Semana de 4 a 10 de outubro de 2026
XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Coloquemo-nos na presença de Deus, deixemo-nos tocar por Ele e permitamos que tome conta do nosso coração e dos nossos pensamentos nos próximos minutos… Aproveitemos o que Ele nos dá, neste momento de intimidade com o Pai e em comunhão com a nossa família.
Preparemo-nos abrindo a Bíblia em Mt 21 e quando nos sentirmos prontos a começar, acendemos uma vela.
Capazes de reconhecer os dons que Deus nos confiou, e querendo aprender a cuidar deles com responsabilidade, gratidão, amor, a partilhá-los e a fazê-los frutificar, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Entreguemos tudo aquilo que somos ao Senhor e louvemo-Lo
Vamos agora fazer um momento de silêncio. Cada um, no seu coração, pode agradecer pessoalmente a Deus por aquilo que reconhece ter recebido d’Ele: pela vida, pela família, pelas pessoas que colocou no nosso caminho, pelos dons e capacidades que nos deu, pelas oportunidades, pelas vezes em que nos sustentou sem sequer nos apercebermos…
Prestemos atenção à parábola dos vinhateiros, em Mt 21, 33-43, que um de nós pode ler em voz alta.
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha,
cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre;
depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou a época das colheitas,
mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos,
espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no.
Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros.
E eles trataram-nos do mesmo modo.
Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’.
Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si:
‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’.
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados
e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura:
‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular;
tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?
Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus
e dado a um povo que produza os seus frutos».
Percebamos melhor esta mensagem e aproveitemos os Seus ensinamentos:
O ser humano tem uma tendência natural de se apegar ao que possui. Desde cedo, aprendemos a proteger aquilo que chamamos de nosso: os nossos bens, os nossos sonhos, o nosso tempo, os nossos relacionamentos, as nossas conquistas… Porém, quando nos apropriamos dessas coisas, como se fossem exclusivamente nossas, torna-se mais difícil submetê-las à vontade de Deus. A sensação de posse gera apego e o apego transforma-se, frequentemente, em resistência, quando Deus deseja conduzir-nos por caminhos diferentes daqueles que planejamos.
Quando lemos a parábola dos trabalhadores da vinha, texto desta oração, percebemos que a vinha pertencia ao dono e não aos trabalhadores. Eles receberam a responsabilidade de cuidar da vinha, cultivá-la e produzir frutos, mas nunca deixaram de ser administradores. Um administrador não vive para satisfazer aos seus próprios interesses mas procura cumprir os propósitos daquele que lhe confiou a missão. Esta consciência produz humildade, porque nos recorda que nada do que temos foi conquistado apenas por mérito próprio. A nossa capacidade de trabalhar, pensar, servir, amar e prosperar é sustentada diariamente por Deus. Até mesmo aquilo que consideramos ser fruto do nosso esforço só foi possível porque o Senhor nos concedeu a vida, oportunidades e condições para realizá-lo.
Quando deixamos de perguntar “o que é meu?” e passamos a perguntar-nos “como posso honrar a Deus com aquilo que Ele me confiou?”, algumas mudanças acontecem na forma como olhamos a vida.
- Muda a nossa relação com os recursos
Os bens, o dinheiro, o tempo, os talentos deixam de ser meios de autopromoção e satisfação pessoal e tornam-se oportunidades para servir, amar, promover o reino de Deus, edificar outras pessoas e cumprir a missão que Deus nos confiou.- Muda a forma como enfrentamos as perdas e mudanças
Quem passa a vida a perguntar “o que é meu?” sofre profundamente quando algo lhe é tirado, porque a sua identidade está ligada àquilo que possui. Quem entende que tudo foi confiado por Deus aprende a descansar na soberania divina e reconhece que o Senhor tem autoridade para dar e para retirar e que o Seu amor não depende das circunstâncias. Esta compreensão gera uma liberdade espiritual que o apego jamais pode oferecer.- Muda a forma como vemos a vida
A parábola lembra-nos que o dono da vinha voltou para buscar os frutos. Quem entende que tudo foi confiado por Deus percebe que vai ter de prestar contas diante de Deus. Sabe que um dia estará diante de Deus e responderá não pelo que possuiu mas pelo que fez com aquilo que recebeu. A questão não será quanto acumulamos, mas quanto frutificamos. Não se trata só de tarefas a realizar ou ocupar posições mas de produzir frutos que reflitam o caráter de Cristo como justiça, bondade, obediência, serviço, fidelidade. Deus não nos pedirá contas daquilo que nunca nos deu mas, certamente, perguntará o que fizemos com aquilo que recebemos. Não será o tamanho dos recursos que importará mas a fidelidade com que os administramos.
Deus entrega-nos uma “vinha”: a nossa vida e tudo aquilo que faz parte dela (a nossa família, o nosso tempo, os nossos bens, os nossos talentos, os nossos dons, o nosso trabalho, as pessoas que amamos, as oportunidades que recebemos, …).
Contudo, não somos donos absolutos, mas apenas cuidadores e administradores dessa “vinha”. E ao cuidarmos dela, devemos honrar o Pai frutificando e colocando os nossos dons ao serviço dos irmãos. Reflitamos:
- Que dons reconheço que Deus colocou em mim?
- Como estou a usar os meus dons? Para benefício próprio? Ao serviço dos outros?
- O que me impede de partilhar aquilo que recebi? Vergonha? Medo de errar? Comodismo?
- Se hoje Deus me perguntasse: “O que fizeste com a minha vinha?”, o que Lhe responderia?
Cada um de nós apresenta a Deus uma prece pessoal: um pedido, uma preocupação, uma pessoa ou uma situação que deseja colocar nas Suas mãos.
Com Jesus no nosso caminho a ajudar-nos a fazer frutificar aquilo que Deus nos confiou, rezemos
Fiéis ao Senhor, rezemos em uníssono:
Senhor, obrigado pela vinha que colocaste nas nossas mãos.
Obrigado pela vida que nos deste,
pelas pessoas que nos confiaste,
pelos dons que recebemos
e por todas as oportunidades de fazer o bem.
Perdoa-nos quando nos comportamos como donos
e esquecemos que somos apenas administradores dos Teus dons.
Ensina-nos a cuidar sem possuir,
a amar sem controlar,
a dar sem esperar recompensa
e a partilhar sem medo de perder.
Que a nossa vida dê frutos:
frutos de amor, de serviço, de generosidade, de perdão e de fé.
E quando um dia nos perguntares o que fizemos com tudo aquilo que nos confiaste,
que possamos responder com humildade:
“Senhor, procurei cuidar da Tua vinha
e fazer frutificar os dons que me deste.”
Amen.
Com um coração agradecido por receber, generoso para partilhar e fiel para fazer frutificar os dons recebidos, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.