Semana de 19 a 25 de abril de 2026 III DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A
Celebrámos a ressurreição de Jesus há duas semanas e é a altura de nos questionarmos se já assimilámos a notícia. Tentemos ver Jesus em todos aqueles que se cruzam connosco, concretamente nestes que estão a fazer este momento de oração. Podemos acender uma vela, sinal de reconhecimento deste Jesus Cristo ressuscitado entre nós, assim como podemos preparar a Bíblia no capítulo 24 de Lucas.
Abrindo o coração à presença de Jesus, que caminha connosco, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Vivendo pela fé e ouvindo a voz de Jesus falar dentro de nós, louvemo-Lo.
Não importa o que os meus olhos possam ver Eu sigo pela fé, eu sigo pela fé E é tão bom saber Que nada vai deter o poder da Tua forte mão, Oh não!
Eu vivo pela fé, eu vivo pela fé Ouço a Tua voz falar dentro de mim E sigo pela fé Ainda que o mundo não queira entender Eu vivo pela fé
Deus chama a existência o que não é No meio do vazio nasce a fé Novos céus e nova terra já preparou A palavra que sai da Sua boca No reino celestial já confirmou
Neste momento, façamos a nossa oração de agradecimento a Deus. Agradeçamos os momentos em que Ele caminhou connosco, mesmo sem O termos reconhecido.. e o tanto que reconhecemos como Sua dádiva nas nossas vidas.
Escutemos na voz de um de nós, o texto de Lc 24, 13-27 que nos descreve o encontro dos discípulos de Emaús, com Jesus.
Dois dos discípulos de Emaús iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a sessenta estádios de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou Se deles e pôs Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam entristecidos. E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou estes dias». E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na Sua glória?» Depois, começando por Moisés e passando por todos os Profetas, explicou lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
Sendo nós Seus discípulos, muitas vezes caminhamos com o Ressuscitado, escutamos a Sua voz, dialogamos com Ele mas não O reconhecemos. Exploremos melhor o significado deste magnífico texto.
A frustração. A frustração é uma das dores mais comuns do coração humano, ela aparece quando esperamos algo, confiamos, esforçamo-nos, acreditamos e o resultado não vem como imaginávamos. No caminho de Emaús, encontramos dois discípulos frustrados e desanimados, porque Deus não agiu conforme as suas expetativas, não correspondeu ao que eles imaginavam. A raiz da frustração está espelhada nesta frase: “Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.” Eles esperavam um Messias que resolvesse a crise política de Israel, que restaurasse a nação com poder e vitória visível. Jesus era, de facto, o Messias mas não o Messias que eles idealizaram. Quando as nossas expetativas nascem mais do desejo humano do que da revelação divina, a frustração espiritual aparece. Neste caminho de Emaús, Jesus aproxima-se dos discípulos dececionados e frustrados e caminha com eles e, desta aproximação, podemos tirar alguns ensinamentos:
Em primeiro lugar, Jesus não se impõe. Eles caminham com o Ressuscitado, escutam a sua voz, dialogam com Ele mas não O reconhecem. É possível estar próximo de Jesus fisicamente, espiritualmente e até intelectualmente, e, ainda assim, não O discernir espiritualmente porque estamos com cegueira espiritual. No entanto, a atitude de Jesus é reveladora da sua graça porque Ele não se impõe, não se revela imediatamente, não constrange os discípulos com a sua autoridade, simplesmente, deixa que eles caminhem no seu ritmo.
Em segundo lugar, Jesus escuta. Jesus permite que os discípulos expressem a sua dor, a sua deceção e as suas expetativas frustradas. Deus não tem medo das nossas perguntas nem das nossas queixas, Ele usa a nossa frustração como ponto de partida para a restauração. A escuta de Jesus revela um Deus que acolhe o coração ferido, antes de confrontar a mente equivocada. A correção divina nunca é fria ou impessoal, ela nasce do amor e cuidado pastoral.
Em terceiro lugar, Jesus confronta e corrige. Somente depois de ouvir é que Jesus corrige. Jesus chama-os de insensatos, não por falta de inteligência, mas por resistência em crer plenamente naquilo que as Escrituras já anunciavam. O ponto de viragem no texto está na interpretação bíblica que Jesus oferece. Ele reconstrói a esperança dos discípulos não com emoção, experiências místicas ou sinais extraordinários mas com a Palavra. Ao explicar Moisés e os Profetas, Jesus ensina que o sofrimento do Messias não foi um desvio do plano mas fazia parte do plano eterno de Deus. Assim, Jesus não muda os facto mas muda a forma como eles são compreendidos e a cruz, que para eles simbolizava o fracasso, era na verdade o centro da redenção.
A maturidade espiritual nasce quando permitimos que a Palavra redefina as nossas expetativas e não quando exigimos que Deus se ajuste às nossas. Quando a Palavra ilumina a dor, o peso da deceção começa a dissipar-se e o coração volta a arder. A frustração, quando encontrada por Cristo, deixa de ser um ponto final e transforma-se num lugar de restauração onde a fé é amadurecida e a esperança é reconstruída. Em momentos de desânimo e frustração, deixemos que o Senhor venha ao nosso coração, nos escute, e nos corrija com a Sua Palavra para que assim possamos recuperar a esperança e seguir em frente.
Todos nós experimentamos frustrações: sonhos que não se concretizam; expectativas que falham, situações que não compreendemos…Muitas vezes caminhamos desanimados… Jesus não nos abandona na tristeza, pelo contrário, caminha sempre ao nosso lado, ilumina o nosso coração e transforma a desilusão em esperança. Reflitamos:
Que frustrações e desilusões trazemos hoje no coração?
Tenho falado com Jesus sobre aquilo que me entristece?
Reconheço que Ele caminha comigo, mesmo quando não O sinto?
Deixo que a Palavra de Deus ilumine os momentos difíceis da minha vida?
Confio que Jesus pode transformar a minha frustração em esperança?
Agora, apresentemos a Jesus, as nossas preces. Peçamos-Lhe a cura das nossas frustrações, que fortaleça a nossa esperança, a nossa fé e que nos ajude a reconhecer a Sua presença no nosso caminho. Rezemos também pelos que vivem desanimados, tristes ou sem esperança.
Deixando que o Senhor venha ao nosso coração, nos escute, e nos corrija com a Sua Palavra, rezemos com Jesus.
Todos juntos, finalizemos com esta oração: Senhor Jesus, Tu que caminhavas com os discípulos tristes e desanimados, aproxima-te também de mim quando o meu coração estiver cansado e frustrado. Escuta as minhas dores, acolhe as minhas desilusões e ensina-me a compreender a minha vida à luz da Tua Palavra Quando eu perder a esperança, recorda-me que nunca caminho sozinho. Transforma a minha tristeza em confiança e faz nascer no meu coração uma esperança renovada. Ámen
Abençoados com a presença de Jesus no nosso caminho, com a Sua cura nas nossas frustrações e com o coração cheio da Sua esperança e paz, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Sim, claro que por vezes temos dúvidas e crises de fé. É perfeitamente normal. Assim como é normal apoiarmo-nos uns aos outros e pedir a Deus que nos ajude e ajude os outros a a confiarmos em Jesus Cristo o ressuscitado. O Papa Leão vai mais longe na belíssima mensagem do Vídeo do Papa deste mês: