Semana de 8 a 14 de março de 2026 III DOMINGO DA QUARESMA – ANO A
Imaginemo-nos junto a um poço, no silêncio do coração. Sintamos o calor forte do meio dia, o cansaço da caminhada, o som suave da água fresca e ali está Jesus, à nossa espera! Ele aproxima-se e pede-nos algo simples… mas profundo: a nossa atenção! Preparemos assim o nosso coração, sedento por Jesus, para vivenciarmos este momento de oração. Tenhamos a Bíblia aberta em Jo 4 e, quando estivermos prontos, acendemos uma vela.
Disponibilizando a nossa atenção, o nosso olhar, o nosso coração aberto para iniciar o encontro com Deus, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Calmamente, serenemos, louvando o Senhor Jesus:
Agradeçamos em silêncio: pelas vezes em que Jesus Se aproximou de nós; pelas conversas inesperadas que mudaram o nosso dia; pela “água” que recebemos quando estávamos com sede de sentido, de paz ou de amor! Em intimidade com o nosso amigo Jesus, digamos as tantas outras coisas pelas quais Lhe estamos gratos.
Prestando atenção à mensagem que Jesus nos transmite em Jo 4, 1-14, escutemos o prodigioso texto na voz de um de nós.
Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou Se à beira do poço. Era por volta do meio dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Respondeu Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?» De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». Respondeu Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?» Disse Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar se á nele uma nascente que jorra para a vida eterna».
Procuremos perceber a mensagem que Jesus nos quer transmitir.
O capítulo 4 do Evangelho de São João relata-nos o encontro de Jesus com a samaritana. À beira do poço de Jacob, Jesus faz um pedido humilde: “dá-me de beber”. Deste pedido que é um apelo de atenção podemos tirar alguns ensinamentos:
Primeiro: Jesus pede a nossa atenção no quotidiano da vida Jesus não desce do céu com manifestações espetaculares mas escolhe um poço comum, numa vila desconhecida. O poço representa a rotina, o quotidiano, os lugares onde a vida se repete, porque Jesus quer encontrar-se connosco no ordinário da vida, nos nossos dias comuns. Ele não chama a mulher no templo mas no seu dia comum. Assim também hoje, Jesus não precisa de cerimónias religiosas para se fazer presente, mas pede a nossa atenção no quotidiano da vida.
Diz-nos o texto que Jesus estava cansado da viagem e sentou-se junto ao poço. Isto é significativo e mostra-nos que Deus não corre atrás de nós mas coloca-se no nosso caminho e espera- Deus não é apressado, Ele respeita o tempo do coração humano e espera pela oportunidade. O primeiro passo do diálogo com a samaritana começa porque ele aproxima-se do poço e responde ao pedido de Jesus: “dá-me de beber”. Tudo começa quando ela para e escuta. Sem atenção não há encontro e sem encontro não há conversão. Deus espera a nossa atenção, o nosso olhar, o nosso coração aberto para iniciar o encontro porque Ele não força mas espera e convida.
Segundo: A resistência inicial e a distração são obstáculos à atenção A resposta da mulher mostra estranheza e distância: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?” A mulher vai ao poço com o coração dividido. O seu corpo está ali mas a sua interioridade está ocupada por pesos antigos, conflitos do passado, por histórias mal resolvidas, por uma vida fragmentada, por feridas de exclusão e por categorias humanas. Quando Jesus fala, ela escuta apenas na superfície. A resistência não é rejeitar Deus, é não estar realmente disponível para Ele. Jesus oferece água viva mas o coração distraído não reconhece o dom. A distração espiritual não é barulho externo mas uma interioridade ocupada por si mesma e por isso a mulher reduz o mistério ao utilitário: “Senhor, dá-me dessa água…”. Ela quer o dom sem encontro, o benefício sem transformação. Quantas vezes o Senhor nos chama e respondemos com defesas, justificativas e distrações? A falta de atenção impede de reconhecer o dom e não nos deixa perceber a presença de Deus porque estamos focados apenas na “água do poço”.
Terceiro: A vida começa a mudar quando prestamos atenção Jesus conduz a mulher da água material à água viva, do superficial ao essencial. Tudo começa porque ela aceita dialogar e deixa Jesus falar ao seu coração. Quando a mulher ouve e acolhe o pedido de Jesus, ela é transformada e de portadora de feridas, ela torna-se mensageira da Boa Nova. Como outrora, Jesus senta-se no “poço” da nossa vida: no trabalho, na família, nos desafios do dia-a-dia e espera que façamos uma pausa, que olhemos para Ele e digamos: “Aqui estou, Senhor”. Como outrora, Jesus continua a pedir a nossa atenção em momentos de silêncio, na oração, na Palavra, nos sacramentos, no próximo. Dar atenção é o primeiro passo para que o Senhor transforme o nosso coração, porque permite que a água viva do Espírito Santo nos preencha.
Jesus pede a nossa atenção; pede que paremos; pede que O escutemos; pede que deixemos cair as distrações, os preconceitos, a pressa! Quantas vezes passamos pelo “poço” do dia – no trabalho, em casa, nas relações – sem reparar que Jesus está ali, à espera que Lhe prestemos atenção? Reflitamos…
Dou a Jesus a mesma atenção que dou às “urgências” do dia? Porquê?
Já senti nalgum momento que Jesus me pediu “Dá-me a Tua atenção”! Quando foi?
Quero oferecer a Deus algo de mim (tempo, atenção)?
O que mudaria se começasse o dia com alguns minutos de verdadeira escuta (silêncio, oração, leitura da Palavra)?
Apresentemos agora, a Jesus bondoso e misericordioso, as nossas intenções: pelas pessoas que vivem distraídas, sem tempo para Deus; por aqueles que têm sede de amor e não sabem onde o procurar; por nós, para que aprendamos a escutar com o coração e por aquilo que, neste momento, tanto necessitamos. Façamos a nossa prece pessoal.
Com um coração atento e sedento de transformação, rezemos ao Pai.
Senhor Jesus, Tu que Te sentas junto ao poço da minha vida, ensina-me a parar; quando a pressa me domina, chama-me pelo nome; quando a sede me inquieta, recorda-me que és Fonte; quando o ruído me dispersa, pede-me novamente atenção. Dá-me da Tua água viva, para que o meu coração se torne também fonte de escuta, de ternura e de esperança.
Permitindo que a água viva do Espírito Santo nos preencha, benzemo-nos.