Semana de 2 a 8 de novembro de 2025 COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS
Hoje, neste momento de oração familiar, lembremo-nos também daqueles que já partiram. Juntemos algumas fotografias (ou uns papéis com os nomes) dos nossos entes queridos que estão junto de Deus. Tenhamos a Bíblia aberta no capítulo 5 da Segunda Epístola aos Coríntios e uma vela acesa junto às memórias.
Cheios de esperança e confiança na promessa de vida eterna junto do Pai, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
O Senhor ressuscitou, Vencendo a morte na Cruz, Nossa esperança está n’Ele, Ele é o nosso salvador.
Atrás ficou o temor, A dúvida e a pouca fé Tornemos realidade Um novo reino de amor.
Somos testemunhas da Ressurreição, Ele está aqui, está presente, é Vida e é Verdade. Somos testemunhas da Ressurreição Ele está aqui, Seu Espírito envia-nos a amar.
Tu nos reúnes, Senhor, Em torno do vinho e do pão E nos convidas a ser A luz do mundo e o sal.
Onde houver ódio e dor Faremos surgir Tua paz. Em cada gesto de amor, Senhor connosco estarás.
O nosso coração aquieta-se diante de Deus, porque Ele caminha connosco com a Sua presença de luz, sustenta-nos com a Sua graça e renova-nos com o Seu amor, em cada passo da nossa peregrinação na terra. Com o coração voltado para o Pai bondoso e protetor, façamos-Lhe a nossa sincera oração de agradecimento.
Escutemos na voz de um de nós, a mensagem de 2 Cor 5, 1.6-10.
Irmãos: Nós sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens. Por isso, estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido enquanto esteve no corpo, quer o bem quer o mal.
Tentemos perceber melhor esta mensagem de esperança:
A celebração de Todos os Fiéis Defuntos recorda-nos que não temos aqui morada permanente. A realidade diz-nos que todos vamos morrer, não há exceções para ninguém, ninguém fica para semente e por isso esta celebração convida-nos a olhar a vida com os olhos da fé e a ver a nossa existência e dia neste mundo como uma caminhada, como uma peregrinação.
Quando alguém decide fazer uma peregrinação, a primeira coisa que aparece são os limites corporais: o cansaço, as dores de costas e de pés, as bolhas… A morte põe a nu a fragilidade e os limites da condição humana. Ela diz-nos claramente que estamos limitados a um determinado tempo de vida e isto não é necessariamente mau. Num jogo de futebol, os jogadores estão limitados pelas linhas do retângulo de jogo, por isso mesmo não vale jogar fora das linhas ou na bancada. É dentro dos limites do campo que os jogadores têm de exercer a sua missão e jogar. Um pintor está limitado pela dimensão da tela e sabe que é naquele espaço que tem de fazer a sua obra de arte. Assim, a morte também nos diz que o nosso tempo neste mundo é finito e é neste tempo que nos é dado que temos de exercer a nossa missão e desenvolver os talentos que Deus nos deu. Enquanto os jogadores sabem o tempo de jogo e o pintor a dimensão da tela, nós não sabemos quando termina o nosso tempo de peregrinação e por isso devemos refletir sobre a forma como usamos o tempo, o que estamos a construir. Esta peregrinação terrena é um tempo de preparação para a vida eterna e, como não sabemos o dia nem a hora, a única segurança é viver cada dia como se fosse o último através de gestos, escolhas e ações que nos levem a fazer o bem, cultivar o perdão e procurar a santidade.
Uma peregrinação tem como objetivo chegar ao santuário. Cada um é livre de inventar o seu próprio caminho, avançar ao seu ritmo e até duvidar do caminho que leva e mudar de caminho. Como peregrinos, todos caminhamos para o mesmo fim: o encontro com o Pai. Dada a fragilidade da vida, não nos agarremos demasiado às coisas da terra, para não ouvirmos, como o rico ambicioso: “insensato, hoje mesmo vais morrer”. Tentemos depositar no céu e não apenas nos bancos da terra, esse capital de nada servirá na hora da verdade, mesmo que comprássemos um caixão de ouro. Vivamos como peregrinos, isto é, como alguém que se percebe estrangeiro pelas terras por onde passa. O seu objetivo é caminhar para o lugar sagrado, como o nosso objetivo deve ser caminhar para o encontro com o Pai. Devemos caminhar com os pés na terra mas com o olhar no céu.
A morte é uma “páscoa pessoal”. Assim como Jesus passou da morte para a vida também nós estamos chamados a essa mesma Páscoa. Para o cristão, morrer é voltar para a casa do Pai, é ser acolhido nos braços daquele que nos criou por amor. Para quem vive com fé, a morte não é uma derrota mas uma chegada. É como quem termina uma longa peregrinação e finalmente repousa nos braços do Pai. Por isso, neste dia, lembramos os falecidos com respeito, carinho e oração porque eles chegaram ao final da sua peregrinação e vivem para sempre junto de Deus.
Na nossa “peregrinação”, haverá momentos de alegrias, de dores, de certezas e de dúvidas sobre a nossa fé… E é ao sermos confrontados com a nossa finitude terrena, que queremos aceitar o chamamento a caminhar ao encontro do Pai e a procurar a santidade para, no fim, repousarmos nos Seus braços. Reflitamos:
Tenho consciência que a minha vida aqui é passagem, e que a verdadeira casa é junto de Deus?
Tenho deixado que a fé guie as minhas decisões e atitudes? Dou um exemplo.
Tenho uma fé que sustenta os outros, ou que se apaga nas dificuldades?
Quem tenho a certeza que vive junto a Deus?
E eu, estou no caminho certo nesta minha peregrinação?
Por vezes o caminho é duro… e seguimos sem esperança, sem forças, sem coragem! Muitas vezes, é na dor e no pranto que procuramos a Deus, pois, somente n´Ele, encontramos o refúgio e morada para o nosso coração! Fiéis ao Seu amor, com esperança, façamos-Lhe os nossos pedidos.
Com o coração voltado para Deus, rezemos-Lhe.
Senhor, morada segura que o nosso coração anseia, sustenta-nos com a Tua presença, mantém os nossos pés firmes no caminho da fé, servindo com amor, os nossos irmãos. Que a nossa vida, breve e frágil, seja um testemunho de Ti, com gestos, escolhas e ações que nos levem a fazer o bem, a cultivar o perdão e a procurar a santidade.
Abençoados com o Espírito Santo que mantém a nossa tenda firme e nos conduz à eternidade, benzemo-nos.