Semana de 28 de setembro a 4 de outubro de 2025 XXVI DOMINGO COMUM – ANO C
Silenciemos, por momentos, o ruído e o corrupio dos nossos dias. Alheemo-nos dos estímulos externos e encontremos um momento tranquilo, de encontro, desfrutando da presença de Deus no meio de nós. Podemos ter a Bíblia aberta em Lucas e acendemos uma vela quando estivermos preparados para começar.
Ansiosos por nos sentirmos tocados pelo amor de Deus e movidos a viver na partilha, benzemo-nos
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Eis a minha vida, Senhor! Faz que vivendo por Ti, Trabalhando por Ti, Eu me transforme em Ti, Testemunhando a alegria do Serviço por Amor!
1. Eis a minha vida, Senhor! Quero ser testemunha do Serviço Faz que vivendo por Ti Seja fiel ao meu compromisso.
2. Eis a minha vida, Senhor! Quero ser instrumento do Teu amor Faz que trabalhando por Ti Testemunhe o teu projeto Salvador.
3. Eis a minha vida, Senhor! Quero ser arauto da alegria Transformando-me em Ti, Dizendo sempre Sim como Maria.
Em silêncio, reconheçamos a bondade de Deus mesmo nas coisas pequenas da nossa vida. Quantas vezes nos esquecemos de Lhe agradecer? Mostremos ao Pai a nossa gratidão, e porque não, agradecer-Lhe pelas pessoas que coloca no nosso caminho para nos ajudar, mas também pelas que mais precisam do nosso carinho e atenção.
Na voz de um de nós, escutemos a Palavra de Deus de Lc 16, 19-31 com o coração.
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas. Que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.
Com a intenção de aprofundar a leitura bíblica, escutemos
O texto desta oração é a parábola do rico e do Lázaro. É importante notarmos que a condenação do rico não vem da sua riqueza, mas da sua total insensibilidade e indiferença para com o sofrimento do outro. Ele não agrediu, não perseguiu ou insultou Lázaro, simplesmente, o ignorou. O rico via Lázaro todos os dias e não se comovia, não se importava, não agia. O rico da parábola falhou na caridade, falhou no amor ao próximo. Mas há dois detalhes profundos nesta parábola e é sobre eles que pretendemos refletir nesta oração.
Primeiro: Os sinais extraordinários O rico, já em sofrimento, pede que Abraão envie Lázaro de volta à terra para avisar os seus irmãos, para que se convertam e não terminem como ele. O rico pede um sinal extraordinário, um milagre, como forma de converter os seus irmãos. Os milagres são sinais que podem chamar a atenção, mas não são garantia de fé. Jesus realizou muitos milagres e mesmo assim muitos não acreditaram nele. Como o rico, no nosso caminhar de fé, também nós podemos dizer: “ se Deus me der um sinal, eu mudo”; “se acontecer um milagre, eu entrego-me ao Senhor”. Jesus mostra que este tipo de espera pode ser uma desculpa, pode ser uma forma disfarçada de adiar a decisão de nos convertermos, de mudarmos de vida, de amarmos de verdade. A verdade é que o maior sinal já nos foi dado: Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado. A fé verdadeira não depende do que vemos ou fala dum anjo, mas do coração que ouve, acolhe e se abre à transformação. A parábola do rico e do Lázaro é um convite e um aviso a não adiarmos a conversão porque o tempo de mudar é agora. Não podemos esperar que “algo aconteça” para começar a rezar, não podemos esperar uma tragédia para perdoar, não podemos esperar um milagre para amar mais e julgar menos.
Segundo: A importância de ouvir e viver a Palavra de Deus “Eles têm Moisés e os Profetas. Que os oiçam.” Esta frase de Abraão é a chave de toda a parábola. Por outras palavras, Abraão está a dizer: “Eles já têm tudo o que precisam para se salvar. Já têm a Palavra de Deus, já sabem o que é correto e agora só precisam de escutar”. Na Bíblia, “escutar” significa acolher com o coração e deixar que a Palavra transforme a nossa mentalidade, as nossas escolhas e a nossa forma de tratar os outros. Ouvir sem praticar é inútil porque a escuta verdadeira da Palavra exige resposta, mudança de vida, conversão. O rico da parábola, como os seus irmãos, provavelmente, conhecia os mandamentos do Senhor, mas não os praticou, conhecia os ensinamentos da Lei e dos Profetas, mas isso não bastou, não levou a sério, não deixou que a Palavra de Deus moldasse as suas atitudes, abrisse o seu coração ao outro e corrigisse o seu egoísmo. Saber o que é certo não basta, é preciso viver o que se ouve.
Hoje temos o Evangelho, temos a Igreja, temos os sacramentos que nos despertam espiritualmente. Não podemos esperar sinais do céu, visões ou milagres para começarmos a corrigir a nossa vida porque a Palavra de Deus já nos foi dada e, quem a escuta com fé e age com caridade, não será como o rico da parábola, mas como os justos do Reino.
Esta parábola recorda-nos que a fé verdadeira não se separa da prática do amor, da justiça e da solidariedade. Reflitamos:
Quais são os “Lázaros” que estão à porta da minha vida?
O meu coração está aberto ao próximo ou fechado nas minhas comodidades?
Que compromissos de partilha e misericórdia posso viver esta semana?
Que sinais claros da presença do Senhor já tive na minha vida?
Que posso fazer para ficar mais perto do Reino dos Céus e deste projeto salvador?
O Senhor escuta as nossas orações, silencia os nossos medos e conforta os nossos corações sobretudo quando nos sentimos frágeis e fracos ou passamos por dificuldades. Entreguemos-Lhe os nossos pedidos, confiantes na Sua bondade e misericórdia, sem esquecer todos aqueles que não escutam a Palavra de Deus.
Acolhendo no coração a Palavra que transforma, rezemos
Senhor, abre os nossos olhos para reconhecermos os irmãos que sofrem; dá-nos um coração sensível, capaz de amar mais do que acumular; capaz de partilhar mais do que guardar. Senhor, que a Tua palavra seja luz no nosso caminho e compromisso no nosso viver.
Capazes de nos comover com o sofrimento do outro, aceitemos a bênção de Deus.