Semana de 1 a 7 de fevereiro de 2026 IV DOMINGO COMUM – ANO A
Reconhecendo que os momentos de paragem como este Orar em Família são fundamentais para a nossa saúde espiritual, saibamos aproveitar estes minutos de oração, adoração e partilha. Tenhamos a Bíblia já disponível no quinto capítulo de São Mateus e uma vela acesa no meio de nós.
Deixando que Deus nos guie, em retidão e mansidão, e dê um novo sentido às nossas vidas, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Aproximemos o nosso coração de Deus, louvando-O, com o cântico
Reunidos na presença de Jesus, com o coração aberto e disponível para que o Seu Espírito nos envolva, nos acalme e desça ao nosso coração, transformando-o, dirijamos ao Pai uma oração de verdadeiro agradecimento, pelos dons recebidos, pelas pessoas que se cruzam no nosso caminho, pelas alegrias, pelos desafios…
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».
Um texto tão rico… O que nos poderá dizer? Antes de ouvirmos/lermos o aprofundamento do texto, partilhemos as nossas interpretações.
O manso é aquele que é domesticado. A palavra manso, no original “praus”, era empregada para descrever um animal domesticado. Um cavalo selvagem causa destruição, um cavalo domado é útil. A energia sem controle é perigosa mas controlada é uma coisa útil e poderosa. Uma brisa suave refresca e alivia o calor. Um furacão destrói e mata. O manso é aquele que morreu para si mesmo e foi domesticado pelo Espírito. A mansidão é fruto do Espírito Santo como podemos ver em Gál 5, 22-23: “Por seu lado, é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio.” O manso está sob a autoridade e sob o controle do Espírito, ele obedece às rédeas do Espírito e não aos seus próprios impulsos.
Deus não nos disciplina com o propósito de nos submeter mas para nos condicionar para uma vida bem-aventurada, isto é, feliz. Na Sua infinita sabedoria, Deus sabe que uma vida descontrolada é uma vida infeliz e por isso põe rédeas à nossa alma obstinada a fim de dirigi-la nos “caminhos da retidão”. É isso que Deus procura fazer connosco: amansar-nos, domesticar-nos, para que obedeçamos a um controle apropriado, isto é, à Sua Palavra.
No mundo espiritual, Deus realiza aquilo que a ciência faz no mundo físico: apanha a violenta turbulência dum rio e transforma-a em energia elétrica que ilumina lares e movimenta as indústrias. O manso é aquele que tem a sua força controlada, que tem controle sobre si próprio, domínio de si mesmo, não gasta de forma compulsiva, não ostenta, não é avarento, opulento, soberbo…tem domínio de si. Não deixa os seus desejos aflorarem e dominá-lo.
Pedro era enérgico, voluntarioso e um pouco reacionário, Jesus apanhou e dirigiu a sua energia e o seu tremendo entusiasmo para propósitos bem mais elevados. Mateus era um cobrador de impostos, um ladrão, conhecedor das artimanhas políticas, Jesus colocou-lhe o freio da graça e fez dele um poderoso vaso de bênçãos. Deus domesticou ou domou o coração de cada um dos apóstolos e com isso eles seguiram um rumo diferente na sua vida. Deus não nos quer privar das nossas energias e poderes, quer sim dar-lhes uma nova direção.
Tens um génio violento? Não és o único. Inúmeras pessoas zangam-se facilmente e nem todos têm o mesmo grau de paciência para suportar os outros. Deus não quer que desistamos do nosso génio mas diz-nos que, se queremos ser felizes, precisamos de o controlar e canalizar para coisas edificantes. O teu ego não é para te adorares, servires, pensares ou viveres inteiramente para ti mesmo. O senso comum diz que serás um infeliz se seguires esse caminho. Deus está interessado na tua felicidade mais do que pensas. Ele diz: “negue-te a ti mesmo e segue-me”.
Tens língua e voz. Tais instrumentos podem ser usados para destruir e também construir. Podes usar a tua língua para mentir, caluniar, irritar, censurar, aborrecer. Podes também colocá-la ao serviço de Deus, deixar que seja dirigida pelo Espírito de Deus e fazer dela um instrumento de bênção e de louvor. “Quando pomos um freio na boca do cavalo para que nos obedeça, dirigimos todo o seu corpo”. (Tg 3, 3) Assim também quando submetemos a nossa vida ao controle e exigências de Cristo, toda a nossa natureza indomesticada é dirigida por Ele. Então tornamo-nos mansos, dóceis e preparados para o serviço do Senhor e acolher a felicidade que Ele nos promete.
Jesus não fala de poder, de sucesso ou de vitória exterior, fala de felicidade que nasce do coração “manso”, transformado! O caminho que nos mostra é exigente, pois a verdadeira felicidade não está em viver cada situação com amor, confiança, entrega e testemunho de Deus. Reflitamos:
Onde sou chamado a ser mais manso, misericordioso ou pacificador?
A minha língua é instrumento de bênção e louvor, ou de calúnia, discórdia, censura?
Zango-me facilmente com os outros? Tenho paciência/tolerância quando o que os outros dizem ou sugerem, vai contra a minha opinião?
Qual foi a última situação em que “me passei” e me arrependi?
Confiantes que Deus está próximo de quem sofre, de quem chora, de quem permanece fiel, mesmo quando é incompreendido, apresentemos-Lhe as nossas preces: pelas nossas necessidades, pelas necessidades das pessoas que amamos, pela Igreja e pelo mundo.
Submetendo a nossa vida ao controle e exigências de Cristo, rezemos com Ele:
Senhor Jesus, Tu mostraste-nos o caminho da verdadeira felicidade… Dá-nos um coração manso, humilde e confiante; olhos atentos ao sofrimento do outro; mãos disponíveis para servir e coragem para viver e falar, de acordo com o Teu Evangelho!
Mesmo nas dificuldades, ensina-nos a acreditar que estamos nas Tuas mãos e que o Teu reino começa no amor que semeamos hoje, com um coração puro e manso, iluminado por Ti!
Abençoados, mansos, dóceis e preparados para o serviço do Senhor , benzemo-nos: