Semana de 15 a 21 de fevereiro de 2026 VI DOMINGO COMUM – ANO A
Não é preciso sermos perfeitos para estarmos com Deus… No entanto, é preciso estarmos em paz com os irmãos para permanecermos com Deus. Tentemos recolhermo-nos, reconciliados, principalmente com os que partilhem este momento de oração, e, juntos, façamos a nossa oração em família. Podemos abrir a Bíblia em Mateus 5 e acender uma vela no meio de nós.
Na presença do Pai bondoso, com o coração aberto e disponível para escutar e interiorizar a Sua Palavra, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar: e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Louvemos Jesus, confiando e deixando que a Sua voz mansa, que chama sem prender, fale manso dentro do nosso peito.
Façamos um momento de silêncio interior… cada um de nós, é convidado a agradecer ao Senhor, pela vida, pelo dia de hoje, pela Sua Palavra que nos chama a viver na verdade, no amor e na fidelidade. Apresentemos-Lhe o nosso agradecimento pessoal.
Escutemos o apelo exigente, mas libertador, que Jesus nos faz em Mt 5, 17-37. Cada um pode fazer a sua leitura individual, atenta, para depois partilhar com os outros, o que significou para si.
Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à geena de fogo. Portanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo.
Depois da nossa partilha individual, aprofundamos o significado do texto.
Neste texto do Evangelho, retirado do Sermão da Montanha, Jesus retoma um dos mandamentos mais conhecidos “não matar” mas não se limita ao que tinha disto, vai além, aprofunda, desce ao coração onde tudo começa. Para nos levar à plenitude da Lei, Jesus dá-nos alguns aspetos importantes sobre este mandamento:
Primeiro: O mandamento tem um lado oculto “Não matar” parece simples, é um mandamento que quase todos achamos que cumprimos perfeitamente e quase ninguém está na lista dos transgressores. Parece que este mandamento foi feito para criminosos e não para cada um de nós e assim muitos pensam, ao dizer: “cometi muitos erros, mas nunca tirei a vida a ninguém e por isso estou tranquilo e em paz com Deus”.
Jesus tira-nos da zona de conforto, mostra-nos um lado oculto do mandamento, convida-nos a ir além da leitura superficial e revela que existem formas de matar que não aparecem nos tribunais mas que são profundamente reais. Jesus revela-nos que matar não é apenas tirar o fôlego de alguém mas é também tirar a dignidade, a paz e a esperança. Jesus mostra-nos que existem muitos modos de matar e de derramar sangue: matamos com o insulto, com o desprezo, com a indiferença, com a mentira, com a calúnia, com silêncios pesados, com ironia, com julgamentos precipitados, com sarcasmo, com rancor, com hostilidade. Ninguém vai para a cadeia por isto mas, aos olhos de Deus, tudo isto é sério porque destrói aquilo que Ele ama: a vida humana.
Segundo: A violência nasce no coração Quando pensamos em violência, normalmente, imaginamos cenas externas, como guerra, agressões, crimes, injustiças sociais. Tudo isto existe e é grave mas Jesus, no Evangelho, convida-nos a olhar para uma forma diferente de violência, mais próxima e perigosa, aquela que nasce dentro de nós. Jesus ensina-nos que a violência não começa no ato mas no coração. Antes que qualquer violência aconteça no mundo exterior, ela é gerada dentro de alguém, antes que haja um gesto destrutivo, existe um sentimento não resolvido, uma emoção que fermenta, uma dureza que cresce, uma ferida guardada, uma raiva alimentada. O primeiro campo de batalha é o coração. O mundo muda quando muda o coração. Não adianta denunciar as guerras do mundo se permitirmos que a guerra comece dentro de nós, não adianta pedir a paz enquanto cultivarmos ódios silenciosos. A primeira luta espiritual é dominar o coração antes que ele nos domine, porque uma mágoa pode viver violência, porque um ressentimento pode virar agressão.
Terceiro: A reconciliação transforma o interior A reconciliação, para Jesus, não é um detalhe, mas um caminho urgente porque, enquanto guardamos raiva, perde-se paz, alegria e leveza de viver. A reconciliação é o jeito que Jesus nos dá para desarmar o interior, é como retirar a arma antes que ela dispare. A reconciliação é a terapia do coração porque ela desarma a alma, amolece o orgulho, cura feridas e traz a paz. Perdoar não significa aprovar o erro do outro, nem fingir que nada aconteceu, mas significa decidir não deixar que o mal mande em mim, significa não permitir que o meu coração vire um campo minado. A maior oferta que podemos levar ao altar é a disposição de perdoar e pedir perdão, por isso Jesus disse: “vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”. Não é fácil, claro que não, mas é libertador e é o caminho da comunhão.
Jesus convida-nos a viver relações reconciliadas, a cuidar das palavras que dizemos, a ser fiéis aos compromissos, a agir com integridade, sem duplicidade e a viver com um coração inteiro, reconciliado e transparente diante de Deus e dos outros. Reflitamos sobre este apelo exigente que Deus nos faz.
Sou coerente com o que digo, em que acredito e com o que faço?
As minhas palavras constroem, ou ferem?
Procuro reconciliação ou alimento divisões?
Qual foi a reconciliação que mais me custou fazer?
Que atitudes do meu coração Jesus quer hoje transformar?
Apresentemos as nossas preces ao Senhor; peçamos um coração novo, sincero, fiel; peçamos a graça de viver a justiça que nasce do amor; peçamos o que intervenha nas nossas dúvidas, necessidades, dores; peçamos também pelos outros, especialmente por quem precisa de reconciliação, paz, verdade. Façamos a nossa prece em silêncio.
Com um coração novo, capaz de perdoar e pedir perdão, rezemos ao Pai
Senhor, ensina-nos a viver não apenas de aparências, mas de verdade interior. Purifica o nosso coração, guia as nossas palavras, orienta as nossas escolhas, para que a nossa vida seja sinal do Teu Reino. Transforma o nosso interior, fortalece a nossa disposição de perdoar e pedir perdão, para que tudo o que somos e fazemos revele o Teu amor ao mundo.
Abençoados com a luz de Deus que brilha em nós e pela paz que nos concede, benzemo-nos.