Semana de 21 a 27 de dezembro de 2025 IV DOMINGO DO ADVENTO – ANO A
A beleza do Natal é enorme, porém só valorizamos efetivamente se interiorizarmos o espírito de paz e harmonia nos nossos corações. Que este momento de oração em família sirva para nos sentirmos desta forma e enriquecer a fraternidade e união. Podemos ter a Bíblia aberta no início do Evangelho de São Mateus e uma vela acesa.
Com o coração disposto a viver uma fé silenciosa e obediente, à semelhança de José, o justo, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Na sombra do caminho o Senhor é a luz; na noite mais escura os nossos passos Ele conduz, pois na Sua voz, encontramos a esperança! Louvemo-Lo:
Eu sei que tens momentos de dor e solidão Por vezes o teu esforço parece ser em vão Tu queres dar um rumo, à tua vida dar sentido Tu buscas a resposta que preenche esse vazio Que existe no teu coração, uma voz que conduza os teus passos Um amigo que te ajude a avançar
A voz da esperança é Jesus Na sombra do caminho Ele é tua luz A voz da esperança é Jesus Na noite mais escura os teus passos conduz A voz da esperança é Jesus
Tu sabes que este mundo nada tem a oferecer Senão falsa esperança e a ilusão de viver Eu quero hoje dizer-te que Jesus é a saída No momento em que O conheci transformou a minha vida Não queres também aceitar o convite que Jesus deixa contigo? Vida nova amigo eu te quero dar…
Em silêncio ou em voz alta, falemos com Deus e ofereçamos-Lhe a nossa oração de gratidão…; Pelos momentos em que nos guiou, mesmo sem entendermos; pelas pessoas que colocou nas nossas vidas; pelas vezes que nos deu coragem para confiar e seguir em frente; pela Sua presença discreta, mas fiel, em cada etapa das nossas vidas; por…
Acolhamos a Palavra de Deus, no texto de Mt 1, 18-24, na voz de um de nós, com total confiança.
O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
Tentemos perceber melhor a mensagem que podemos inferir para a nossa caminhada cristã.
O texto bíblico desta oração apresenta-nos a figura de José e descreve-o com uma palavra que carrega um grande peso espiritual: “justo”. O que leva o autor bíblico a dizer que José é “justo”?
José é justo porque não age por impulso ou por vingança José conhecia a Lei de Moisés e, segundo esta, uma mulher prometida em casamento ou casada que coabitasse com outro homem era considerada adúltera e a pena prevista na Lei era o apedrejamento fora da cidade (cfr Dt 22, 20-24). José amava Maria, tinha-se comprometido com ela e, de repente, ela aparece grávida. Sem entender o plano de Deus, ele pensa que foi traído. Se José não fosse justo, ele poderia ter dito: “A lei está do meu lado” e teria exposto Maria e ela seria apedrejada mas mesmo assim José não age por impulso, nem por vingança. A misericórdia começa quando freias a tua raiva e entregas a tua dor a Deus. Foi o que fez José e por isso ele é chamado de “Justo”.
José é justo porque escolhe proteger em vez de condenar Diz-nos o texto que José “não querendo difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo”. Mesmo sem entender o que se estava a passar, José escolheu proteger Maria. Mesmo achando que ela errou, José não quer manchar o nome de Maria, não usa a verdade como arma, não diz: “eu tenho razão”. Ele silencia por amor. Ser justo é agir com compaixão, mesmo quando temos razões para agir com dureza, quando temos motivos para ferir mas escolhemos proteger. Num mundo onde tudo se expõe, José ensina-nos que a verdadeira justiça faz-se com discrição, respeito e silêncio e por isso ele preferiu proteger do que punir e condenar.
José é justo porque escuta o Senhor Perante a decisão de José deixar Maria, Deus entra em cena e, em sonho, fala com José. Não foi algo comum, não foi um discurso claro. Se José não fosse justo, ele ficaria fechado em si mesmo, incrédulo, revoltado e teria ignorado o anjo mas José acorda e obedece. Assim que ele acordou do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe tinha ordenado. Ele não discute com o anjo, não pede sinais, não questiona. Ele confia. O justo não é o que tem as respostas todas mas o que sabe ouvir a voz de Deus e obedecer.
José é justo porque age com misericórdia e compaixão A justiça de José não é a “justiça de José” mas de Deus. Esta justiça está cheia de prudência, de bondade, de misericórdia e por um grande desejo de conhecer e praticar a vontade de Deus, que é bom. Justo equivale a ser bom, a ser santo. Com as devidas distâncias, o comportamento de José lembra o comportamento de Jesus, quando lhe apresentaram a mulher adúltera e lhe perguntaram: e tu que dizes? A resposta de Jesus pode ajudar-nos a perceber qual o sentido que José dava à palavra justiça. A resposta de Jesus como, neste caso de José, foi uma justiça misericordiosa, uma justiça não na Lei de Moisés mas na lei do mandamento do amor a Deus e ao próximo. Mesmo sentindo-se traído, confuso e ferido, José escolhe a misericórdia e age com compaixão.
São José, homem justo e misericordioso, rogai por nós.
José, o justo, levanta-se e faz como o Senhor lhe ordenou! Ele não julga, não questiona, não expõe, não condena; a Sua justiça, misericórdia e compaixão, nascem da escuta, da confiança total em Deus e da coragem de amar, para além do que compreende! E eu?
Confio que Deus continua a agir, mesmo quando tudo parece confuso?
Aprendo com S. José a amar em silêncio, sem necessidade de explicações?
José acorda e faz. A minha fé traduz-se em gestos concretos? Quais posso introduzir na minha vida?
José aceita mudar os seus planos para acolher o plano de Deus. A que mudanças sou chamado?
Sou capaz de agir sem reconhecimento, apenas por fidelidade a Deus?
À semelhança de S. José, muitas vezes, nas nossas vidas, enfrentamos a dúvida, a incompreensão, o medo ou a dor. A seu exemplo, quando tivermos motivos para ferir, escolhamos proteger e, com discrição, respeito e silêncio, prefiramos proteger, a punir e condenar. Humildemente, na condição de humanos errantes, coloquemos os nossos pedidos sob o olhar atento do Senhor e entreguemos-lhe, humildemente, as nossas preces.
Confiando que o Senhor está connosco, como estava com José, rezemos:
Senhor, dá-nos um coração justo como o de José, capaz de escutar a Tua voz no meio do silêncio, de acolher os Teus planos mesmo quando não os compreendemos e de agir com fidelidade, humildade e confiança. Ensina-nos a cuidar da vida que nos confias, a proteger os mais frágeis e a viver a nossa missão com amor discreto e perseverante.
Sabendo que o Senhor nos abençoa e nos guarda, nos concede um coração justo e misericordioso, mãos disponíveis para ajudar e um amor fiel que se traduz em gestos concretos, benzemo-nos.