Semana de 14 a 20 de abril de 2024 III DOMINGO DA PÁSCOA – Ano B
Se parecer bem a todos, a oração desta semana poderá ser realizada à mesa, antes ou depois da refeição. Para além da Bíblia e da vela, podemos ter pão ou outro alimento na mesa.
Façamos a experiência do encontro com Jesus, sempre vivo e presente no nosso caminho. Benzemo-nos!
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos Deus presente, sempre atento, fiel e persistente, que teima em nos amar e nos tornou Seus filhos.
Conhecer Deus requer atitudes concretas que passam pelo escutar, acolher e viver a mensagem de Cristo ressuscitado que “se deixa ver” e tocar, suscitando alegria e admiração no nosso coração. Favorecidos pela Sua paz e pela Sua presença viva em nós. Façamos a nossa oração de gratidão.
Com o coração aberto à revelação de Deus e pronto para acolher a Sua mensagem, escutemos na voz de um de nós, o texto de Lc 24, 35-43
Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, Como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?» Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles.
Amadureçamos a nossa fé tentando compreender melhor esta forte, marcante e quase palpável experiência que os discípulos vivenciaram.
O texto do Evangelho desta oração relata uma das aparições de Jesus Ressuscitado. Por um lado, esta aparição acentua as dúvidas e resistências dos discípulos em crer na ressurreição. Acreditar na ressurreição não é algo que se consegue facilmente porque a ressurreição não pertence às realidades deste mundo e por isso não se demonstra cientificamente. É preciso um longo caminho de crescimento na fé. Por outro lado, apesar das dúvidas e incertezas dos discípulos, esta aparição revela como Jesus Ressuscitado se manifesta, como Ele se “deixa ver” e onde se deixa encontrar.
Como se “deixa ver” Os discípulos de Emaús conheceram Jesus pelo “partir do pão”, isto é, sinal do seu corpo entregue por nós como ele disse na última ceia. O “bilhete de identidade” de Jesus Ressuscitado não é um cartão nem papéis mas são as suas mãos e pés chagados. É curioso que os grandes sinais que tornam possível acreditar que Jesus está vivo sejam as suas mãos e os seus pés. É curioso que os grandes sinais que nos fazem acreditar na Páscoa sejam as mãos e os pés feridos e chagados. Mãos e pés que revelam o amor crucificado; mãos e pés que revelam o amor fiel até ao fim; mãos e pés que revelam uma vida doada para que outros possam viver; mãos e pés que revelam o corpo entregue por nós no “partir do pão” que é a eucaristia. Por isso, o evangelista insiste em recordar as marcas da paixão, os sinais da cruz.
O Ressuscitado é uma pessoa real com quem a comunidade se deve relacionar e a constatação da sua corporeidade reforça isso mesmo. Além das marcas da paixão, mãos e pés são sinais também da identidade de Jesus: mãos que serviram, que curaram feridas, pés que percorreram tantos caminhos e que levaram amor, justiça, perdão, compaixão. O convite a tocá-lo é comprometedor e não foi feito apenas a testemunhas privilegiadas do passado mas a todos os cristãos de todos os tempos porque não existe fé verdadeira no Ressuscitado sem experiência, sem relação, sem toque.
Onde se “deixa ver” A fé cristã nasce ao redor da mesa: foi assim na última ceia e na aparição deste texto. A comunidade reunida, mesmo insegura, é o lugar privilegiado de encontro com o Ressuscitado. É no interior da comunidade, à volta da mesa, mesa onde escutamos a Sua palavra, mesa de comunhão no Corpo e Sangue do Senhor, sinais da sua paixão, que podemos encontrar o Senhor Jesus e o lugar dele é o centro, por isso, Ele apareceu “no meio” deles. A comunidade cristã não pode ter outro ponto de referência senão o Ressuscitado; só Ele pode ser o centro. Tê-lo no centro significa aderir ao seu projeto e empenhar-se na sua realização.
O Ressuscitado pode ser encontrado no quotidiano das pessoas, na estrada ou em casa. Os discípulos de Emaús afirmaram que o Ressuscitado foi reconhecido ao partir do pão quando o receberam em sua casa mas ele já tinha caminhado com eles. O Ressuscitado é alguém que quer fazer parte da família de cada um de nós, quer entrar na nossa casa quer viver no nosso lar e estar presente na nossa oração familiar, como esteve com os discípulos de Emaús.
O Ressuscitado pode ser encontrado sempre que falamos dele aos outros como fizeram os discípulos de Emaús. Falar de Jesus é um modo de O tornar presente, partilhar a experiência com Ele é expandir a sua presença.
Sintamos a necessidade contínua de nos reequacionarmos e de viver em comunhão íntima com Deus, numa relação pessoal de proximidade, de familiaridade e de amor sem limites. Ponderemos as seguintes questões.
Tenho feito esta experiência da presença de Jesus, ressuscitado e cheio de vida, no caminho que vou percorrendo?
Tenho o hábito de rezar à mesa, pelo menos para agradecer a refeição? Porquê?
Onde e como encontro O Senhor? Onde e como O procuro?
Onde e como me coloco à disposição para que os outros vejam Jesus em mim?
Onde e como falo d’Ele aos outros? Em que situações deveria falar mais de Jesus Cristo, o Ressuscitado?
Partilhamos um pouco de pão ou outro alimento e, enquanto pensamos na falta que “o pão” nos faz e na falta que faz a tanta gente em todo o mundo, vamos saboreando calmamente tanto o alimento como o pensamento.
Reconhecemos as nossas fragilidades e admitimos as nossas falhas; contudo, não desesperamos pois cremos em Jesus Cristo, nosso “advogado”: aquele que consola e conforta: aquele que encoraja e reanima; aquele que intercede como defensor. Busquemos o Seu amor dentro de nós, façamo-Lo presente em nossas vidas e, fervorosamente, coloquemos os nossos pedidos nas Suas “mãos que curam”.
Certos que Deus toma a iniciativa de vir ao nosso encontro, sem hora marcada e sem se fazer anunciar, de forma imprevisível e inesperada, rezemos
Senhor, dá-me a segurança do Teu amor e a certeza de que estás comigo conduzindo o meu espírito com a luz que iluminou o Teu filho Jesus Cristo. Que eu possa perceber a grandeza do Teu amor, ao experienciar o Teu espírito dentro de mim… Que eu me sinta fortalecido com a Tua presença na minha vida e escute a Tua voz dentro de mim! Que eu Te consiga sentir “no partir pão”, “no irmão”, ”no meio de nós”!
Sentindo Jesus vivo e ressuscitado “no meio de nós”, benzemo-nos