Semana de 29 de março a 4 de abril de 2026 DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR – ANO A
Ao realizarmos esta oração decidimos escolher Jesus em detrimento de outra opção qualquer e isso deve estar presente nos nossos corações. Se tivermos ramos da eucaristia de domingo, podemos colocá-los junto da Bíblia (aberta em Mateus 27) e da vela que acenderemos ao iniciar.
Sabendo que o amor fiel de Deus permanece, mesmo quando nos afastamos d’Ele, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Já ouvimos tantas vezes Sobre a volta de Jesus Nosso coração anseia Ver o brilho de Sua luz
Mas os dias vão passando Meses, anos vem e vão E Jesus não aparece Temos esperando em vão
Os sinais vão se cumprindo Com incrível precisão Nossa fé está segura Na divina inspiração
Já está chegando o dia Quando Deus se erguerá Do seu trono de justiça E a Jesus dirá
Filho vai chegou a hora Filho vai sem mais demora Vai buscar os meus amados E traz de volta aqueles por quem você morreu
Filho vai agora basta Está provado o mal não presta Chega de esperar A saudade dói demais
Já preparei a casa Já preparei a mesa Filho me traz de volta Quem criei Quem perdi E na cruz resgatei
Se você ja foi tentado A descrer ou desistir Isso é obra do engano Pra fazer você cair
Já está chegando o dia Quando Deus se erguerá Do seu trono de justiça E a Jesus então dirá
Agora, em silêncio, façamos a nossa oração de agradecimento pessoal… Não esqueçamos de agradecer a Jesus o Seu amor por nós; a Sua entrega; a Sua fidelidade, mesmo quando O abandonamos.
Imaginemos o Calvário… o céu escurecido, a dor, a solidão… Jesus está na cruz; alguns insultam, outros afastam-se… poucos permanecem… Em silêncio… e com esta “imagem” em mente, escutemos atentamente o texto de Mt 27, 38-50, na voz de um de nós.
Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; Se és Filho de Deus, desce da cruz». Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’». Até os salteadores crucificados com Ele o insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: «Eli, Eli, lema sabachtani!», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?» Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: «Está a chamar por Elias». Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O». E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
De coração aberto para encontrar o amor de Jesus que se revela na cruz, aprofundamos o texto.
No relato da Paixão do Senhor, segundo São Mateus, ouvimos o clamor de Jesus do alto da cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” Este grito de Jesus é, talvez, o mais perturbador de toda a Bíblia e somos tentados a pensar apenas no abandono do Pai, no entanto, estra reflexão convoca-nos para uma pergunta incómoda: como abandonamos Jesus? O Evangelho obriga-nos a olhar com honestidade para o relato da Paixão e, ao mesmo tempo, para o nosso coração.
Como Judas, abandonamos Jesus quando temos o coração dividido. Judas, um dos doze, partilha o pão com o Mestre e, ainda assim, entrega-O. O seu abandono não nasce de um ódio declarado, mas dum coração dividido que permite que o interesse, a frustração e a desilusão falem mais alto do que a fidelidade. Judas lembra-nos que a proximidade exterior não garante a fidelidade interior, pode-se estar perto fisicamente, mas longe do coração.
Como os discípulos, abandonamos Jesus quando temos cansaço espiritual. No Getsémani, todos prometeram permanecer, mas quando chegam as armas e o perigo todos fogem e, neste sentido, o Evangelho é claro: “todos O abandonaram e fugiram”. O medo vence a coragem e a fé, que não foi sustentada pela oração, desmorona-se diante do perigo. Eles não deixaram de amar Jesus, mas não estavam preparados para sofrer com Ele. Como os discípulos, prometemos vigilância, mas dormimos quando Ele nos pede oração. A pressa, as preocupações da vida e a autossuficiência afastam-nos silenciosamente de Jesus, não deixamos de O amar, mas deixamos de permanecer com Ele.
Como Pedro, abandonamos Jesus quando o seguimos “de longe”. Pedro segue “de longe”, observa, tenta estar ali, mas, quando a sua segurança é ameaçada, afirma: “não conheço esse homem”. Como Pedro, queremos observar sem nos comprometer, pertencer sem nos expor, crer sem pagar o preço. Quando a fé começa a custar algo (reputação, conforto ou segurança) recuamos e, nesse recuo, o abandono já começou.
Como Pilatos, abandonamos Jesus quando preferimos a omissão à ação. Pilatos reconhece a inocência de Jesus, mas prefere lavar as mãos, não condena por convicção, mas por conveniência, o seu abandono é o da omissão, o de quem sabe o que é certo, mas não tem coragem de assumir as consequências. Como Pilatos, sabemos o que é certo, mas lavamos as mãos, sabemos o que o evangelho nos pede, mas escolhemos a neutralidade para não criar conflitos.
Como a multidão, abandonamos Jesus quando alguém decide por nós. A multidão abandona Jesus por instabilidade. É a fé superficial, movida pela emoção do momento, incapaz de permanecer, quando o Messias não corresponde às expectativas, e assim é rejeitado. Jesus conhece o abandono de quem o segue apenas enquanto tudo vai bem. A fé que depende da maioria não resiste à cruz.
Reconhecer o nosso abandono é o primeiro passo para voltar. Que o dia de hoje nos conduza à conversão de coração e à decisão de permanecer com Cristo, mesmo quando permanecer significa carregar a cruz.
Na cruz, Jesus experimenta o abandono… Mas quantas vezes também nós O abandonamos quando escolhemos o mais fácil e não o mais justo; quando ignoramos quem sofre ao nosso lado; quando a fé esfria e deixamos de rezar; quando nos afastamos porque Deus não responde como nós queríamos… E, no entanto, Ele permanece; mesmo abandonado, continua a amar; mesmo em silêncio, entrega-Se por inteiro! Reflitamos:
Como reajo quando não sinto Deus? Afasto-me… ou continuo fiel?
Reconheço Jesus nos que são rejeitados, ignorados ou esquecidos? Abandono-os?
Tenho coragem de ficar com Ele, mesmo quando isso exige sacrifício?
O que significa hoje, para mim, “não abandonar Jesus”?
Agora, apresentamos a Jesus, as nossas próprias preces… Peçamos-Lhe também ajuda nas nossas fraquezas, um coração fiel que não O abandona e entreguemos-Lhe o que nos afasta d`Ele. Não esqueçamos os nossos irmãos e irmãs que d`Ele precisam.
Com o coração entregue a Jesus; Aquele que permanece, ama e se entrega ao Pai, rezemos:
Jesus, na Tua cruz mostras-me o amor que não desiste. Mesmo quando eu falho, Tu permaneces; mesmo quando eu me afasto, Tu esperas. Hoje reconheço as tantas vezes que Te deixei; as tantas vezes em que me afastei de Ti! Mas quero voltar; quero permanecer contigo: não fugir, não negar, não abandonar; Recebe a minha fragilidade e transforma-a em fidelidade.
Dá-me um coração fiel capaz de amar até ao fim, capaz de não fugir da truz, capaz de nunca Te abandonar.
Abençoados e fortalecidos pelo amor de Jesus, que permanece, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Duma forma simples e singela, percebamos a mensagem mais importante do catolicismo neste vídeo: