Semana de 7 a 13 de junho de 2026 X DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A
Criemos um ambiente de silêncio interior; afastemos as distrações e deixemos que esta oração encontre espaço no nosso coração. Se tivermos uma imagem de Jesus, coloquemo-la junto de nós, senão usamos a que é sugerida na oração. Foquemo-nos no olhar de Jesus que nos chama… Um olhar que não condena, que levanta, cura e transforma. Quando preparados para a oração, abrimos a Bíblia em Mateus 9 e acendemos uma vela.
Buscando Jesus no nosso coração, permanecendo n`Ele e deixando que nos conduza ao amor do Pai, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Engrandecidos pela graça e o perdão de Deus, louvemo-Lo, com o coração a descoberto
Quando ninguém me vê, na intimidade Onde não sei falar, mais que a verdade Onde não há aparências Onde a descoberto fica meu coração
Ali sou sincera, ali minha aparência de piedade, se vai Ali é Tua graça o que conta Teu perdão o que sustenta para estar de pé.
E não poderia dar a cara se não fosse porque estou, Revestida pela graça e justiça do Senhor. Se me vissem tal qual sou Já saberiam que é Jesus. O que viram reflectido em mim, Foi só a sua luz. É por Tua graça, e Teu perdão, que podemos ser chamados de instrumentos do Teu amor. É por Tua graça e Teu perdão, Minha justiça está longe… da Tua perfeição.
Façamos a nossa oração de agradecimento ao Pai. Pensemos nas vezes em que Ele nos levantou, nos perdoou e continuou a acreditar em nós. Pensemos em tudo o que nos concede a cada dia e, de olhos nos olhos de Jesus, digamos-Lhe alto, tudo pelo que Lhe estamos gratos.
Escutemos com atenção, na voz de um de nós, o texto de Mt 9, 9-13 e deixemos que esta Palavra toque o nosso coração.
Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele levantou-se e seguiu Jesus. Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus, muitos publicanos e pecadores vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos: «Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?». Jesus ouviu-os e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».
Debrucemo-nos sobre este texto, não como uma história distante, mas como um encontro vivo entre Jesus e cada um de nós! Procuremos entender melhor.
Ao narrar o chamamento de Mateus, este texto do Evangelho não destaca apenas uma conversão individual mas revela a iniciativa surpreendente da graça e o confronto direto entre a misericórdia e a religiosidade vazia.
Primeiro: a atitude de Jesus Mateus estava sentado no posto de cobrança dos impostos. Este detalhe revela que ele não estava à procura de Jesus mas a exercer a sua função que era desprezada, porque colaborava com o sistema romano e, provavelmente, enriquecia à custa do povo a quem explorava. Aos olhos da sociedade judaica, Mateus era considerado impuro, socialmente desprezado, moralmente comprometido e espiritualmente excluído. No entanto, Jesus passa, vê e chama. Jesus não chama Mateus porque ele se arrependeu ou mudou de vida, mas Ele chama para Mateus mudar de vida. A graça não é recompensa por transformação, mas é o ponto de partida da transformação.
Além de chamar Mateus, Jesus vai comer com publicanos e pecadores. A mesa é símbolo de comunhão, da aliança, da identificação, da aceitação e de intimidade. Comer junto significava reconhecer o outro como parte do círculo de relacionamento. Ao sentar-se com eles, Jesus não está a relativizar o pecado mas demonstra que a restauração começa com proximidade e não com exclusão. Jesus não teme a contaminação moral. Enquanto os religiosos evitavam pecadores para manter a pureza ritual, Jesus aproxima-se para restaurar a verdadeira pureza de coração. O Reino de Deus não é um clube de perfeitos mas de pecadores alcançados pela misericórdia.
Segundo: A reação dos fariseus A reação dos fariseus revela o contraste central do texto. Eles questionam por que Jesus se associa a tais pessoas. A sua preocupação não é a restauração dos pecadores, mas a preservação duma pureza externa. Para muitos líderes religiosos da época, manter distância dos considerados impuros era sinal de fidelidade a Deus e, neste sentido, a religião torna-se um mecanismo de distinção de tal modo que quanto mais separado do “pecador” mais próximo de Deus alguém supostamente estava. O problema não era a Lei em si mesma mas a interpretação endurecida que priorizava a pureza ritual acima da compaixão. Enquanto a religiosidade dos fariseus se estrutura da separação, a missão de Cristo fundamenta-se na reconciliação e daqui surge o conflito entre a misericórdia e a religião ritual.
Terceiro: o ensinamento de Jesus Ao citar Oseias “Prefiro a misericórdia ao sacrifício”, Jesus aponta para o âmago da vontade divina. Deus nunca desejou rituais vazios e desvinculados do amor. Sacrifícios externos sem transformação interior tornam-se expressão de hipocrisia. A verdadeira espiritualidade não se mede apenas por práticas religiosas mas pela capacidade de amar, acolher e agir com compaixão. Onde falta misericórdia, falta compreensão do próprio Evangelho. Jesus, ao afirmar que não veio chamar os justos mas os pecadores, não está a negar a universalidade do pecado mas a declarar que a sua missão se dirige àqueles que reconhecem a sua necessidade. Na verdade, a graça é oferecida a todos mas é recebida apenas por quem abandona a pretensão de autossuficiência e orgulho espiritual.
Este texto ensina-nos que a graça de Deus é escandalosa porque não segue os critérios humanos, porque alcança os improváveis, porque confronta os autossuficientes, porque redefine o que significa ser verdadeiramente justo diante de Deus.
Jesus não escolhe os perfeitos; escolhe pessoas reais que ficam presas aos seus erros, às opiniões dos outros ou à ideia de que somos imperfeitos e não somos dignos! Deus olha-nos com misericórdia; não pelo nosso passado, mas pela possibilidade de transformação que existe no nosso coração; Ele busca de entre os corações frágeis, os que são humildes e disponíveis para viver no Seu amor. Reflitamos:
Tenho colocado rótulos ou julgado alguém, sem conhecer a sua história?
Vivo demasiado preocupado com a imagem e pouco atento ao coração?
Jesus passa diariamente na minha vida: tenho reconhecido a Sua presença?
O que me impede de “levantar-me” e seguir Jesus com mais verdade?
Neste momento, quem precisa de uma palavra minha de acolhimento, perdão ou esperança?
Agora, imaginamos Jesus a olhar para cada um de nós como olhou para Mateus. Sem condenação, sem desprezo, mas com amor e confiança. E escutamos interiormente o Senhor a dizer-nos: “Segue-me”… Permanecemos alguns instantes neste encontro com Jesus.
Mesmo nas nossas fragilidades, quedas e limites, Jesus continua a querer fazer encontro connosco e a conceder-nos a Sua misericórdia e esperança. Entreguemos-Lhe as nossas falhas, o que pesa no nosso coração e apresentemos-Lhe a nossa prece. Não nos esqueçamos dos que são julgados, os excluídos, os que perderam a esperança e se sentem afastados de Deus.
Com um coração humilde e disponível como o de Mateus, rezemos, do olhos postos em Jesus
Com as palmas das mãos unidas, façamos esta oração:
Senhor Jesus, Tu que chamaste Mateus quando muitos o desprezavam, olha também para nós com misericórdia. Liberta-nos da dureza do coração, do orgulho e do julgamento. Ensina-nos a acolher os outros como Tu acolhes. Dá-nos coragem para deixar para trás aquilo que nos afasta de Ti e seguir-Te com confiança. Que nunca esqueçamos que o Teu amor é maior do que as nossas fragilidades e que a Tua misericórdia pode renovar a nossa vida. Amen
Permitindo que Deus nos abençoe, cure o nosso coração e nos faça testemunhas da Sua misericórdia, benzemo-nos.