Semana de 9 a 15 de agosto de 2026
XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Preparemos o espaço de forma a que fiquemos confortáveis e nos consigamos ver uns aos outros.
Podemos colocar uma taça com água, de modo a nos lembrar das tempestades da vida e da presença de Jesus, que vem ao nosso encontro. Assim como uma vela acesa e a Bíblia aberta em Mateus 14.
Com a confiança e a fé que Jesus mantém a Sua mão estendida para cada um de nós, em cada momento da nossa vida, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos a Deus, que segura as nossas mãos, quando o mar da vida nos quer afogar ou as tristezas nos vem sufocar.
Antes de escutarmos a Palavra, cada membro da família é convidado a agradecer a Deus um momento importante em que sentiu a Sua ajuda ou proteção. E, de coração cheio de gratidão, agradecemos-Lhe espontaneamente, o que hoje nos fez sorrir…
Escutemos atentamente, na voz de um de nós, o texto que hoje nos é sugerido: Mt 14, 22-33.
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Logo que saíram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
Que texto tão encorajador para a nossa caminhada! Tentemos percebê-lo melhor!
Diz-nos o texto do Evangelho que Pedro começou a afundar-se, isto é, ele não se afundou de imediato mas de forma gradual. Neste sentido, o texto apresenta-nos o processo de afundamento de Pedro em várias etapas.
Primeira: A mudança de atenção
Pedro caminha sobre as águas enquanto mantém o olhar fixo em Jesus. Neste estado, ele participa do impossível, sustentado não pela sua própria capacidade mas pela confiança no chamamento e palavra de Jesus. No entanto, num determinado momento, ele sente “a violência do vento”. O vento forte e o mar agitado sempre ali estiveram, mas agora passam a ocupar o centro da sua atenção. Este pequeno deslocamento é decisivo porque aquilo que ocupa a nossa mente começa a moldar a nossa experiência. Quando a atenção se fixa no problema, ele cresce de forma desproporcional dentro de nós e a alma começa a perder estabilidade. Assim, o vento deixou de ser um elemento da realidade e passou a ser a realidade dominante que desfocou Pedro da palavra e do chamamento de Jesus.
Segunda: A interpretação
Pedro percebe o vento e interpreta a situação como ameaça. O que antes era sustentado pela fé passa a ser analisado pela lógica do medo. Surgem pensamentos silenciosos como “isto é perigoso”, “não vai dar certo”, “eu não estou seguro”, “eu não consigo”. Enquanto Pedro estava com o olhar fixo em Jesus, a interpretação da realidade era sustentada pela confiança. O vento podia até estar presente mas não era o elemento dominante da realidade. Quando o foco muda, a interpretação também muda. Agora o vento deixa de ser apenas parte do cenário e das circunstâncias e passa a ser o centro da realidade que faz oscilar tudo.
Terceira: O deslocamento da confiança
Depois de Pedro deslocar a sua atenção e interpretar o vento como ameaça, ele começa, silenciosamente, a transferir a sua confiança. Até então, a sua segurança estava na palavra de Jesus e no chamamento “vem” mas, perante a interpretação negativa da realidade, esta confiança começa a mudar de lugar. Não desaparece duma vez mas enfraquece-se à medida que outra forma de confiança se instala: a confiança na própria perceção, na própria análise, na própria leitura da situação. Pedro começa a dar mais peso ao que sente do que àquilo que ouviu de Jesus. A força do vento torna-se, para ele, mais convincente do que a palavra que o tinha sustentado até ali. Assim, a confiança sai do relacionamento com Jesus e fixa-se na circunstância. À medida que Pedro alimenta a perceção do vento a confiança em Jesus cai.
Quarta: a experiência da queda
Só depois deste processo interior é que a queda se manifesta exteriormente. Na vida espiritual e também na vivência humana ninguém se perde ou cai de forma repentina mas é fruto dum processo gradual. O que vemos por fora – uma crise, um desânimo, uma perda de sentido – geralmente é resultado dum caminho interior feito aos poucos, muitas vezes sem nos apercebermos. Pequenas distrações, pensamentos negativos repetidos, medos alimentados em silêncio… tudo isto vai construindo, gradualmente, a experiência de se estar a ”afundar”.
O “afundamento” é um processo e por isso devemos estar vigilantes para perceber onde está a nossa atenção, quais os pensamentos que alimentamos em que estamos a colocar a nossa confiança
Todos nós experimentamos quedas/”afundamentos” em que deixamos que os medos sejam maiores que a presença de Deus. Contudo, quando fixamos os olhos no Senhor e confiamos que a nossa segurança está na Sua Palavra, o impossível torna-se possível. Reflitamos:
- Recordo algum momento em que comecei cheio de fé, mas depois deixei que o desânimo me fizesse “afundar”?
- Que “ventos” ou tempestades me têm feito desviar o olhar de Jesus?
- Quando enfrento uma dificuldade, vejo apenas um problema ou também uma oportunidade de Deus agir?
- Que queda da minha vida precisa hoje da mão de Jesus para me levantar?
Cada um de nós é convidado a apresentar a sua prece a Deus. Terminamos dizendo “Senhor, estende-nos a Tua mão”.
De mãos dadas, em redor da taça da água que preparámos, rezemos com Jesus
Senhor Jesus,
quantas vezes também nós começamos bem o caminho,
mas deixamos que o medo ocupe o lugar da confiança.
Quando desviamos o olhar de Ti,
tudo parece mais escuro e sentimos que nos afundamos.
Ensina-nos a fixar os olhos em Ti,
a interpretar a visa à luz da Tua presença
e a confiar mais na Tua palavra que nas nossas fragilidades.
E, quando cairmos,
dá-nos a humildade de Te chamar
e a certeza de que a Tua mão nunca deixa de nos procurar.
Faz de nós discípulos que caminham pela fé e não pelo medo.
Amen
Que o senhor nos acompanhe nas tempestades da vida, fortaleça a nossa fé, renove a nossa confiança e nos conceda a Sua paz.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.