Semana de 1 a 7 de fevereiro de 2026
IV DOMINGO COMUM – ANO A

Reconhecendo que os momentos de paragem como este Orar em Família são fundamentais para a nossa saúde espiritual, saibamos aproveitar estes minutos de oração, adoração e partilha.
Tenhamos a Bíblia já disponível no quinto capítulo de São Mateus e uma vela acesa no meio de nós.
Deixando que Deus nos guie, em retidão e mansidão, e dê um novo sentido às nossas vidas, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Aproximemos o nosso coração de Deus, louvando-O, com o cântico
Reunidos na presença de Jesus, com o coração aberto e disponível para que o Seu Espírito nos envolva, nos acalme e desça ao nosso coração, transformando-o, dirijamos ao Pai uma oração de verdadeiro agradecimento, pelos dons recebidos, pelas pessoas que se cruzam no nosso caminho, pelas alegrias, pelos desafios…
Hoje, com calma, vamos ler Mt 5, 1-12:
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».
Um texto tão rico… O que nos poderá dizer? Antes de ouvirmos/lermos o aprofundamento do texto, partilhemos as nossas interpretações.
O manso é aquele que é domesticado. A palavra manso, no original “praus”, era empregada para descrever um animal domesticado. Um cavalo selvagem causa destruição, um cavalo domado é útil. A energia sem controle é perigosa mas controlada é uma coisa útil e poderosa. Uma brisa suave refresca e alivia o calor. Um furacão destrói e mata. O manso é aquele que morreu para si mesmo e foi domesticado pelo Espírito. A mansidão é fruto do Espírito Santo como podemos ver em Gál 5, 22-23: “Por seu lado, é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio.” O manso está sob a autoridade e sob o controle do Espírito, ele obedece às rédeas do Espírito e não aos seus próprios impulsos.
Deus não nos disciplina com o propósito de nos submeter mas para nos condicionar para uma vida bem-aventurada, isto é, feliz. Na Sua infinita sabedoria, Deus sabe que uma vida descontrolada é uma vida infeliz e por isso põe rédeas à nossa alma obstinada a fim de dirigi-la nos “caminhos da retidão”. É isso que Deus procura fazer connosco: amansar-nos, domesticar-nos, para que obedeçamos a um controle apropriado, isto é, à Sua Palavra.
No mundo espiritual, Deus realiza aquilo que a ciência faz no mundo físico: apanha a violenta turbulência dum rio e transforma-a em energia elétrica que ilumina lares e movimenta as indústrias. O manso é aquele que tem a sua força controlada, que tem controle sobre si próprio, domínio de si mesmo, não gasta de forma compulsiva, não ostenta, não é avarento, opulento, soberbo…tem domínio de si. Não deixa os seus desejos aflorarem e dominá-lo.
Pedro era enérgico, voluntarioso e um pouco reacionário, Jesus apanhou e dirigiu a sua energia e o seu tremendo entusiasmo para propósitos bem mais elevados. Mateus era um cobrador de impostos, um ladrão, conhecedor das artimanhas políticas, Jesus colocou-lhe o freio da graça e fez dele um poderoso vaso de bênçãos. Deus domesticou ou domou o coração de cada um dos apóstolos e com isso eles seguiram um rumo diferente na sua vida. Deus não nos quer privar das nossas energias e poderes, quer sim dar-lhes uma nova direção.
Tens um génio violento? Não és o único. Inúmeras pessoas zangam-se facilmente e nem todos têm o mesmo grau de paciência para suportar os outros. Deus não quer que desistamos do nosso génio mas diz-nos que, se queremos ser felizes, precisamos de o controlar e canalizar para coisas edificantes. O teu ego não é para te adorares, servires, pensares ou viveres inteiramente para ti mesmo. O senso comum diz que serás um infeliz se seguires esse caminho. Deus está interessado na tua felicidade mais do que pensas. Ele diz: “negue-te a ti mesmo e segue-me”.
Tens língua e voz. Tais instrumentos podem ser usados para destruir e também construir. Podes usar a tua língua para mentir, caluniar, irritar, censurar, aborrecer. Podes também colocá-la ao serviço de Deus, deixar que seja dirigida pelo Espírito de Deus e fazer dela um instrumento de bênção e de louvor. “Quando pomos um freio na boca do cavalo para que nos obedeça, dirigimos todo o seu corpo”. (Tg 3, 3) Assim também quando submetemos a nossa vida ao controle e exigências de Cristo, toda a nossa natureza indomesticada é dirigida por Ele. Então tornamo-nos mansos, dóceis e preparados para o serviço do Senhor e acolher a felicidade que Ele nos promete.
Jesus não fala de poder, de sucesso ou de vitória exterior, fala de felicidade que nasce do coração “manso”, transformado! O caminho que nos mostra é exigente, pois a verdadeira felicidade não está em viver cada situação com amor, confiança, entrega e testemunho de Deus. Reflitamos:
- Onde sou chamado a ser mais manso, misericordioso ou pacificador?
- A minha língua é instrumento de bênção e louvor, ou de calúnia, discórdia, censura?
- Zango-me facilmente com os outros? Tenho paciência/tolerância quando o que os outros dizem ou sugerem, vai contra a minha opinião?
- Qual foi a última situação em que “me passei” e me arrependi?
Confiantes que Deus está próximo de quem sofre, de quem chora, de quem permanece fiel, mesmo quando é incompreendido, apresentemos-Lhe as nossas preces: pelas nossas necessidades, pelas necessidades das pessoas que amamos, pela Igreja e pelo mundo.
Submetendo a nossa vida ao controle e exigências de Cristo, rezemos com Ele:
Senhor Jesus, Tu mostraste-nos o caminho da verdadeira felicidade… Dá-nos um coração manso, humilde e confiante; olhos atentos ao sofrimento do outro; mãos disponíveis para servir e coragem para viver e falar, de acordo com o Teu Evangelho!
Mesmo nas dificuldades, ensina-nos a acreditar que estamos nas Tuas mãos e que o Teu reino começa no amor que semeamos hoje, com um coração puro e manso, iluminado por Ti!
Abençoados, mansos, dóceis e preparados para o serviço do Senhor , benzemo-nos:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.