E dos mendigos nunca descuidou Ao aflito consolou As mãos que os pesares e até os mares podem acalmar Também se estendem pra salvar
As mãos que aos céus imploram Na mais profunda e intensa agonia Perto dali, porém a outras mãos convém Se entregar Se render Então suas mãos carregam a cruz pesada onde irão pregá-lo E no monte além Pode antever onde irá morrer
Então suas mãos Tão fortes mãos Bondosas mãos
Eles pregaram Pregaram Ele deixou por nos amar
Por em si mesmo não pensar E agora eu posso ver as suas mãos à me chamar
Ele mostrou-me o caminho Quero ser mais parecido Com aquele que nos disse: Vinde a mim
É nas mãos de Jesus ressuscitado, marcadas pelo sacrifício em nome do Amor que salva, levanta e guia, que sentimos o toque invisível e transformador da Sua constante presença. Ao nosso jeito, com sinceridade e fé, façamos a nossa própria oração de agradecimento pelas bênçãos, pelas lutas e desafios que nos aproximam mais Dele! Façamo-lo agora! Jesus está a ouvir!
Quem lê hoje? Com calma, pausadamente e interiorizando a mensagem, escutemos a passagem de Jo 20, 19-20. 24-29.
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».
Neste episódio, Jesus aparece aos seus discípulos, depois da ressurreição, e mostra-lhes as mãos. Jesus diz a Tomé: “Vê as minhas mãos”. Um dos sinais para reconhecer a identidade do Ressuscitado são as suas mãos. Que mãos são estas? São as mãos que realizaram a obra de amor do Pai no mundo e deram início à construção dum mundo novo. São as mãos que cumpriram prodígios, que foram estendidas aos necessitados, que foram usadas para devolver a vista aos cegos, abrir os ouvidos aos surdos, libertar os oprimidos e dar voz aos emudecidos. São as mãos que tocaram e curaram leprosos, que acolheram as criancinhas e os pequeninos, que levantaram a sogra de Pedro e reergueram a mulher apanhada em adultério, que lavaram os pés aos discípulos e partiram o pão na Última Ceia.
O coração é o lugar onde o ser humano se revela. As mãos são expressão daquilo que está no coração. Um coração cheio de ternura, bondade, compaixão, misericórdia… expressa-se através das mãos ternas, bondosas, compassivas, que praticam a partilha, o acolhimento… Um coração cheio de violência, arrogância, ambições e malícias, expressa-se através de mãos violentas, maliciosas, fechadas. A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir; o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar; o honesto trabalhar e o viciado jogar. Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba! Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia! As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
As mãos são o espelho da alma. É o coração transformado que dirige a mão santificada e delicada. É o coração agradecido que transforma as mãos em instrumentos de graça. Nas mãos de Jesus está gravada uma história de Amor. Nas mãos de Jesus transparece um coração compassivo, solidário, comprometido com o próximo, com a sua salvação.
A partir da Páscoa, a responsabilidade de continuar a obra de Jesus passa para as nossas mãos. Compete a cada um de nós a missão de levar a cumprimento a obra que Ele começou, realizando as mesmas obras que Ele fez quando passou no meio de nós, usando as mãos para semear vida. Às vezes, no nosso meio cristão, aparecem grandes ideias e excesso de palavras, mas faltam sempre mãos abertas, mãos estendidas, mãos ativas, dispostas a sujar-se, gastar-se e empenhar-se no esforço por construir, por abrir as portas a quem precisa e criar pontes a quem anda desavindo. Sempre serão precisas e urgentes mãos capazes de reconciliar e elevar quem está quebrado, ferido ou mais afundado. Sempre serão precisas mãos que sejam capazes de suportar a própria carga e a carga alheia, daqueles que não têm quem os ajude ou defenda, daqueles que não têm forças e vivem sem esperança.
Não abramos mão do nosso compromisso de “ajudar” Deus a construir o Seu Reino. O mundo tem o direito de ver nas obras das nossas mãos o amor e a compaixão de Deus a acontecer, como transparecia nas mãos de Jesus.
Fechemos os nossos olhos por momentos e imaginemos as mãos de Jesus estendendo-se para nós… Elas contam uma história de dor, de entrega e de amor! Com elas, Jesus abençoa, cura, perdoa, acolhe, envia e desafia-nos a sermos, com as nossas próprias mãos, instrumentos do Seu amor, da Sua paz e do Seu serviço. Reflitemos.
Tenho estendido as mãos para ajudar, abraçar, consolar… ou tenho deixado que o cansaço e a pressa me afastem dos outros?
Sinto a responsabilidade de continuar este legado ensinado por Jesus?
Em que situações as minhas mãos traduzem o que faço de melhor?
Deixarei, por vezes, que as minhas mãos transmitam o que não deveriam?
Qual será o meu próximo compromisso na minha comunidade, na minha paróquia?
Contemplemos as mãos cheias de vida; que nos alcançam quando estamos distantes; que nos seguram quando tudo parece desabar; que nos curam quando estamos feridos; que nos acariciam com a paz do ressuscitado e nos aquecem o coração cansado e entorpecido. De mãos dadas com as mãos de Jesus ressuscitado e guiados pelo Seu amor que acolhe e transborda, entreguemos-Lhe as nossas humildes preces e não peçamos apenas para nós…
Demos as mãos uns aos outros e, na presença de Jesus; rezemos ao Pai
Senhor, quando a dúvida nos visitar, mostra-nos as Tuas mãos pois nas Tuas mãos feridas encontramos consolo e esperança; quando o medo nos fechar em casa, vem com a Tua paz! Recebe, Jesus, as nossas vidas em Tuas mãos, cura as nossas feridas com o Teu amor e faz de nós, testemunhas vivas da Tua presença viva.
Acariciados com a ternura, a força e a paz das mãos de Jesus ressuscitado, benzemo-nos