Semana de 22 a 28 de fevereiro de 2026 I DOMINGO DA QUARESMA – ANO A
Quaresma! É bom parar, por momentos, refugiarmo-nos do barulho do mundo; criar um pouco de deserto, de silêncio e procurarmos Cristo no nosso coração. Podemos fazê-lo sozinhos, num lugar tranquilo, em comunidade, ou em família. A escolha é nossa… Sabemos que Jesus nos aguarda paciente. Tenhamos a Bíblia aberta em Mt 4 e acendamos uma vela, quando estivermos preparados.
Permitindo que Deus fale ao nosso coração e nos fortaleça nas nossas fragilidades, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos a Deus pela nossa vida que não é isenta de fracassos, mas porque podemos ficar nos Seus braços e n’Ele confiar.
Não peço apenas pelo pão Não peço apenas por um mundo sem conflitos Não peço apenas proteção Não peço apenas paz ao coração aflito
Não vou pedir mais uma vez Que a minha vida seja isenta de fracassos Mas vou ficar bem junto a Ti E nunca mais fugir para longe dos Teus braços
Pois quanto mais eu tento afastar-me de Ti Mais eu percebo que não há para onde ir Sou como um filho que insiste em partir Não sei Te amar, não quero Te ouvir
Ensina-me a dar um passo de cada vez Quando eu quiser de novo andar à Tua frente Ensina-me a confiar Ensina-me a descansar
…Em Ti…
Jesus incita-nos a reconhecer com gratidão a intervenção e a bondade de Deus, quando nos sustenta nas provações e nos dá força mesmo quando pensamos não a ter! Recordemos ocasiões em que percebemos a Sua presença na nossa vida e façamos a nossa oração de agradecimento.
Com calma, consciente que vamos ler a Palavra so Senhor, quem irá ler a passagem de Mt 4, 1-11?
Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demónio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Demónio conduziu O à cidade santa, levou O ao pináculo do templo e disse Lhe: «Se és Filho de Deus, lança Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Demónio O levou consigo a um monte muito alto, mostrou Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu-lhe Jesus: «Vai te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’». Então o Demónio deixou O e logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.
Podemos partilhar o que o nosso coração sentiu com esta leitura. Depois, aprofundamos este texto com esta análise:
No deserto, Jesus enfrenta três tentações. A primeira delas, transformar pedras em pão, parece fácil mas carrega um profundo ensinamento sobre o coração humano. Nesta reflexão, iremos abordar a proposta do tentador e a resposta inspiradora de Jesus.
Primeiro: O tentador sempre fala ao nosso ponto fraco A tentação nunca se apresenta como algo obviamente errado, ela aproxima-se pelas nossas fragilidades, pelas fendas da alma. Assim como a água procura a melhor rachadura da rocha, do mesmo modo o mal procura o ponto mais vulnerável do nosso coração. O Evangelho mostra-nos que o tentador nunca ataca onde estamos fortes e seguros mas onde estamos vazios, cansados, carentes, isto é, onde há “fome” no coração. Depois de quarenta dias de jejum, Jesus sente fome e é exatamente aí que o tentador tenta agir. Ele não desperdiça forças em áreas em que estamos firmes, ele sussurra justamente onde sentimos falta de algo, onde temos inseguranças. Não há nada de errado em sentir fome, o erro está em usar o caminho errado para a saciar. O tentador apela para os nossos desejos legítimos com argumentos “lógicos”, “práticos” e “inofensivos”, dizendo: “ninguém vai saber”, “tu mereces”, “só desta vez”, “é para teu bem”. Por isso, a tentação é tão perigosa porque fala a língua dos nossos desejos e entra na brecha do nosso coração, usando conquistas fáceis para desviar a alma do essencial.
Segundo: O tentador leva-nos a reduzir a vida ao “ter” A proposta do tentador é clara: “resolve o teu problema agora, satisfaz-te imediatamente”. Esta é a tentação de viver para o exterior, de achar que a vida se resume ao pão, ao dinheiro, ao conforto, ao sucesso, ao consumo, numa palavra, ao “ter”. Esta é uma tentação muito atual em que se insiste em medir o valor das pessoas pelo que têm e não pelo que são e, aos poucos, o “ter” torna-se a régua da felicidade. Quando o “ter” domina, o coração estreita, perdemos a profundidade porque ficamos presos ao imediato, perdemos a liberdade porque passamos a depender do que possuímos e perdemos a sensibilidade porque o outro vira um obstáculo ou concorrente. O pão é necessário, sim, mas não basta. No coração humano, há fomes profundas que precisam de ser saciadas; fome de sentido, de amor, de verdade, de Deus.
Terceiro: A resposta de Jesus inspira o nosso agir
Jesus responde com a Palavra e não com impulsos Jesus não discute com o tentador, não entra em debates, não tenta argumentar por conta própria, Ele, simplesmente, se apoia na Palavra do Pai. A tentação vence-se com força de vontade e com luz. Quando a alma está cheia da Palavra, ela tem clareza para discernir mas quando está vazia, qualquer sugestão parece convincente.
Jesus não age por necessidade mas por fidelidade A tentação apelava à fome mas Jesus não deixa que a necessidade determine a sua escolha, Ele escolhe a vontade do Pai. A maturidade espiritual consiste em não agir por impulso mas por convicção interior.
Jesus não usa os seus dons para si mesmo O tentador pede a Jesus que use o seu poder em benefício próprio, mas Jesus sabe que os seus dons existem para a missão, para os outros, para o Reino. Quando colocamos os nossos talentos ao serviço do amor ao outro, a tentação perde força.
Jesus responde de modo firme e claro Jesus não deixa brechas, não adia, não negoceia mas corta a tentação pela raiz. A tentação só vence quando abrimos espaço para conversas internas e perigosas.
O deserto não é abandono; é lugar de decisão e lugar onde o coração se revela! Neste início da Quaresma, Jesus ensina-nos a não fugir da prova, nem evitar a tentação… Podemos sentir fome, sentir fragilidade, mas a verdadeira força não está em provar algo aos outros, em viver para o exterior ou em satisfazer desejos pessoais ocos, mas em permanecer fiel a Deus. Reflitamos:
Tenho medo do silêncio porque ele me confronta comigo mesmo?
Permito que Deus me fale no meio do vazio?
Procuro preencher vazios com coisas materiais?
Vivo à procura de aprovação? Como?
Conheço a Palavra de Deus a ponto de a usar nas minhas decisões?
Apresentemos agora, a Deus, as nossas intenções… Peçamos força para resistir às tentações, para superar as nossas fragilidades e fidelidade nas pequenas decisões do dia a dia. Rezemos também por aqueles que atravessam desertos de doença, solidão ou desânimo. O Senhor escuta as nossas preces…
Determinados a não agir por impulso mas por convicção interior na Palavra de Deus, rezemos com Jesus.
Senhor Jesus, Tu que conheces a fraqueza humana, ensina-nos a confiar quando tudo parece árido. Dá-nos coragem para escolher o bem; humildade para não procurar glória vazia e firmeza para permanecer na Tua Palavra. Que nos desertos da nossa vida descubramos que não estamos sõs, porque Tu caminhas connosco.
Com a paz e a benção de Deus que nos sustenta nas provações e fortalece nas tentações, benzemo-nos.