Semana de 1 a 7 de março de 2026 II DOMINGO DA QUARESMA – ANO A
Porque fazemos isto? Porque rezamos? E porque o fazemos em família? É difícil, bem feito até pode ser um pouco confrangedor. Se partilharmos a sério, há situações muito íntimas. A resposta pode passar pela fraternidade, camaradagem e sentido de união que este momento nos provoca. Vamos aproveitar!!! Com a Bíblia aberta em Génesis 12 e uma vela acesa, iniciamos este Orar em Família.
Sabendo que o Senhor nos chama, nos envia e promete caminhar connosco, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Deixemo-nos tocar pela graça de Deus, louvando-O “em segredo” pois é no fundo do ser que vamos encontrar o que Ele quer que façamos.
Deixa Deus entrar na tua própria casa Deixa-te tocar pela Sua graça Dentro e em segredo, reza-lhe sem medo: Senhor, Senhor! Que queres que eu faça?
Só no fundo do ser eu vou encontrar As razões de viver, as razões de amar É bem dentro de nós que está a raiz Que nos faz amar e ser feliz.
Com um coração disponível e confiante, somos convidados a agradecer a Deus, as vezes em que nos chamou a dar um passo novo, uma decisão difícil, uma mudança inesperada ou um serviço que exigiu coragem. Agradecemos os momentos em que, mesmo com medo, avançámos… e Deus foi connosco! Obrigado Pai por…
Silenciemos o nosso coração a abramos espaço para escutar a voz de Deus em Gen 12,1-4, que um de nós vai expor em voz alta.
Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». Abrão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.
Exploremos esta mensagem que nos desafia a sairmos da nossa zona de conforto, na companhia de Deus.
Abraão vivia uma vida estável, tinha tudo o que precisava para viver uma vida tranquila e nada indicava que ele teria de mudar mas é justamente ali, no equilíbrio confortável, que Deus o encontra e o chama porque o Senhor conhece os perigos duma vida sem riscos espirituais.
A zona de conforto é o maior inimigo da santidade A zona de conforto não é um lugar físico mas um estado interior onde já não ouvimos o chamamento de Deus, porque tudo parece “bom o suficiente”, onde rezamos sem profundidade, servimos sem paixão e vivemos sem ardor. O conforto prolongado endurece o coração, anestesia a alma, embaraça os sentidos espirituais. Como Abraão, também nós podemos carregar zonas de conforto que são hábitos que já não nos levam a Deus, comodismos espirituais, rotina sem oração, relações que nos afastam do Evangelho. É possível passar anos na Igreja sem sair deste território seguro e estéril. A zona de conforto é como uma casa segura que nos abriga e protege mas não nos deixa avançar e por isso limita-nos.
A fé exige sair da zona de conforto Quando Deus chama Abraão, e diz-lhe “deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar”, mostra que a vida espiritual começa quando deixamos as nossas seguranças para confiar totalmente n’Ele. Abraão tornou-se peregrino que parecia avançar por entre trevas pois não sabia para onde se dirigia. Deus não mostra a Abraão o destina completo “para a terra que Eu te indicar”. Ao deixar a sua terra e a sua casa, Abraão torna-se um homem despojado, um homem que nada possuía, à exceção de Deus. Ele devia pôr sempre em Deus toda a sua confiança. Nós queremos certezas antes de obedecer, queremos garantias antes de nos entregarmos mas a fé, como nos ensina Abraão, é caminhar antes de ver o que Deus vai fazer, é acreditar que Ele é fiel.
A fé verdadeira só amadurece quando somos capazes de arriscar por Deus. Ir partir, pôr-se a caminho, largar, tem a força extraordinária de mudança e expressa a audácia do crente que é capaz de arriscar tudo, de deixar aquilo que é seguro para apostar em algo que não é certo, confiando na Palavra. Na verdade, cada passo dado por Abraão foi um passo fora do conforto e um passo dentro da promessa.
Deus só pode fazer algo na vida quando nos dispomos a partir Se Abraão tivesse ficado em Haran, a história da salvação teria sido diferente. Quando Abraão rompe os seus limites interiores e abandona-se nas mãos de Deus, a sua vida expande-se, o medo dá lugar à fecundidade, a esterilidade à promessa, o pequeno torna-se grande. O nosso Deus só entra na vida de quem se levanta e caminha. Quando alguém rompe os limites e segue a vontade de Deus, a sua vida deixa de ser pequena e passa a irradiar luz. A fé que sai da zona de conforto torna-se uma bênção para a família, para os amigos, para a comunidade e para todos. Quantas vezes pedimos a Deus mudanças mas continuamos presos às mesmas atitudes? Quantas vezes pedimos milagres mas não damos o primeiro passo? Deixemos de lado o comodismo espiritual e demos um passo correto na fé, na oração, no perdão, no serviço, na conversão.
Deus diz: “Vai!”; não explica o caminho, não mostra o mapa completo e não garante ausência de dificuldades! Ele convida-nos a partir sem garantias humanas, mas com confiança na Sua Palavra que nos sustenta e para isso, chama-nos a sair da nossa zona de conforto, de medos antigos, de atitudes que já não nos fazem crescer! Aceitamos o Seu convite? Reflitamos…
Se hoje Deus me dissesse apenas “Vai”, qual seria a minha resposta imediata? Respondia com disponibilidade ou adiamento?
Que seguranças humanas preciso de deixar para crescer na fé e dizer o meu “sim” convicto?
Tenho consciência que a estagnação também é uma escolha?
Tenho medo de perder algo, ou sigo confiante, crente que Deus me quer conduzir a algo maior?
Estou atento à voz de Deus no meio do ruído diário?
Agora, convidamo-vos a apresentar as nossas intenções pessoais. Rezemos especialmente pelos que vivem mudanças difíceis, pelos que precisam de recomeçar e por nós, para que nos esforcemos para sair da nossa zona de conforto, com gestos concretos de amor e que sejamos bênção onde estivermos.
Esforçando-nos para que o nosso “sim” seja generoso, fiel e perseverante, rezemos com Jesus
Senhor, Tu que nos chamas pelo nome e confias missões grandes a corações frageis, dá-nos coragem de partir quando nos pedes a mudança. Liberta-nos do medo do desconhecido, do apego excessivo às nossas certezas e dá-nos um coração disponível para sermos benção na família, no trabalho, na comunidade. Ensina-nos a confiar e a caminhar sustentados na Tua Palavra para que a nossa vida seja resposta generosa ao Teu chamamento; com a certeza que caminhas sempre connosco.
Com coragem para “partir” e alegria para confiar, seguros pelo Deus que nos abençoa e nos guarda, benzemo-nos.