Semana de 22 a 28 de março de 2026 V DOMINGO DA QUARESMA – ANO A
Devemos avaliar a razão de nos reunirmos neste momento. Talvez seja importante avaliar as razões de o fazermos, as condições em que o fazemos e o resultado destas orações. É uma boa altura para ponderarmos algumas alterações, melhorias, formas de participar e, sobretudo, a nossa entrega à dinâmica. De que serve ter a Bíblia aberta em Ezequiel 37? Lemos a partir dela? Temos uma Bíblia para cada um? Aproveitamos para, após a oração, ler um bocadinho? E a vela que temos acesa no meio de nós, será que lhe damos o significado de Jesus estar realmente no meio de nós?
Na presença de Deus que abre o nosso coração à escuta da Palavra e nos concede o Seu Espírito para restaurar a nossa esperança, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos o Senhor… com a necessidade sentida de Jesus na nossa vida.
Aceitemos o convite para fazermos um momento de agradecimento a Deus; pelas vezes em que Ele nos levantou quando sentimos menos forças; pelos sinais de vida e esperança que Ele colocou no nosso caminho e por… (completemos)
Escutemos na voz de um de nós, a promessa que Deus faz ao Seu povo, em Ez 37, 12-14.
O texto desta oração situa-se num momento de profunda dor do povo de Israel. Eles estão no exílio da Babilónia, não só longe da pátria mas também longe de tudo aquilo que dava sentido à sua fé: o templo, os sacrifícios, a identidade como povo eleito. A tragédia não era apenas política mas era sobretudo espiritual e existencial e por isso eles diziam: “os nossos ossos estão secos, a nossa esperança acabou” (Ez 37, 11). É neste contexto, em que o povo se sente como morto e enterrado pela história, que o profeta Ezequiel fala em nome de Deus e transmite alguns ensinamentos:
Primeiro: Deus conhece a situação do seu povo Ao mencionar as sepulturas, Deus não romantiza a situação, não diz que o povo está apenas “cansado”, mas revela que sabe exatamente onde o Seu povo se encontra: no mundo do desânimo, da perda, da sensação de abandono, sem esperança. Deus não trabalha com ilusões, Ele vê a verdade da nossa condição, inclusive aquilo que escondemos dos outros e de nós mesmos e é, no meio das nossas feridas, fracassos, lutos e medos, que Deus age.
Por maior que seja a nossa sepultura e o nosso fracasso, a nossa identidade de filhos continua. A expressão “ó meu povo” revela que o exílio não anulou a aliança, que o pecado não rompeu definitivamente o vínculo e que a infidelidade humana não superou a fidelidade divina. Deus não nos define pelo fracasso mas pela relação que Ele mesmo estabeleceu.
Segundo: A restauração vem de Deus e não da capacidade humana A restauração, anunciada por Deus, não nasce da força do povo, não é o povo que sai da sepultura por esforço próprio, não é a estratégia política nem a força militar, nem a organização social que trará vida. A restauração é iniciativa de Deus. Ele não pede ao povo para que encontre uma saída mas Ele mesmo declara: “Eu abrirei”. Esta palavra revela que a salvação não é fruto do mérito ou capacidade humana mas da fidelidade de Deus à sua promessa. Quando tudo parece encerrado, quando já não há recursos, quando não há mais argumentos nem soluções visíveis, Deus age para que fique claro que a obra vem d’Ele. A restauração não tem apenas como finalidade tirar o povo do sofrimento mas revelar a identidade de Deus como fiel, poderoso e soberano e gerar uma fé mais profunda da parte do povo neste Deus que liberta, restaura e salva.
Terceiro: A verdadeira vida vem de Deus Deus conclui a promessa dizendo: “Infundirei em vós o meu espírito e revivereis”. A verdadeira vida não nasce apenas da libertação exterior mas da ação interior do Espírito. Não basta sair da sepultura, é preciso receber a vida. O povo poderia voltar à sua terra, reorganizar a nação e reconstruir as estruturas, mas sem o Espírito continuaria sem sentido e sem comunhão com Deus.
Deus quer restaurar o seu povo de forma completa: primeiro, Ele abre as sepulturas, depois, Ele infunde o seu Espírito. Sem o Espírito, o povo poderá até caminhar mas não viver plenamente. Muitas vezes procuramos apenas sair nas nossas “sepulturas” – problemas resolvidos, dores aliviadas, crises superadas – mas Deus oferece-nos a sua própria vida em nós. Sem o Espírito, podemos até funcionar, mas não vivemos plenamente, porque o Espírito devolve-nos o sentido, cura a memória, renova a esperança e reconstrói a comunhão com Deus. Onde o Espírito habita, há vida verdadeira; onde o Espírito age, a morte não tem a última palavra.
Deus sabe exatamente quando o Seu povo se encontra no mundo do desânimo, da perda, da sensação de abandono ou sem esperança. Ele vê a verdade da nossa condição; não apenas o que somos agora, mas aquilo que podemos ser com a Sua graça e envia-nos o Seu Espírito para nos levantar, nos curar e nos reanimar, devolvendo o sentido da vida.
Deixo espaço para que o Espírito Santo renove o meu coração?
Como posso ser sinal de esperança para alguém que está desanimado?
Aceito e procuro esta renovação?
Como faço para estar em comunhão com Deus e cheio d’Ele: o Pai, o Filho e o Espírito Santo?
Deus escuta as preces do Seu povo! Coloquemos no Seu colo os nossos pedidos, lembrando-nos dos que se sentem desanimados e que se encontram caídos.
Rezemos, sentidamente, esta oração
Senhor Deus da vida, Tu conheces os desertos do nosso coração e as nossas fragilidades. Sopra sobre nós o Teu Espírito para que, onde houver desânimo, nasça esperança e onde houver cansaço, surja nova força. Faz-nos instrumentos da Tua vida e da Tua esperança para todos aqueles que encontramos no nosso caminho.
Sentindo a benção de Deus sobre nós, e a força do Espírito Santo que nos renova e conduz no caminho da vida, benzemo-nos.