Semana de 19 a 25 de julho de 2026
XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Com muita tranquilidade, paramos para esquecer a azáfama do dia a dia.
Olhamos para dentro de nós, pensamos em Deus e avaliamos o que devemos fazer.
Tenhamos a Bíblia aberta no 13.º capítulo do Evangelho segundo São Mateus e uma vela acesa no meio de nós.
Na presença de Deus de infinita paciência, deixando-O agir em nós, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Ouçamos com atenção este testemunho de quem descobriu que a verdadeira força não está em si mesmo, mas em Jesus Cristo. É uma música para lembrar que, mesmo nas lutas, Deus nunca abandona quem Nele confia.
Agora, cada um de nós pode fazer, sem pressa, a sua oração de agradecimento a Deus paciente que nunca desiste de nós e nos concede, continuamente, a oportunidade de desenvolvermos um coração que dê fruto! Lembremo-nos das pessoas que, com amor, souberam esperar por nós, compreender-nos e ajudar-nos a crescer! Lembremo-nos do tanto que recebemos de Deus…
Escutemos atentamente a parábola que Jesus nos conta em Mt 13, 24-43.
Hoje, lê o mais paciente.
Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: “O reino dos Céus pode comparar -se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio? Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’”.
Sem pressa, com o coração desperto, deixemos esta mensagem agir em nós…
A parábola do trigo e do joio revela a grande diferença que há entre o agir humano e o agir divino, entre a pressa humana em julgar e a paciência de Deus.
Primeiro: A pressa do coração humano
Vivemos num mundo onde nem tudo é claro, onde há pessoas boas e más, atitudes certas e erradas, fé verdadeira e aparência de fé, tudo misturado. Na parábola, Jesus mostra que o trigo, semeado por Deus, e o joio, semeado pelo inimigo, crescem lado a lado, no mesmo campo, no mesmo coração. Os servos querem agir rapidamente a arrancar o joio, como se fosse possível dividir a humanidade em bons e maus ou dividir o que há de bom e de mal no coração de cada ser humano. O joio é muito parecido com o trigo no início e isto revela que nem tudo o que parece ruim realmente é e nem tudo o que parece bom permanece bom. Assim também são as pessoas. Na verdade, há histórias que não conhecemos, feridas que não vemos e processos a acontecer. O dono sabia que agir cedo demais seria destrutivo e assim acontece. Muitas vezes, corrigimos com dureza em vez de amor, rejeitamos em vez de compreender, cortamos relações sem discernimento. Nem sempre temos autoridade ou visão para “arrancar” alguém da nossa vida ou condená-la porque nos falta a visão total e desta forma estamos a “arrancar” o bem que essa pessoa tem.
Segundo: A paciência do coração de Deus
Diferente do ser humano, que reage com pressa diante do erro e do mal, Deus não age movido pela ansiedade. Ele vê o joio, conhece a sua origem, entende o seu impacto mas prefere esperar. Esta espera não significa indiferença mas manifesta o coração de Deus a agir.
- A paciência de Deus protege o trigo
O Senhor diz: “não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo.” A paciência de Deus tem como objetivo proteger o que é bom. Se Deus agisse de forma imediata, Ele poderia destruir algo de bom e ferir o que é bom em cada um de nós. Assim, muitos seriam atingidos, muitos processos seriam interrompidos e muitas vidas seriam prejudicadas. A paciência de Deus protege aquilo que ainda não está completo, ele não trata apenas o visível mas trabalha o interior, onde o olhar o humano não alcança.- A paciência de Deus é uma oportunidade de transformação
Deus vê o mal e não o ignora, mas decide adiar o juízo para dar espaço à redenção. Este adiamento é, na verdade, uma oportunidade, é um tempo concedido para que haja arrependimento, mudança e crescimento. Se Deus fosse imediato no juízo, ninguém teria tempo de se arrepender nem oportunidade de mudar. A paciência de Deus é uma porta aberta, uma forma de amor que sustenta o mundo e possibilita a salvação.- A paciência de Deus tem um limite: a ceifa
A ordem foi clara: “Deixai-os crescer ambos até à ceifa.” A paciência de Deus não é infinita no sentido de ausência de justiça. A parábola aponta para a ceifa, o momento em que tudo será revelado e separado. O tempo presente é um tempo de crescimento e oportunidade, mas o futuro trará definição. Deus espera mas não abdica da justiça e por isso haverá um acerto final em que aquilo que está oculto será exposto. O tempo presente é de crescimento e o tempo futuro será de revelação e definição.
Vivemos num mundo onde tudo parece urgente. Queremos respostas imediatas, mudanças rápidas e soluções para todos os problemas. Também nas relações humanas somos, muitas vezes, rápidos a julgar, a condenar ou a desistir das pessoas. Jesus revela-nos um Deus paciente, que conhece o coração humano e que nos dá tempo para amadurecer, para recomeçar e produzir fruto. Reflitamos.
- Sei esperar sem perder a esperança ou facilmente desanimo?
- Quantas vezes julgo as pessoas apenas pelos seus erros e esqueço que Deus continua a acreditar nelas?
- Tenho paciência na educação dos meus filhos, na vida familiar e no trabalho?
- Reconheço que há trigo e joio dentro de mim? Qual deles tenho alimentado?
- Como posso ser hoje um sinal da paciência, da misericórdia e da esperança de Deus para alguém?
Deus olha para nós com um coração paciente; Ele sabe esperar… e chama-nos a vivermos esta paciência connosco, com os outros e com os tempos da vida… Prostrados aos pés deste Pai paciente, que cuida de nós e nos protege, apresentemos-Lhe aquilo que nos impacienta, nos desanima e que gostaríamos de ver resolvido na nossa vida e na vida dos nossos irmãos.
Façamos um breve momento de silêncio. Podemos partilhar, com Deus e uns com os outros, algo que hoje tocou mais profundamente o nosso coração e nos faz querer, verdadeiramente, “ser trigo”: uma frase, um ensinamento, um vislumbre da mão de Deus a agir em nós…
Depois, de mãos dadas, rezamos
Sem pressa, digamos calmamente e a entender cada ideia:
Senhor, Tu conheces o nosso coração impaciente e inquieto.
Muitas vezes queremos resolver tudo pelas nossas próprias forças, julgamos antes de compreender e desistimos antes de esperar.
Ensina-nos a respeitar o tempo de cada pessoa, a semear o bem sem desanimar, a confiar quando não vemos resultados e a acreditar que o Teu amor pode transformar aquilo que parece perdido.
Que nunca percamos a esperança nem a confiança na Tua ação silenciosa. Faz de nós pessoas pacientes, misericordiosas e perseverantes, capazes de esperar contigo o tempo da colheita.
Amen
Sob a benção do Deus de infinita paciência e a ação do Espírito Santo para tornar paciente o nosso coração e fazer crescer em nós o trigo do Seu reino, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.