Semana de 26 de maio a 1 de junho de 2024
SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – Ano B

Orar é um encontro íntimo com a Santíssima Trindade.
Preparar este momento é um desafio externo, no que diz respeito ao espaço e a eliminar as distrações mas, sobretudo, um desafio interno, uma vez que precisamos de chamar Deus de Pai, Filho e Espírito Santo da forma mais paterna, materna, fraterna e amorosa que conhecemos ou pensamos existir.
Se for possível, tenhamos a Bíblia aberta em Mateus 28 e uma vela acesa que iluminará o nosso coração.
Contemplando a Deus nosso Pai que, sendo unidade, é família de três Pessoas em perfeita comunhão de amor, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Com sentimento de intimidade filial a Deus infinitamente amável e bom que é Pai, Filho e Espírito, louvemo-Lo
Pai Santo eu Te adoro,
Te ofereço a minha vida.
Como eu Te amo.
Jesus Cristo eu Te adoro…
Espírito Santo eu Te adoro…
Trindade Santa eu Te adoro…
Com o coração embalado e inundado de ternura, de amor, de confiança e de admiração pelo Deus trino, em cujo colo nos sentimos profundamente amados, protegidos e cuidados, voltamo-nos para Ele como criança que se dirige a seu pai, e façamos-Lhe a nossa sentida oração de agradecimento por tanto que nos concede.
Quem lê o texto de Mt 28, 16-20?
Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
Procuremos compreender, com o coração desperto, o texto que escutámos.
Toda a vida está envolvida na Trindade. Tudo tem o cunho trinitário, tudo tem o selo do amor da Trindade. Como cristãos, somos trinitários, pois somos filhos de Deus Pai, irmãos de Deus Filho, Jesus, templos do Espírito Santo. Sempre que nos benzemos, fazemos um ato de fé na presença e nos amor de Trindade. Sempre que rezamos o “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espirito Santo” estamos a louvar e a glorificar a Trindade, o seu amor uno e trino. Neste dia da Festa da Trindade, vale a pena insistirmos na adoração, como caminho necessário para fazermos a experiência do encontro, do conhecimento e do reconhecimento de Deus, como Senhor da nossa vida.
Hoje abusa-se da palavra “adorar”. Hoje, adoramos tudo e mais alguma coisa: pessoas, comida, carro, filme, jogo, no fundo, adoramos tudo aquilo que nos satisfaz. O grande inimigo da fé, não é tanto a indiferença ou a descrença, mas é sobretudo a idolatria. Quem não adora Deus, adora ídolos. Quem não adora Deus, idolatra as criaturas. Preferir as criaturas e colocá-las acima do Criador, será sempre uma idolatria Tal como aconteceu na história do bezerro de ouro, também nós, “em vez da fé em Deus, preferimos adorar o ídolo, cujo rosto se pode fixar e cuja origem é conhecida, porque é feito por nós” (papa Francisco, Lumen Fidei, 13). Creio que vale a pena pensarmos, porque é que nos custa tanto “ajoelhar” diante do Senhor nosso Deus, e porque é que, tantas vezes, Deus perde lugar, ou o primeiro lugar, na nossa vida, a troco de outros deuses, como o futebol, o poder, o dinheiro, o trabalho, a riqueza e até a snobeira que também é um ídolo. Sinal desta idolatria é o sucesso das selfies em que cada um presta culto a si mesmo. Fica o apelo daquela música tantas vezes cantada ou antes papagueada e que, por isso, cai em saco roto: “Não adores nunca ninguém mais que a Deus! Porque só Ele pode saciar.”
Adorar Jesus foi o que os discípulos fizeram. Eles “quando O viram, adoraram-no!” (Mt 25, 18). O texto não nos dá a forma como foi feita esta adoração, no entanto os judeus só eram capazes de dobrar o joelho diante do nome de Deus. Esta adoração significa o reconhecimento por parte dos discípulos de que Jesus é o Senhor da sua vida. Como discípulos, o que é adorar?
Adorar a Trindade é elevar-Lhe um hino de silêncio; é reconhecer Deus como Deus e nós mesmos como criaturas de Deus; é prestar culto Àquele que merece toda a honra e toda a glória pois o Senhor merece este ato de prostração da alma e de coração, perante a magnificência da sua bondade e a omnipotência do seu amor infinito; é experimentar e descobrir que a Trindade não é apenas um mistério incompreensível mas sobretudo uma quotidiana experiência do amor de Deus por cada um de nós; é libertar-nos do “falso deus” identificado muitas vezes como um tirano, um déspota, um ditador arbitrário, um ser omnipotente que ameaça a nossa pequena e limitada liberdade; é dizer: Tu és o meu Deus! Tu és o amor da minha vida! Tu és a minha alegria. Não posso viver sem Ti! Quero amar-Te com todas as minhas forças e só a Ti adorar. Tu és tudo para mim.
Num mundo onde Deus nem sempre faz parte dos planos e das preocupações dos homens, testemunhar o amor de Deus e apresentar aos homens o convite para integrar a família de Deus é um enorme desafio. Vinculados à família trinitária e conscientes da Sua presença vivificante e reconfortante, reflitamos:
- Custa-me ajoelhar diante do Senhor nosso Deus? Quando o faço?
- O que adoro? Deus? O que adoro mais?
- Será que reconheço Deus como Deus? Nas minhas atitudes, na minha relação com Ele, no meu coração?
- Amo o Senhor, meu Deus, de todo o meu coração, de toda a minha alma, de todas as minhas forças e com todo o meu entendimento?
- Compreendo que Deus, Pai, através de Seu Filho Jesus, meu irmão, e a inspiração do Espírito Santo, me pode dar instruções, indicar o caminho e que espera a minha obediência?
O Deus compassivo e cheio de misericórdia, que vem ao nosso encontro e nos acompanha no caminho, está permanentemente atento aos nossos problemas e sempre disposto a intervir para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime, sem nunca desistir de nos oferecer a Vida plena e verdadeira. Desfrutando da fonte do amor proveniente do Pai, que sacia e aconchega os nossos corações, digamos humildemente, em voz alta, os pedidos que Lhe queremos fazer.
Aconchegados no coração da Santíssima Trindade, rezemos
Oração do Anjo, em Fátima
Santíssima Trindade,
Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo,
Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes,
sacrilégios e indiferenças
com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.
Abençoados e enriquecidos pelos dons da Santíssima trindade, digamos
Glória ao Pai
e ao Filho
e ao Espírito Santo.
Como era, no princípio,
agora e sempre.
Ámen.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.