Semana de 30 de março a 5 de abril de 2025 IV DOMINGO DA QUARESMA – ANO C
Procurar um local confortável, aconchegado e que se possa estar em silêncio. A Bíblia aberta em Lucas 15… e estamos prontos! Acendemos a vela e começamos a nossa oração.
Com a garantia que Deus estará sempre à nossa espera de braços abertos, pronto para nos acolher, benzemo-nos
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos a Deus, que vela por nós, nos entende e nos ama!
Não desanimes, Deus proverá; Deus velará por ti; Sob Suas asas te acolherá; Deus velará por ti.
Deus cuidará de ti No teu viver, no teu sofrer; Seu olhar te acompanhará; Deus velará por ti.
Se o coração palpitar de dor, Deus velará por ti; Tu já provaste Seu terno amor. Deus velará por ti.
Nos desalentos, nas provações, Deus velará por ti; Lembra-te dEle nas tentações; Deus velará por ti.
Tudo o que pedes, Ele fará; Deus velará por ti; E o que precisas, não negará. Deus velará por ti.
Como estiveres, não temas, vem! Deus velará por ti; Ele te entende e te ama bem! Deus velará por ti.
Estamos juntos em oração e somos convidados a agradecer o amor incondicional de Deus, que nos acolhe, que perdoa as nossas falhas e restaura as nossas vidas. Com os nossos corações jubilosos na Sua bondade, festejemos a Sua presença em nós, agradecendo-Lhe o tanto que nos dá.
Escutemos, na voz de um de nós, a mais bela expressão do amor, da graça e do perdão de Deus, contida no texto de Lc 15, 17-24
Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa.
Meditemos no significado desta comovente passagem.
“Vou-me embora, vou ter com meu pai.” É com esta decisão que o filho mais novo começa o caminho de volta a casa. Ele saiu com um terço de toda a herança que o Pai lhe tinha dado mas teria de voltar sem nada porque tinha desperdiçado tudo e de forma irresponsável. Ele saiu autoconfiante e “cheio de si” mas teria de voltar cabisbaixo. Sempre que alguém toma uma decisão errada, além de se perder e, muitas vezes, perder tudo o que tem, o sentimento de vergonha é o grande gigante difícil de vencer para se tomar o caminho de volta.
O caminho de volta é sempre um caminho de humildade e de libertação do orgulho O filho mais novo reconheceu que errou, que falhou na sua opção de viver e não acusou ninguém por isso. Apenas disse “eu pequei, eu errei, eu fui ingrato”. O orgulho rouba-nos a felicidade desta vida e a salvação eterna. A humildade é indispensável para quem deseja ser perdoado por Deus pela vida de filho pródigo que tem levado. Cada passo que o filho mais novo dava em direção à casa do Pai ele deixava vazar do seu coração o “veneno do orgulho”, ele esvaziava-se de si mesmo para se reencontrar com aquele a quem tinha entristecido. O caminho de volta será sempre o caminho daqueles que, diante da grandeza, santidade e amor de Deus, reconhecem os seus pecados, fracasso, imperfeições, erros e debilidade e só o podem fazer se forem humildes.
O caminho de volta é sempre um caminho de arrependimento Ele “caiu em si”, ele abandonou os erros do passado e voltou, isto é, ele arrependeu-se. Ele percebeu que a satisfação egoísta que dominava a sua vida não satisfizera a sua alma, ele percebeu que a sua felicidade não ficou garantida pela fortuna da herança que ele desperdiçou sem lhe ter custado nada. Como o filho mais novo, precisamos de “cair em nós” e reconhecer a profundidade do nosso pecado, não só em certos erros, falhas e fracassos, mas por ter ofendido o nosso Pai do céu. Sem arrependimento não há caminho de volta a casa.
O caminho de volta é sempre um caminho de confiança O filho mais novo sabia que podia confiar no Pai, ele sabia que seria recebido de volta porque confiava no amor do Pai. Sem esta confiança não teria sentido o regresso. Que valia voltar, se o Pai não o recebesse? Sem amigos, com uma vida miserável, sem qualquer tipo de segurança, o filho mais novo confiou que o Pai o iria atender e receber. Quando nos sentimos totalmente perdidos, podemos fazer o caminho de volta, como o filho mais novo, confiantes no Pai amoroso sempre disposto a estender-nos os seus braços para nos dar o perdão e a paz. Ele é totalmente digno de confiança e nunca nos desaponta.
O caminho de volta é sempre um caminho de reconhecimento Voltar é reconhecer o valor do Pai amoroso, perdoador, longânimo; voltar é reconhecer os prejuízos duma escolha errada e as possibilidades de uma decisão acertada; voltar é reconhecer que qualquer projeto de vida construído com base em atitudes de rebeldia não prospera; voltar é reconhecer que o melhor lugar no mundo é perto de Deus.
Voltar é superar-se a si mesmo, encontrar força na imerecida. Na vida, muitos caem mas só os verdadeiramente grandes se levantam e fazem o caminho de volta.
Independentemente dos erros que cometemos, podemos sempre voltar para os braços do Pai! Ousemos fazer o “caminho de volta” e reflitamos sobre a nossa própria jornada espiritual.
Quais são os orgulhos ou medos que podem estar a impedir-me de dar passos em direção à reconciliação com Deus e com os outros?
Voltar para Deus exige humildade e decisão. O que, concretamente, posso fazer hoje para me aproximar mais do Pai?
Que situação já passei em que tive de “engolir sapos” por minha completa responsabilidade?
Como me sinto a pedir perdão? Antes, durante e depois…
Como vivencio o Sacramento da Reconciliação?
Nas nossas vidas, muitas vezes cheias de futilidade, de angústia, de solidão, de medos, de amores efémeros, de apostas falhadas, Deus é o Pai que não critica, não acusa, não castiga, não exige explicações, porque está apenas focado em amar! Humildemente, acolhidos sob o manto da Sua bondade e misericórdia, façamos-Lhe os nossos pedidos, sem esquecer aqueles que se sentem abandonados.
Rezemos ao Pai que nos espera, nos abraça e restaura, com amor e paciência.
Pai, recebe hoje a nossa gratidão, a nossa adoração e o nosso compromisso de vivermos sempre na Tua presença. Ensina-nos a confiar e a rendermo-nos ao Teu amor e a não vivermos para nós mesmos! Que jamais nos afastemos de Ti, pois só em Teus braços encontramos o verdadeiro caminho e vida.
Firmes na certeza de sermos os filhos amados do Pai que nos fortalece, guia e enche de paz, benzemo-nos.