Semana de 26 de abril a 2 de maio de 2026 IV DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A
Para aproveitarmos da melhor forma este momento de oração, coloquemo-nos confortavelmente, sem distrações, fechemos os olhos e evoquemos o Senhor dentro do nosso coração. Permaneçamos em silêncio exterior e interiormente. Deixemos o Senhor aparecer no meio de nós… Pode estar na vela acesa que preparámos ou na Bíblia aberta no livro dos Salmos, capítulo 22 (23 na numeração da Vulgata/Almeida).
Sentindo a ternura e a proteção de Deus, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos o Senhor, deixando entrar este canto nos nossos corações.
O Senhor é meu Pastor Nada me falta, nada me falta
Leva-me a descansar em verdes prados Conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma E conduz-me por Seus caminhos, Por amor do Seu nome, por amor do Seu nome.
Ainda que eu passe por vales tenebrosos, Nada temo, porque Tu estás comigo. Teu bastão e Teu cajado confortam meu sofrimento. Meu Senhor e bom Pastor, Meu Senhor e bom Pastor
Preparas diante de mim mesa abundante, À vista dos meus inimigos; Unges com óleo minha cabeça, E transborda a minha taça Meu Senhor e bom Pastor, Meu Senhor e bom Pastor
Tua bondade e graça me acompanham Porque sei, Senhor, que Tu estás comigo. Habitarei na Tua casa Nos dias da minha vida, Por todo o sempre, meu Senhor, Por todo o sempre, meu Senhor
Se sentimos que, efetivamente, nada nos falta, agradeçamos a Deus por tudo. Se reconhecemos que o Senhor nos guia e nos conduz, demos graças a Deus por tudo o que de bom nos acontece.
Desta vez, há leitor, ou melhor, há cantor. Contudo, temos de acompanhar este salmo 22/23:
O Senhor é meu pastor: nada me faltará, nada me faltará.
1. O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.
O Senhor é meu pastor: nada me faltará, nada me faltará.
2. Ele me guia por sendas direitas, por amor do seu nome. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
O Senhor é meu pastor: nada me faltará, nada me faltará.
3. Para mim preparais a mesa, à vista dos meus adversários; com óleo me perfumais a cabeça e meu cálice transborda.
O Senhor é meu pastor: nada me faltará, nada me faltará.
4. A bondade e a graça hão-de acompanhar-me, todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor, para todo o sempre.
O Senhor é meu pastor: nada me faltará, nada me faltará.
Já tantas vezes ouvimos e cantámos isto, mas será que aprofundámos o seu conteúdo? Vamos ver…
No Salmo 23, texto desta oração, quando David declara “o Senhor é meu pastor”, ele não está a usar só uma metáfora mas revela sobretudo um relacionamento. David conhecia o ofício de pastor e sabia que a ovelha é totalmente dependente, ela não encontra o pasto sozinha, não se defende sozinha e não sobrevive sem orientação. Ao dizer que o Senhor é o seu pastor, David reconhece que a sua vida está sob o cuidado, o governo e a direção de Deus, reconhece que não é autossuficiente e que precisa de ser guiado. Se o Senhor é o Pastor, então eu não sou e isto significa que precisamos de abrir mão do controle, reconhecer limites e aceitar que precisamos de ser guiados. A imagem do pastor é, na Sagrada Escritura, profundamente relacional e este salmo mostra-nos algumas marcas desta relação do Pastor com as suas ovelhas.
Primeiro: relação marcada pela presença constante Num mundo marcado por ruturas, perdas e ausências, a imagem de Deus como Pastor revela um cuidado contínuo, fiel e constante. Deus não é apenas o guia dos dias bons, dos “verdes prados”, das “águas refrescantes” e do “reconforto da alma” mas também é presença real nos dias maus e por isso David afirma: “Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo.” Os “vales tenebrosos” representam todas as experiências de crise, as perdas, as enfermidades, os medos, a rejeição e as noites da lama. A segurança de David não está na ausência do vale, porque a fé bíblica não nega a dor humana nem o sofrimento, mas na presença e na companhia do Pastor, daí David poder dizer “porque vós estais comigo”. Nas dificuldades, somos tentados a interpretar o silêncio de Deus como abandono mas a fé ensina-nos que Deus não é um Pastor que observa de longe nem um Deus que se aproxima só nos dias de alegria mas Ele caminha connosco nos momentos de choro, de dúvida, de silêncio. Em ambos, Deus permanece como Pastor porque Ele não é um Deus de momentos e de circunstâncias mas um Deus de aliança.
Segundo: relação marcada pela correção, pelo cuidado e pela proteção Diz-nos o Salmo: “o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.” A vara era usada para afastar os perigos e corrigir os desvios e o cajado servia para puxar a ovelha de volta ao caminho, quando ela se afastava, e dar-lhe direção. Ambos os instrumentos não tinham como objetivo ferir mas proteger e preservar a vida do rebanho. Este cuidado, correção e proteção são expressão do amor do Pastor pelo seu rebanho. Da mesma forma, Deus corrige-nos para nos guardar dos caminhos que levam à destruição e não para nos punir. Na caminhada, podemos confundir liberdade com ausência de limites e sem estes e direção a ovelha perde-se. A correção divina confronta-nos, ajusta atitudes e revela áreas do coração que precisam de ser tratadas. Embora nem sempre seja confortável, a correção impede-nos de avançar para lugares onde a nossa fé, carater e comunhão com Deus seriam comprometidos.
O autor da carta aos Hebreus recorda-nos que o “Senhor corrige os que ama e castiga todo o que reconhece como filho” (Heb 12, 6). Isto significa que a ausência de correção, cuidado e proteção não são sinal de amor mas de abandono. Deus corrige porque ama os seus filhos, quer caminhar com eles e deseja vê-los amadurecidos espiritualmente. Quando resistimos à correção, endurecemos o coração e, quando a acolhemos, crescemos em sabedoria e graça. A pergunta que devemos fazer em qualquer correção é: “o que Deus quer ensinar-me com isto?”
Nós, como ovelhas, sabemos e reconhecemos que somos guiados e alimentados pelo Senhor, mas, por vezes, não é fácil seguí-Lo… Reflitamos:
Que me falta? Que me falta para ser pleno e feliz na plenitude?
Sinto mesmo que Deus me guia, me alimenta e me reconforta?
Já senti a presença de Deus num momento marcadamente mau? Como foi?
Como faço para acolher a correção do Senhor?
Qual foi aquela situação em que, pelo intermédio de Deus, aprendi algo e cresci interiormente?
Como ovelhas, temos sempre muito a pedir ao pastor. Façamos as nossas preces individuais, sem esquecer os nossos irmãos que parecem tresmalhados e precisam da nossa ajuda para encontrar o Senhor.
Rezemos a oração que Jesus nos ensinou, com a humildade de quem precisa dum pastor.
Abraçados ou de mãos dadas, digamos esta oração em conjunto:
Senhor meu Pastor, Tu que conheces os meus caminhos e cuidas de mim, acompanha-me quando me sentir perdido ou sem direção.
Guia-me com a Tua voz, mesmo quando outras vozes me confundem e eu quiser seguir o mais fácil em vez do certo.
Dá-me confiança para caminhar sem medo, mesmo nos momentos difíceis, sabendo que nunca estou sozinho.
Conduz o meu coração à paz e ensina-me a descansar em Ti. Amen.
Agora, vamos seguir com os nossos afazeres, lembrando-nos sempre que Deus está presente como um pastor atento e benzendo-nos.