Semana de 11 a 17 de janeiro de 2026 BATISMO DO SENHOR – ANO A
Criar momentos de oração e partilha em família tem alguns desafios. Um deles é a expetativa de que as melhores respostas, mensagens ou partilhas venham sempre das figuras de referência do grupo. Nem sempre é assim e, por vezes, a luz surge dos mais pequenos e menos vividos, dos mais velhos com maior experiência ou até daquele que habitualmente não se destaca. Estejamos atentos e permitamos que o Espírito Santo chegue até nós pelos meios que considerar mais adequados. A Bíblia é, sem dúvida, um desses meios, por isso, tenhamo-la aberta no terceiro capítulo do Evangelho de São Mateus e uma vela acesa, sinal dessa inspiração que é oferecida a cada um de nós.
Permitindo-nos sentir “filhos muito amados do Pai”, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Revestidos de serenidade, tranquilidade e confiança no Pai, louvemo-Lo, na presença do Espírito Santo
Jesus revela-se na simplicidade; não vem com poder nem imponência, mas aproxima-Se, faz-Se próximo e entra na nossa história. Mostra-nos que o amor de Deus não depende das nossas falhas, acertos ou méritos, Ele ama-nos antes de qualquer coisa. Sentindo esse amor de Pai no nosso coração, como filhos abençoados, dirijamos-Lhe a nossa sentida oração de agradecimento.
Saboreemos a Palavra que nos mostra quem o Senhor Deus é, e o que somos para Ele! Escutemos atentamente o lindíssimo texto de Mt 3, 13-17, na voz do mais traquina de nós!
Neste texto do Evangelho, Jesus aproxima-se de João para ser batizado por Ele no rio Jordão, o céu abre-se, o Espírito Santo desce em forma de pomba e uma voz do céu exclama: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. Esta voz também é dirigida a cada um de nós no momento do nosso batismo. Deus olha para cada um de nós com ternura e diz: “Tu és meu filho, tu és minha filha e eu amo-te profundamente”. Que amor é este que Deus tem por nós e quais as suas implicações?
O amor de Deus é pessoal Quantas vezes ouvimos dizer que “Deus nos ama” mas vivemos como se esse amor fosse distante ou apenas uma teoria? A nossa fé diz-nos que somos filhos muito amados de Deus mas quantas vezes isto é apenas algo racional e não o sentimos no nosso coração?
No batismo de Jesus, a voz do Pai não diz: “vocês são todos filhos” mas ela diz: “Este é o meu Filho muito amado”. É no singular, é pessoal. O mesmo sucede no nosso batismo: ele é feito de modo nominal e por conseguinte pessoal. Deus não ama “em massa”, Ele ama um por um, pelo nome e com uma ternura única. O amor de Deus não é genérico, impessoal ou distante mas é detalhado, profundo e íntimo. Deus não ama “a humanidade”, como grupo abstrato, Ele ama cada um com o seu nome, rosto, história, feridas e sonhos.
O amor de Deus é incondicional Ser filho “muito amado” significa que o amor de Deus não depende das nossas falhas, acertos ou méritos, Ele ama-nos antes de qualquer coisa. Deus ama-te antes de acertares e continua a amar-te mesmo quando erras. Deus conhece os teus pecados, as tuas lutas mas nada disso o faz amar-te menos porque Ele não te ama “porque és bom” mas porque Ele é bom. Somos tentados a viver como o filho mais velho da parábola do filho pródigo. Este estava dentro de casa do pai mas não se sentia amado. Ele vivia como se o amor do pai dependesse da sua performance como filho. Não precisamos de merecer o amor de Deus, precisamos de nos permitir ser amados. Quando erramos, não deixamos de ser filhos e por isso o Pai continua à espera, pronto para nos acolher de volta em festa, como fez com o filho pródigo. É este amor incondicional de Deus que nos sustenta, mesmo quando caímos.
O amor pessoal e incondicional exige uma resposta pessoal Não basta viver duma fé herdada, automática ou superficial porque Deus quer um relacionamento íntimo, próximo e verdadeiro com cada um de nós. Jesus vivia duma certeza interior: “sou amado” pelo Pai. Desde o seu batismo até à cruz, Jesus sempre agiu a partir da segurança do amor do Pai. Mesmo sendo rejeitado, perseguido, traído, aclamado e depois abandonado, Jesus nunca duvidou do amor do Pai. E mesmo na cruz, sem o consolo e sem ouvir a voz do Pai, Jesus continua a confiar e a ser o filho “muito amado”. Quando te sentes amado por Deus, vives de forma diferente. Quem se sente filho amado por Deus viver em confiança, mesmo quando não entende os caminhos da vida, sabe que o Pai está presente; quem se sente filho amado por Deus ama melhor, não espera nada em troca, perdoa, serve com mais alegria; quem se sente filho amado por Deus reflete o amor do Pai e trata os outros como irmãos, gerando comunhão, serviço e compaixão; quem se sente filho amado por Deus vive na esperança de que a última palavra nunca será a morte, mas a ressurreição.
O amor de Deus não é genérico, impessoal ou distante; é detalhado, profundo e íntimo. Ele não nos ama “porque somos bons” mas porque Ele é bom! Quem se sente filho amado por Deus reflete o amor do Pai e trata os outros como irmãos, gerando comunhão, serviço e compaixão. Reflitamos, como “filhos muito amados do Pai”:
Acredito que Deus Se agrada de mim, assim como sou; sinto-me filho(a) amado(a) do Pai?
Que faço para alimentar um relacionamento íntimo, próximo e verdadeiro com Deus Pai?
A forma como trato os outros reflete o amor de Deus?
Já senti fome de amor?
Permito-me ser amado?
Que amor sinto mais forte e em que situação?
Deus conhece os nossos pecados, os nossos erros, as nossas lutas e ama cada um, como filho ou filha, com o seu nome, rosto, história, feridas ou sonhos. Sentindo-nos “filhos muito amados do Pai”, humildemente, entreguemos-Lhe os nossos pedidos, sem esquecer todos aqueles que sentem fome de amor.
Envolvidos pela complacência e misericórdia do Pai que nos ama, rezemos-Lhe:
Senhor, renova em nós a graça do batismo, purifica o que em nós ainda resiste à Tua vontade e conduz-nos pelo Teu Espírito para que vivamos como filhos amados, humildes no serviço, firmes na fé e constantes no amor. Que a Tua Palavra nos sustente, que o Teu Espírito nos transforme, e que a certeza do Teu amor nos envie a ser sinal da Tua presença no mundo.