Semana de 26 de julho a 1 de agosto de 2026
XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Podíamos fazer um momento de oração longo, demorado; podíamos esticar o tempo até atingirmos a plenitude do conhecimento interior e celestial.
Pelo contrário, aproveitemos todos os pequenos momentos: valorizemos os pensamentos de todos e partilhemos as nossas riquezas de modo a que, juntos, sejamos cada vez mais santos.
Com a Bíblia em 1 Reis 3 ao alcance da nosso olhar, iluminada pela luz duma vela.
Pedindo a Deus um coração sábio e esclarecido, para praticar a justiça, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
E um fado? Sim, um fado.
Não é estranho louvarmos o Senhor com um fado.
Um coração que aprende a parar, a refletir e a procurar algo além do momento, encontra comunhão com Deus. É na experiência deste momento de intimidade com o Deus de sabedoria, que somos convidados a “conversar” com Ele, fazendo-Lhe a nossa sentida oração de agradecimento.
Ouçamos esta leitura de 1 Reis 3, 5.7-12 na voz do mais atento.
Naqueles dias, O Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe: “Pede o que quiseres”. Salomão respondeu: “Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder. Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular. Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?” Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe: “Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti”.
Com a alma pronta a receber a boa nova, escutemos esta interpretação do texto que acabámso de escutar:
O pedido de Salomão, relatado no texto desta oração, revela muito mais do que uma simples escolha sábia, ele expõe a profundidade dum coração que compreende o contraste entre o eterno e o imediato. Diante da oportunidade de pedir qualquer coisa, Salomão poderia ter escolhido soluções imediatas como segurança política, vitória sobre os inimigos ou estabilidade económica. Tudo era legítimo, necessário e até esperado dum rei, no entanto, ele escolhe a sabedoria, escolhe algo que não resolve o agora de forma direta. Nesta escolha, Salomão revela que o seu coração compreendia que aquilo que é imediato pode aliviar o presente mas não sustenta o futuro.
O imediato está ligado à ansiedade do agora, ele nasce da necessidade de controlar, da tentativa de evitar a dor, da busca por respostas rápidas. É o desejo de resolver, garantir, assegurar e por isso o imediato tem tanta força sobre nós. O imediato parece sempre mais importante, mais real. Ele grita, pressiona e exige urgência, mas esta urgência muitas vezes é enganosa porque nem tudo o que é urgente é essencial e nem tudo o que é essencial se apresenta como urgente.
O eterno, ao contrário, não se impõe mas revela-se, não pressiona mas convida, não exige rapidez mas pede profundidade. Escolher o eterno exige um tipo de visão que vai além do momento presente, exige investir em algo que não trará retorno imediato, paciência para construir algo que não se vê agora e maturidade para abrir mão de satisfações rápidas em favor dum propósito maior.
Optar pelo eterno é dizer não ao que é mais fácil, mais rápido e mais visível, é resistir à tentação de resolver tudo de forma superficial, é aceitar o processo, abraçar o tempo e confiar que aquilo que está a ser construído de forma invisível terá um impacto muito mais profundo do que aquilo que apenas resolve o momento. É uma escolha que envolve renúncia e revela sabedoria.
O problema é que o coração humano tende a valorizar mais o que sente imediatamente do que aquilo que compreende profundamente. Por isso, muitas decisões são tomadas com base na emoção do momento e não na verdade que sustenta a vida. O imediato seduz porque oferece alívio, o eterno transforma porque oferece sentido e direção. O imediato responde à pressão, o eterno responde ao propósito.
Salomão, ao escolher a sabedoria, escolhe o eterno. Ele entende que governar bem não depende apenas de resolver problemas pontuais, mas de desenvolver um coração capaz de discernir continuamente. Ele troca soluções temporárias por uma fonte permanente de direção.
O contraste entre o eterno e o imediato não está apenas nas grandes decisões, mas manifesta-se nos detalhes, nas escolhas silenciosas que cultivamos e nas prioridades que estabelecemos. No fundo, viver bem não é eliminar o imediato, mas não ser governado por ele. É reconhecer que existem necessidades presentes, mas que elas não podem definir o rumo da vida. É aprender a desacelerar no meio da pressão, a discernir no meio da urgência e escolher com base naquilo que permanece, não apenas no que passa.
O eterno não é visível aos olhos apressados, ele só é percebido por um coração que aprende a parar, a refletir e a procurar algo além do momento, porque, no fim, o imediato sempre passará, mas o eterno continuará a ser aquilo que realmente sustenta a vida.
Muitas vezes damos prioridade ao que é imediato: o conforto, o sucesso, o reconhecimento ou aquilo que passa depressa. Deus, porém, convida-nos a procurar o que permanece: um coração sábio, capaz de amar, servir, perdoar e viver segundo a Sua vontade. Reflitamos:
- Procuro cultivar um coração que escuta ou um coração que apenas deseja possuir?
- Se Deus me perguntasse hoje “O que queres que Eu te dê?”, o que responderia? Pediria “o imediato” ou o que permanece?
- Tenho pedido a Deus sabedoria para tomar boas decisões?
- As minhas escolhas aproximam-me de Deus, ou das pessoas?
- Que coisas passageiras ocupam demasiado espaço na minha vida?
Quando escolhemos o eterno, aprendemos que os bens imediatos passam, mas o amor, a fé e o bem que fazemos aos outros, permanecem para sempre. Com isto em mente, façamos a nossa prece, pedindo ao Senhor, para nós e para os outros, aquilo que realmente sustenta a vida.
Com vontade firme de aprender a desacelerar no meio da pressão, façamos agora um verdadeiro momento de entrega ao Pai, rezando
De pé e valorizando as boas ideias, rezemos todos juntos:
Senhor nosso Deus, tantas vezes deixamo-nos conduzir pelo que é rápido e passageiro.
Ensina-nos, como Salomão, a pedir um coração sábio, capaz de reconhecer o que tem verdadeiro valor.
Que saibamos escolher o amor em vez do egoísmo, o serviço em vez da ambição, a fidelidade em vez da facilidade.
Ajuda-nos a viver com os olhos postos no que é eterno, confiando que Tu nunca deixas faltar o necessário àqueles que procuram a Tua vontade.
Amen
O Senhor nos conceda um coração sábio, fortaleça a nossa esperança e acompanhe todas as nossas escolhas.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.