Semana de 25 de fevereiro a 2 de março de 2024 II DOMINGO DA QUARESMA – Ano B
O local onde vamos fazer a oração, deve ser acolhedor e preparado com carinho
pois vamos celebrar e experimentar um momento de amor e partilha com Deus. Tenhamos a bíblia aberta em Gen 22,1-2.9a.10-13.15-18 e iluminemos o espaço
com a presença de Deus, sob a forma de uma luz acesa. Em silêncio e introspeção,
comecemos.
À descoberta do caminho que nos permite encontrar a Vida em abundância, com obediência radical a Deus e escuta atenta de Jesus, benzemo-nos
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Reconhecendo que precisamos de ser guiados com o amor de Deus, nosso defensor, justo e fiel, louvemo-Lo
Venho a ti, me confessar pra minha alma descansar em tuas mãos perdido estou guia-me por teu amor
ó senhor, de ti preciso mais e mais preciso meu defensor, justo e fiel, de ti eu preciso
Estou perdido, encontro a graça e onde há graça, tu estás se estás aqui, há liberdade a vida em mim, é santidade
ó senhor de ti preciso mais e mais preciso meu defensor, justo e fiel, de ti eu preciso
e quando a tentação surgir minha vida cante a ti e se eu não conseguir mais suportar o teu amor eu guardarei se não conseguir mais suportar o teu amor me guardará
ó senhor de ti preciso mais e mais preciso meu defensor, justo e fiel, de ti eu preciso meu defensor, justo e fiel, de ti eu preciso
Com fé inabalável que Deus nos ama com um amor imenso e eterno, empenhados numa constante escuta da Sua Palavra e aceitando os Seus apelos com obediência total, nada temos a temer e podemos experimentar a vida com serenidade, esperança e gratidão. Expressemos uma profunda gratidão por todas as coisas boas que acontecem no nosso dia.
Escutemos atentamente o texto de Gen 22,1-2.9a.10-13.15-18
Naqueles dias, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o: «Abraão!» Ele respondeu: «Aqui estou». Deus disse: «Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à terra de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar. Quando chegaram ao local designado por Deus, Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele. Depois, estendendo a mão, puxou do cutelo para degolar o filho. Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do Céu: «Abraão, Abraão!» «Aqui estou, Senhor», respondeu ele. O Anjo prosseguiu: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum. Agora sei que na verdade temes a Deus, uma vez que não Me recusaste o teu filho, o teu único filho». Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro, preso pelos chifres num silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho. O Anjo do Senhor chamou Abraão do Céu pela segunda vez e disse-lhe: «Por Mim próprio te juro – oráculo do Senhor – já que assim procedeste e não Me recusaste o teu filho, o teu único filho, abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar, e a tua descendência conquistará as portas das cidades inimigas. Porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra».
Para percebermos melhor o sentido do texto, prestemos atenção à explicação
Pelo texto, não há dúvidas de que Deus coloca Abraão à prova. Na “escola da fé”, precisamos, periodicamente, de passar por provas porque, doutro modo, nunca saberemos onde nos encontramos em termos espirituais. O facto de Deus nos mandar provações pode entender-se como um elogio porque mostra que Ele deseja levar-nos para o nível seguinte da “escola da fé”. As provas de Deus são feitas sob medida para cada um dos seus filhos e a experiência de cada um deles é singular. Por que são sob medida, Deus jamais envia uma prova se souber que não estamos preparados para ele e sejamos capazes de a superar. Soren Kierkegaard afirma que a fé pura nasce exatamente no meio da provação.
A tentação parece lógica enquanto a provação parece não fazer sentido nenhum. O que mais aflige o servo de Deus é a falta de explicações racionais para as provações. O pedido de Deus para Abraão oferecer o seu filho em sacrifício parecia algo absolutamente absurdo. Como pode Deus pedir a Abraão que sacrifique o seu filho quando o Senhor lhe disse que ele era o herdeiro das promessas? Estará Deus a contradizer-se? É muito comum, quando estão no meio das aflições, as pessoas dizerem que não sabem o porquê de tudo isto que lhes está a acontecer. Assaltam perguntas do género: “por que, Senhor?” e “Por que eu?”. É verdade que nem sempre sabemos o motivo das experiências desagradáveis pelas quais passamos e a dor e o sofrimento tiram-nos a capacidade de perceber a razão dos factos. Não sabermos o porquê da provação não a invalida, ela continua a ser genuína e tem o seu propósito.
O silêncio de Deus durante a provação de Abraão é algo que impressiona. Deus só fala duas vezes: no começo e no fim. Isto significa que durante toda a caminhada de Abraão até o monte Moriá, Deus permaneceu em silêncio. Abraão também diz poucas palavras. O silêncio é ensurdecedor. O silêncio de Deus é a crise de muitos cristãos. A angústia é algo que assola o nosso coração quando não encontramos justificativas plausíveis para os acontecimentos que ocorrem nas nossas vidas. Entretanto a Bíblia diz que Abraão “esperando, para além do que se podia esperar, que ele acreditou e assim se tornou pai de muitos povos, conforme o que tinha sido dito: Assim será a tua descendência”. (Rom 4, 18)
A fé provada é aquela que produz perseverança. A fé genuína, resultado direto dos testes de que Deus faz uso para a promover, induz o crente a continuar a caminhar mesmo quando as circunstâncias não lhe são favoráveis. Ela induz o crente a continuar a acreditar em Deus e na Sua Palavra mesmo quando a dor não passa, quando a doença prevalece sobre a saúde, quando o emprego não vem. Embora haja perdas e danos, a fé permanece inabalável. A maioria das grandes mudanças que ocorreram no nosso caráter deu-se no meio de provações. A dor e o sofrimento, muitas vezes, agem como um verdadeiro instrumento de graça para reduzir a nada o orgulho do soberbo e a autossuficiência do arrogante. O poder transformador não está na dureza das tribulações mas no Espírito Santo que age e que faz uso das circunstâncias e dos acontecimentos para nos instruir e nos moldar. Abraão sai moldado e transformado desta provação como o pai dos crentes.
Abraão não discute, não argumenta; Abraão age: levanta-se de madrugada, prepara as coisas e põe-se a caminho numa pronta obediência à vontade divina e confiança inamovível no Deus que não falha. Reflitemos, com base no seu exemplo:
Em que “nível” da fé estarei? Ou seja, que provações já tive na minha vida que me incentivaram a dar o salto?
O que estou disposto a sacrificar?
O sofrimento, a dor e o sacrifício gerarão crescimento e fé?
Como reajo ao silêncio? Como aproveito o silêncio do Senhor? Como faço o silêncio?
Por vezes, as propostas de Deus parecem incompreensíveis e os Seus desafios interferem com os nossos projetos… No sofrimento, desesperamos e é preciso continuar a caminhar serenamente, confiando nesse Deus que é a nossa esperança e que tem um projeto de Vida plena para nós e para o mundo. Com fé, façamos os nossos pedidos ao Pai bondoso e clemente.
Alicerçados no amor de Deus, o rochedo firme que nos suporta, rezemos
Pai nosso, que estais no céu, durante esta época de arrependimento, tende misericórdia de nós. Com a nossa oração, o nosso jejum e as nossas boas obras, transforma o nosso egoísmo em generosidade. Abre nossos corações à Tua palavra, cura as nossas feridas do pecado e ajuda-nos a fazer o bem neste mundo. Que transformemos a escuridão e a dor em vida e alegria.
Entregues a Deus, que é fonte de Vida e de bênçãos, benzemo-nos