Semana de 2 a 8 de outubro de 2022
XXVII Domingo Comum – Ano C

É muito importante sermos úteis e sentirmo-nos úteis.
Olhando em particular para este momento de oração, preparemos todos o local e o que for necessário para a oração.
Em jeito de desafio, cada um poderá trazer um objeto ou adereço para o local da oração, para além da Bíblia aberta em Lc 17, 5-10 e a vela para se acender quando todos estivermos prontos.
Reconhecendo, com humildade, a nossa pequenez e finitude, benzemo-nos
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Mesmo sendo “pequenos”, demos tudo quanto temos, como servos fiéis e obedientes. Louvemos a Deus pelo Seu amor.
Uma noite de cansaço, sobre o barco em alto mar
Enquanto o céu se aclara já
Estão vazias as tuas redes.
Mas a voz de quem te chama
Um outro mar te mostrará
Sobre cada coração
As tuas redes lançarás.
Oferece a tua vida
Como Maria, diante da cruz.
E serás, servo de cada homem,
Servo por amor:
Sacerdote da humanidade.
Avançavas no silêncio, esperavas que a semente
Que se espalhava diante de ti
Caísse numa boa terra.
Mas agora estás em festa
Porque o grão loureja já
Maduro pelo sol, pró celeiro levarás.
Convidados por Deus a sermos Seus instrumentos na construção do “Reino” e dispostos a comprometer-nos com coragem e radicalidade, manifestemos, em voz alta, a confiança que Lhe entregamos e as tantas coisas pelas quais Lhe queremos agradecer.
Prestemos atenção, com o coração interessado e disponível, à mensagem que Deus tem para nós, em Lc 17, 5-10
Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido’. Depois comerás e beberás tu. Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».
Verdadeiramente dispostos a perceber os ensinamentos de Deus, atentemos à explicação.
Como agimos e reagimos em relação à missão que Deus nos deu para fazer? Qual a tua atitude no trabalho, na empresa, na escola, na universidade, nos projetos em que estás envolvido, na família e na igreja? Empenhas-te e dedicas-te de todo coração e com todas as tuas forças ou fazes só o mínimo dos mínimos? Será isto o suficiente? O tempo que o Senhor nos concede é um presente e uma oportunidade que podemos aproveitar ou não para cumprir com afinco a missão que Deus nos deu. Quando aceitamos este presente, o Senhor espera somente que sejamos cuidadosos, que o aproveitemos completamente e não levemos este presente como quem “empurra com a barriga”.
Neste evangelho, Jesus questionou os discípulos quanto à postura e às atitudes dum servo perante o seu senhor e sentencia: “quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado”, como quem diz, mesmo que o servo tenha feito tudo o que Deus mandou fazer ainda tem que dizer: “Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer”. Na realidade, quão difícil se torna sermos servos inúteis do Senhor porque nem sempre fazemos tudo o que Ele manda.
Se o servo faz tudo o que o seu senhor manda e mais nada, ele não passa dum servo inútil. Se não tens qualquer iniciativa para fazer nada mais do que o que te foi ordenado, segundo o evangelho, és inútil. Pensa em alguém que fica parado à espera de receber uma ordem para algo e, se não a receber, nada faz. Essa pessoa pode ver algo que precisa de ser feito mas sem uma ordem não se move, não sai do seu lugar de conforto, não move uma palha. Este é o verdadeiro servo inútil que fica a aguardar uma ordem para agir e não toma a iniciativa. Além disto, quando recebe uma ordem nada faz além daquilo que lhe foi ordenado, mesmo que, no decorrer da ação, ele se tenha deparado com algo que precisa de ser feito.
Deus é proativo. Ele viu o povo escravo no Egipto e agiu, Ele libertou o povo do exílio da Babilónia e não ficou à espera. Deus não fica contente quando nós só fazemos o que nos é mandado fazer porque Ele espera mais de nós. Todos nós somos “úteis” para Deus e ele precisa de ti e tu tens uma missão a cumprir. Então, nós temos que ser aquele servo que faz muito mais, que cria algo novo, que vai mais além do que é mandado. Deus precisa e espera isso de ti porque Ele te deu capacidades para isso. É preciso mudar de atitude. Não chega dizer que isto ou aquilo está mal na minha família, na sociedade, no trabalho, na igreja… se eu não sou proativo e ajudo a mudar as coisas, fazendo só o mínimo dos mínimos. A mudança da situação da tua vida depende de Deus e de ti. Em casa, no emprego, na escola, na universidade, na igreja, não podes agir como convidado, ficando sentado no sofá à espera que tudo apareça e aconteça.
O Senhor Jesus pede-nos que sejamos proativos em todos os aspetos da nossa vida e também na vida espiritual.
João era um funcionário sério, dedicado e cumpridor das suas obrigações. Um belo dia, ele foi ter com o patrão da empresa para fazer uma reclamação:
– Patrão, tenho vinte anos de casa e trabalho nesta empresa com toda a dedicação mas sinto-me um tanto ou quanto injustiçado. O Francisco está connosco somente há três anos e ganha mais do que eu!
O Patrão fingiu que não o ouviu e disse:
– Foi bom vires aqui. Tenho um problema para resolver e tu podes fazê-lo. Quero dar fruta como sobremesa ao nosso pessoal para o almoço de hoje. Aqui na esquina há uma mercearia. Vai lá e verifica se eles têm abacaxi.
O João não entendeu muito bem e saiu da sala para cumprir a sua missão. Passados cinco minutos estava de volta.
– Então, Francisco? Perguntou o patrão.
– Verifiquei como o patrão pediu e a loja tem abacaxi.
– E quanto custa?
– Ah, isso não perguntei.
– Eles têm quantidade suficiente para todos os funcionários? Quis saber o patrão.
– Também não perguntei isso.
– Há alguma fruta que eles tenham que possa substituir o abacaxi?
– Não sei.
– Muito bem, João. Senta-te ali naquela cadeira e espera um pouco.
Então o patrão pegou no telefone, mandou chamar o Francisco e deu-lhe a mesma orientação que tinha dado ao João. Passados oito minutos o Francisco voltou.
– E então? Perguntou o patrão.
– Eles têm abacaxi em quantidade suficiente para todo o nosso pessoal e se o patrão preferir têm laranja, banana e melão. O abacaxi custa 1,50€ o quilo, a banana e o melão 1,00€ o quilo, a laranja custa 1,50€ o quilo. Como eu disse que a compra seria em grande quantidade, eles concedem um desconto de 15%. Deixei reservado e conforme o patrão decidir eu volto lá e confirmo! Explicou o Francisco.
– Agradecendo as informações, o patrão dispensou o Francisco. Voltou-se para o João que estava ali sentado ao seu lado e perguntou:
– João, o que querias mesmo falar comigo?
O João disse:
– Nada, Patrão. Esqueça. Com licença.
E saiu.
A fragilidade humana, por vezes, arrefece o nosso entusiasmo e é necessário, a cada instante, redescobrir o sentido das nossas opções e do nosso compromisso com Deus…Examinemos como, efetivamente, servimos o Senhor…
- Dou sempre tudo o que tenho para dar? Ou seja, abraço os projetos e vou mais além?
- Quais as situações, projetos ou tarefas em que invisto mais e verifico superação?
- E quais em que sou mais relaxado, procrastinador e preguiçoso?
- Qual é aquela participação paroquial em que reconheço que deveria contribui mais e ainda não o faço?
Confiantes na bondade e na magnanimidade de Deus, que nos ama como filhos e que tudo faz para nos oferecer vida e felicidade, entreguemo-nos, confiadamente, nas Suas mãos e peçamos-Lhe em voz alta, o que precisamos para nós e para os nossos irmãos.
Com a submissão e a humildade de sermos servos de Deus, rezemos-Lhe com fé
Deus Pai, que Te deixas tocar pela humildade dos Teus servos, concede-nos a fortaleza frente às dificuldades, o amor que nos impulsiona a uma entrega total a Cristo e aos homens, a prudência necessária para a animação e orientação da comunidade e a tenacidade e a coragem dos Teus discípulos.
Acolhendo os dons de Deus e louvando-O pelo Seu amor, aceitemos a Sua benção
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Como sugestão de leitura, a Nota pastoral para a Semana Nacional da Educação Cristã: “O Educador cristão, um guia no caminho”.