Semana de 28 de dezembro de 2025 a 3 de janeiro de 2026 FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA – ANO A
A família unida, coesa e fraterna é uma graça e uma benção de Deus que nos compete cuidar e desenvolver. Que este momento de oração seja aproveitado para olharmos uns para os outros, para olharmos uns pelos outros e encontrarmos o Menino Jesus, o Messias, no outro. Tenhamos a Bíblia aberta no segundo capítulo do Evangelho de São Mateus e uma vela acesa no meio de nós.
Com a vontade interior de escutar a vontade do Senhor, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Estou aqui, respondi Ao Teu chamado pra servir Usa-me, eu sou Teu Pra fazer o Teu querer Muito tempo me escondi Tentei correr e fugir Mas agora eu sou Teu Pra fazer o Teu querer
Eu quero ser um servo Teu Cheio do Teu poder Usa-me Senhor em Teu louvor Como um vaso em Tuas mãos
É importante criarmos momentos de silêncio e oração no nosso lar, nem que sejam cinco minutos por dia; para ler a Palavra de Deus e O escutarmos, assim como uns aos outros, com amor! É assim que Deus nos fala… na simplicidade de momentos felizes, em que sentimos a Sua presença e O convidamos a morar no nosso coração! É por isso que é tão fácil agradecer-Lhe! Digamos-Lhe a nossa sentida oração de agradecimento.
Escutemos com atenção a Palavra de Deus, no texto de Mt 2, 13-15.19-23, na voz de um de nós.
Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José no Egipto e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram». José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré, para se cumprir o que fora anunciado pelos Profetas: «Há-de chamar-Se Nazareno».
Temos tanto para tirar desta leitura… Vejamos algumas considerações:
O texto desta oração apresenta o episódio dramático da fuga da Sagrada Família para o Egipto. Herodes queria matar o Menino Jesus e Deus intervém para proteger a sua vida. José escuta a voz de Deus em sonho, não numa manifestação espetacular, mas na simplicidade, que lhe diz: “Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga”. Perante esta revelação, José não hesita, levanta-se no meio da noite e parte com Maria e o Menino para o Egipto, protegendo a vida de Jesus.
A santidade da família começa com a escuta e obediência à vontade de Deus. José é um exemplo de silêncio e prontidão, ele não questiona, não reclama, não adia, ele ouve a voz de Deus e age, ele não entende tudo, mas acredita que Deus sabe mais do que ele. A escuta da vontade de Deus está no centro da santidade da Sagrada Família. José é um homem de escuta e os Evangelhos referem-no várias vezes. Maria é uma mulher de escuta e por isso acolhe a voz do anjo. Jesus, mesmo sendo Filho de Deus, aprendeu a escutar, como Ele próprio disse: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4, 34). Porque escutam a voz do Senhor, os membros da Sagrada Família não seguem o seu próprio caminho, não tomam decisões apressadas, eles escutam e obedecem. A Palavra de Deus lembra-nos que, quando colocamos Deus no centro, mesmo em tempos de dificuldade, decisões difíceis e escuridão, Ele guia os nossos passos.
O mundo atual não é favorável à escuta da voz de Deus. Alguns fatores impedem que as famílias escutem o Senhor:
Excesso de barulho Vivemos rodeados de ruídos e de vozes: os ruídos das redes sociais, dos telemóveis, da televisão, das opiniões descontroladas, dos ruídos da moda, da pressão cultural e social, a pressa, a ansiedade… e, como sabemos, Deus fala no silêncio e um lar que não silencia nunca escuta. Quantas casas vivem ligadas o tempo todo, mas desligadas de Deus?
Individualismo Cada um no seu telemóvel, cada um com a sua opinião e ninguém escuta o outro e muito menos a Deus. Uma família onde reina o silêncio egoísta ou gritos de conflito, dificilmente ouviria a voz divina. A escuta de Deus começa na escuta uns dos outros com amor e paciência.
A perda do hábito de oração Antigamente, muitas famílias reuniam-se para rezar o terço, ler a Bíblia, uma bênção antes da refeição. Fruto da desvalorização da fé, isto perdeu-se em muitas casas e assim a oração familiar desaparece, a missa passou a “opcional”, a Bíblia fica fechada. Sem oração, a família torna-se vulnerável, sem direção e sem luz.
Como José, precisamos de aprender a escutar Deus em nossos “sonhos”, isto é, na oração pessoal e familiar. As famílias precisam de voltar a escutar a voz de Deus em família e isto passa por criar momentos de silêncio e oração no lar, nem que seja cinco minutos por dia; passa por ler juntos a Palavra de Deus; passa por se escutar uns aos outros com amor e assim treinar o coração para a escuta; passa por buscar a direção espiritual e a formação na fé.
Escutar Deus não é um luxo, mas uma necessidade, porque sem ela somos como uma casa construída sobre a areia (MT7, 24-27). Como José, Maria e Jesus que a nossa família também diga: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta” (1 Sam 3, 10).
A Sagrada Família é uma escola de fé, de obediência e de amor; nela vemos a confiança que não pede garantias, a obediência que se faz caminho e o amor fiel e silencioso que protege e guia! Na nossa família, precisamos de voltar a escutar a voz de Deus e “treinar” o coração para a escuta na busca de direção espiritual e formação na fé. Reflitamos:
Sei escutar a vontade de Deus e faço por isso?
Que situações crio para perguntar a Deus, em oração, o que devo fazer?
Que momentos podemos criar e dinamizar no seio familiar para nos encontrarmos mais frequentemente com Deus?
Que atitudes da Sagrada Família quero acolher na minha própria família?
Olhemos o exemplo da Sagrada Família: José escuta, discerne e age; Maria confia e guarda tudo no coração; Jesus cresce no meio da fragilidade humana!… Ensinam-nos que, ao colocarmos Deus no centro, mesmo em tempos de dificuldade, decisões difíceis e escuridão, Ele guia os nossos passos! Hoje, dirijamos os nossos pedidos pessoais a Deus Pai, mas não esqueçamos as famílias fragilizadas pelo medo, pela pobreza, pela doença…
Com a certeza que Deus nos une e olha pela nossa família, rezemos:
Jesus, Maria e José, em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor e, confiantes, a Vós nos consagramos; Sagrada Família de Nazaré, acolhei as nossas casas, ensinai-nos a escutar Deus no silêncio, a agir com coragem e a caminhar na fé, mesmo quando anoitece! Sagrada Família, tornai as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração. Que Jesus façaa morada das nossas famílias, Maria nos ensine a confiar e que José nos guie na obediência humilde e fiel.
Que o Senhor abençoe e guarde a nossa família, conduzindo-nos nos caminhos da paz.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Aproveitemos para lembrar a mensagem do Papa Francisco sobre a família (em castelhano) neste vídeo :