Semana de 4 a 10 de janeiro de 2026 EPIFANIA DO SENHOR – ANO A
O início do ano é sempre uma altura para se fazer de forma diferente, para se inovar, para melhorar… Na verdade, devemos manter e fortalecer o que está bem. Assim, façamos deste momento de oração o melhor que conseguirmos, nas melhores condições quer no ambiente quer interiormente. Podemos ter a Bíblia aberta no segundo capítulo do Evangelho de São Mateus e uma vela acesa para representar o menino Jesus nascido no meio de nós.
Buscando Jesus, a estrela que nunca se apaga e guia os nossos passos, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Recordemos a razão de virmos fazer este momento de oração:
Jesus deixa-se encontrar por aqueles que O buscam com o coração sincero, ilumina os nossos caminhos e guia-nos com a luz da Sua presença! Quando, à semelhança dos Magos do Oriente, nos colocamos a caminho, confiando nas Suas promessas e O encontramos, enchemo-nos de alegria profunda que transforma! Por isso, revestidos do aprazimento de ter Jesus nas nossas vidas, oferecemos-lhe a nossa humilde e sincera oração de agradecimento.
Com vontade de aprender mais sobre o Evangelho, escutemos atentamente, na voz de um de nós, o trecho de Mt 2, 1-10
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Debrucemo-nos sobre alguns aspetos deste trecho do Evangelho:
Em dia da Epifania, contemplamos a visita dos Magos ao Menino Jesus. Eles vêm de longe, guiados por uma estrela, e encontram o Rei do universo em simplicidade e humildade. A juntar à beleza desta cena, o Evangelho apresenta-nos outra figura: Herodes, o rei perturbado, o homem que poderia ter ido adorar o Menino mas escolheu resistir. Com coragem e verdade, precisamos de nos perguntar: Será que também eu, às vezes, não sou como Herodes?
Ser como Herodes é querer manter-se no “trono” Herodes era rei, ao ouvir dizer que em “novo rei dos judeus” tinha nascido, ele sentiu-se ameaçado e, em vez de se alegrar com o nascimento do Messias, ele sentiu-se incomodado. Hoje, muitos também rejeitam Cristo porque Ele incomoda porque questiona a nossa vaidade, o nosso egoísmo, a nossa sede de poder e os nossos pecados escondidos. O instinto de Herodes foi defender-se em vez de acolher. Herodes não adorou porque não quis renunciar ao seu próprio “trono”, ao seu poder, ao seu controlo. Também nós podemos fazer o mesmo quando Deus quer reinar na nossa vida mas apegamo-nos ao nosso orgulho, quando Jesus quer guiar os nossos passos mas insistimos em fazer tudo à nossa maneira, quando Ele nos chama à conversão mas defendemo-nos, justificamo-nos e adiamos. Ser como Herodes é querer continuar a ser rei da própria vida, não querer sair do meu “trono”, é resistir a Deus e não querer ceder o controlo, mesmo sabendo que só Cristo salva.
Ser como Herodes é fechar-se em si mesmo e resistir à luz de Deus A estrela apareceu para todos mas apenas os Magos a seguiram. Herodes tinha acesso às Escrituras, aos sacerdotes, aos sábios da corte que lhe indicam onde o Messias nasceria mas, mesmo assim, Herodes não moveu um passo para encontrar Jesus. A informação ele tinha, a oportunidade ele teve mas não se levantou, não saiu de Jerusalém, não foi a Belém porque o seu coração estava centrado em si mesmo. Quantas vezes temos os meios e os sinais mas não damos um passo. Sabemos muito mas não vivemos nada. Conhecemos a Palavra de Deus mas preferimos não mudar, preferimos que Ela não nos transforme o coração, sabemos o que devemos fazer mas temos medo das consequências, a estrela brilha mas o coração está demasiado pesado para se mover. Ser como Herodes é ficar parado e fechado em si mesmo, é preferir os sonhos do costume, do orgulho e da conveniência em vez de caminharmos ao encontro daquele que vem para nos iluminar.
Ser como Herodes é viver uma religião de “fachada” “Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O“. Palavras bonitas mas falsas. Herodes usa a religião como disfarce para um plano perverso, ele finge devoção, “ir adorar”, mas prepara um plano de morte. Quando a nossa fé não é vivida com sinceridade mas apenas de aparência, quando a nossa vida não combina com as palavras, quando procuramos Deus não por amor mas por interesse, quando as nossas palavras são bonitas mas os frutos são podres, quando usamos uma linguagem de fé para esconder intenções que não agradam a Deus, quando queremos que os outros façam o caminho por nós e queremos ter frutos de fé sem fazer o esforço da busca… estamos a ser como Herodes.
Que o Senhor desça do céu para reinar no “trono” do nosso coração e afaste dele o “Herodes” que aí possa estar a viver.
À semelhança dos Magos, trazemos perguntas no nosso coração e uma sede profunda de sentido. Nem sempre o caminho é claro; há momentos em que nos deixamos distrair por vozes que confundem e, como Herodes, ficamos parados e fechados em nós mesmos, preferindo os sonhos do costume, o orgulho e a conveniência, em vez de caminharmos ao encontro daquele que vem para nos iluminar. Reflitamos:
Que medos surgem em mim quando sinto que Deus pode mudar os meus planos?
Em que situações vejo Jesus como ameaça ao meu conforto ou controlo?
O que me impede, por vezes, de avançar (“seguir a estrela”), com confiança?
Como reajo quando Deus não corresponde às minhas expectativas?
Que alegrias experimentei quando senti a proximidade de Jesus?
Por vezes as nossas dúvidas obscurecem o nosso dia a dia, os nossos medos paralisam-nos, a tristeza, as injustiças, as dores que sentimos, fazem parecer que o caminho é longo, tortuoso e apetece desistir pois o “coração fica demasiado pesado para se mover”! De olhos postos na estrela que guia, libertemo-nos do que nos aprisiona e entreguemos a Jesus, a verdadeira luz, as nossas humildes e sentidas preces.
Confiantes e entregues nas mãos de Deus que quer reinar na nossa vida, rezemos:
Jesus, ensina-nos a procurar-Te com perseverança, a não desistir quando o caminho é longo e a reconhecer-te nas pequenas coisas: liberta-nos dos medos que nos desviam e dá-nos a alegria profunda de Te encontrar! Jesus, estrela que nunca se apaga, guia os nossos passos até Ti; que a nossa vida seja uma peregrinação de fé, marcada pela confiança, pela alegria e pelo desejo sincero de Te adorar.
Ansiando que o Senhor desça do céu para reinar no “trono” do nosso coração e afaste dele o “Herodes” que aí possa estar a viver, benzemo-nos.