Semana de 25 a 31 de outubro de 2026
XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

O exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros, é a única.
É óbvio que podemos e devemos conversar, explicar, incentivar, contudo o exemplo é essencial até para a oração.
Tenhamos a Bíblia aberta em 1 Tessalonicenses e uma vela acesa no meio de nós.
Querendo viver de forma a que os outros possam reconhecer, nas nossas atitudes, o amor de Deus, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos a Deus, a nossa essência; entreguemos-Lhe o nosso “nada” e deixemos que, com fé firme, habite em nós.
Eu não vim para ser servido, Eu vim para servir.
Dou-te a minha vida em cada dia por amor, até ao fim.
Mesmo que fale todas as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou voz rouca, sou voz muda.
Eu não vim para ser servido, Eu vim para servir.
Dou-te a minha vida em cada dia por amor, até ao fim.
Mesmo sendo sábio e profeta, e sabendo a ciência e os mistérios,
se não tiver amor, nada sou.
Eu não vim para ser servido, Eu vim para servir.
Dou-te a minha vida em cada dia por amor, até ao fim.
Mesmo se for generoso e der todo o meu tempo, e talento,
se não tiver amor, nada sou.
Eu não vim para ser servido, Eu vim para servir.
Dou-te a minha vida em cada dia por amor, até ao fim.
Em silêncio, cada um é convidado a fazer a sua própria oração de agradecimento. Pode recordar alguém que tenha sido um bom exemplo na sua vida, algo que seja motivo de esperança na sua vida ou uma situação em que tenha sentido a presença de Deus.
Com o coração recetivo à Palavra de Deus, escutemos na voz de um de nós o texto de 1Ts 1, 5c-10
Irmãos: Vós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem. Tornaste-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; e assim vos tornastes exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia. Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus, de modo que não precisamos de falar sobre ela. De facto, são eles próprios que relatam o acolhimento que tivemos junto de vós e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livrará da ira que há-de vir.
Percebamos melhor, como podemos ser um exemplo de fé e de esperança
Neste texto, São Paulo apresenta os tessalonicenses como “exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia”. Muitas vezes imaginamos o exemplo como algo ligado a grandeza, destaque ou perfeição, pensamos em alguém que nunca falha, que sempre sabe o que fazer e que vive acima das fragilidades humanos e, como tal, nunca erra. Na verdade, a comunidade de Tessalónica tinha as suas limitações, enfrentava perseguições e era jovem na fé mas mesmo assim, apesar desta aparente falta de perfeição, ela tornou-se exemplo e modelo.
Os tessalonicenses não decidiram e disseram: “Vamos tornar-nos famosos e exemplo entre as comunidades”. Na verdade, há uma diferença entre querer ser exemplo e tornar-se exemplo. Quem quer ser exemplo muitas vezes preocupa-se com a aparência, com a forma como será visto, admirado ou reconhecido. Quem se torna exemplo, geralmente, não vive para ser observado mas vive de forma autêntica e coerente e é, justamente, esta autenticidade e coerência que toca os outros, porque o exemplo possui uma força silenciosa, não se impõe, não obriga, não faz propaganda de si mesmo, ele simplesmente irradia. O exemplo é como uma luz que não precisa de anunciar que existe mas apenas ilumina.
São Paulo apresenta alguns aspetos pelos quais os tessalonicenses irradiam e se tornam exemplo para os crentes não só da Macedónia e da Acaia mas também para todos nós. Focamos em dois.
Primeiro: Eles receberam e acolheram a Palavra no meio de tribulações
No coração humano existe uma expetativa silenciosa que nos leva a pensar que a aproximação a Deus deveria eliminar as dificuldades. Espera-se uma fé que funcione como proteção automática contra o sofrimento e por isso, quando surgem as dores, perdas ou crises, nasce a tentação do abandono. Os tessalonicenses experimentaram algo diferente porque eles acolheram a Palavra quando a vida não estava fácil, quando viviam no meio de tribulações, perseguições e angústias. Eles perceberam que há um preço a pagar para quem recebe e acolhe a Palavra. A tribulação revela a profundidade com que acolhemos a Palavra. A maior transformação espiritual não acontece quando tudo está tranquilo, mas quando a Palavra cria raízes no terreno da tribulação e permanecemos firmes.
Segundo: Eles abandonaram os ídolos e passaram a servir o Deus verdadeiro
Esta mudança revela um novo rumo. Converter-se, na linguagem bíblica, é mudar de direção, é deixar de caminhar para algo que prende o coração, é voltar-se para Deus. Um ídolo é qualquer realidade que ocupa o lugar que pertence a Deus, aquilo de que passamos a depender para encontrar valor, segurança ou sentido. O problema do ídolo é o que acontece dentro de nós. Quando algo toma o lugar de Deus, começamos a servi-lo, a sacrificar a paz, saúde e família para o servir. Os tessalonicenses fazem uma mudança na sua vida e convertem-se. A conversão não é apenas renunciar a algo mas é abrir espaço para “Alguém”. Não é um movimento vazio de “deixar” mas um movimento cheio de “encontrar”. Quando o coração encontra Deus, muitas coisas perdem o lugar absoluto que ocupavam. Como os tessalonicenses, saibamos libertar-nos dos falsos apoios e de tudo o que ocupa o lugar de Deus no nosso coração e aprendamos a servir só o Deus verdadeiro.
Ser exemplo não significa nunca errar, ter sempre razão ou apresentar uma imagem de perfeição. Não precisamos de ser perfeitos para inspirar alguém. Precisamos, sim, de amar com gestos concretos, de procurar viver com autenticidade, de acordo com aquilo em que acreditamos, de reconhecer os nossos erros, ter a humildade de recomeçar e de manter a esperança mesmo nas dificuldades. Reflitamos:
- O meu testemunho e as minhas atitudes confirmam aquilo em que digo acreditar (sou coerente)?
- Na família, no trabalho, nas amizades e nas relações com os outros sei acolher e escutar, mesmo quem pensa de maneira diferente de mim?
- Quando foi a última vez que a minha reação a alguma adversidade foi de desânimo e revolta em vez de transmitir confiança e esperança?
- Exijo aos outros comportamentos que eu próprio não procuro viver?
- Como faço para ganhar coragem para reconhecer os meus erros e pedir perdão?
Agora, somos convidados a apresentar a Deus as nossas próprias preces.
Cada um de nós pode expressar livremente aquilo que traz no coração: pedir força para mudar uma atitude, agradecer por alguém que é um exemplo de fé ou rezar por quem precisa de encontrar esperança.
Reconhecendo que cada gesto, cada palavra e cada decisão nossa podem aproximar ou afastar os outros de Deus, rezemos.
De mãos dadas, digamos todos juntos:
Senhor nosso Deus,
Tu não nos chamas a ser perfeitos aos olhos do mundo,
mas a sermos verdadeiros diante de Ti.
Ajuda-nos a compreender que ser exemplo
não significa querer ser melhor do que os outros,
mas procurar ser, hoje, melhores do que fomos ontem.
Que a nossa fé não seja apenas uma palavra bonita,
mas uma força que transforma a nossa maneira de viver.
Ensina-nos a amar quando é difícil,
a perdoar quando somos magoados,
a servir quando ninguém nos vê
e a permanecer firmes quando as dificuldades nos fazem vacilar.
Que os nossos filhos, os nossos pais, os nossos familiares,
os nossos amigos e todos aqueles que se cruzam connosco
possam encontrar, nos nossos gestos, sinais da Tua bondade.
Amen.
Capazes de um coração humilde para aprender, mãos disponíveis para servir e palavras que possam consolar, benzemo-nos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Rezemos com o Papa Leão e principalmente com o coração através deste vídeo: