Semana de 28 de março a 3 de abril de 2021
Domingo de Ramos – Ano B

Chegou o ansiado momento de, em família, fazermos O encontro de intimidade com Deus! Cada semana se torna mais fácil encontrar o lugar tranquilo e confortável para nos reunirmos. Procuramos na Bíblia Marcos 11, 1-10 e Marcos 15, 11-15, temos connosco uma cruz, com um pano vermelho e um ramo ou palma, de preferência o(s) que benzemos na Eucaristia. Quando estivermos preparados acendemos a vela e começamos…
Unidos pelo amor de Jesus que aceitou a morte na cruz para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical e da entrega total da vida, benzemo-nos.
Em nome do Pai, em nome do Filho,
em nome do Espírito Santo, estamos aqui,
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
estamos aqui, Senhor, ao Teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar:
e aclamar Deus Trino de Amor.
Em nome do Pai…
Escutemos este cântico, com atenção, na presença de Jesus que Se solidariza connosco, nos acompanha e que experimentou as nossas fragilidades, debilidades e sofrimentos:
Que este vinho e este pão, Senhor
Que nos dás nesta hora de fé
Seja um hino da esperança
De união e de amor
Seja a nossa oração, meu Deus
A lembrança de Ti na Cruz
Seja a nossa a paixão
Que sofreste, Jesus
Seja a Cruz como um sinal
Seja o guia, seja a nossa voz
Seja Jesus Cristo, o Redentor
Na vida de todos nós
Seja a Cruz como um sinal
Que nos dá o Teu perdão
Livra-nos, Senhor, da tentação
Livra-nos de todo o mal
Que este vinho e este pão, Senhor
Que nos dás nesta hora de fé
Sejam sempre oração
Sejam um hino de louvor
Escutámos ou cantámos o cântico. Agora, em voz alta, agradecemos os dons recebidos.
Alguém lê as passagens da Bíblia: Marcos 11, 1-10 e Marcos 15, 11-15
Levaram o jumentinho a Jesus sobre o qual puseram as suas vestes. E ele montou-o. Muitos estendiam as suas vestes no caminho, outros puseram ramos que tinham apanhado nos campos. Tanto os que iam na frente, como os que seguiam atrás, gritavam: «Hossana! Bendito o que vem em nome do Senhor. Bendito o reino que vem, o reino do nosso pai David! Hossana nas alturas!».
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes Barrabás. Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes: «Então, que hei-de fazer d’Aquele que chamais o Rei dos judeus?» Eles gritaram de novo: «Crucifica-O!». Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-O!». Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.
Vamos tentar aprofundar o texto com esta reflexão…
O que terá levado a multidão, uma semana depois, a trocar os “hossanas” (que quer dizer: salva-nos) pelos “crucifica-O” e a não mais gritar “bendito o que vem em nome do Senhor”, mas a berrar a plenos pulmões “solta-nos Barrabás”?
Uma explicação de ordem externa é, sem dúvida, a manipulação a que é submetida a multidão. Quem carece de sentido crítico tende a render-se à “opinião pública”, ao que os “outros” dizem, deixando-se arrastar facilmente pelo que “a maioria” pensa e faz. Como no tempo de Jesus, a “opinião pública” é continuamente manipulada de forma hábil por um pequeno grupo de poderosos que quer tirar Cristo do meio de nós e muitos cristãos acabam por fazer eco dessa manipulação, virando as costas a Cristo e abandonando a Igreja. E assim acabam por ceder e gritar: “crucifiquem-no” e “crucifiquem a sua Igreja”.
Há ainda duas explicações de ordem interna. A primeira é a falta de convicção. A multidão aclamava Jesus, mas não o fazia de coração. Muitos deixaram-se levar pela euforia, pelo calor do momento e começaram a gritar sem saber sequer o que de facto estavam a dizer. Uns aplaudiam Jesus pelos milagres e curas que Ele fazia, outros faziam-no porque achavam que Jesus seria o novo rei que vinha trazer uma libertação religiosa e política. De facto, quando fazemos afirmações sobre as quais não temos convicção alguma acabamos por mudar facilmente de opinião.
Uma segunda explicação de ordem interna é a inconsistência. Esta tem a ver com a profundidade da nossa relação com Jesus que, em muitos casos, se funda mais em tradições e costumes do que propriamente numa relação de compromisso e fé. É possível que reduzamos a nossa vida cristã a experiências emocionais, ao formalismo religioso ou até a um ativismo. Quantas vezes arrependidos, emocionados, tocados por um encontro com o Senhor, abrimos-lhe as portas do nosso coração, acolhemo-l’O com alegria e entusiasmo, com Palmas e aclamações de vitória, mas pouco depois, as nossas ações e opções são opostas aos seus ensinamentos e expulsamos e gritamos “crucifiquem-n’O”, porque preferimos o “Barrabás” dos nossos vícios e dos nossos pecados? A esse Não! A esse que me pede compromisso e mudança na minha forma de viver, a esse Crucifiquem-n’O. A esse tirem-n’O da minha vida. Escolho Barrabás.
Que importante é aprendermos a ser fiéis até nos pequenos detalhes da nossa vida para não crucificarmos a Cristo com as nossas obras. Que importante é fortalecer a nossa amizade com o Senhor para que, num momento de prova e tentação, não nos deixarmos levar pelas vozes interiores ou exteriores que nos convidam a eliminar o Senhor Jesus das nossas vidas.
O amor de Deus é sempre fiel e o seguimento do Senhor exige fidelidade e constância. Reflitamos sobre a forma como seguimos o Senhor, partindo das seguintes pistas:
- Já algumas vezes escolhi “Barrabás” em vez de Jesus na minha vida?
- Deixo que a publicidade, a comunicação social, os youtubers e afins mandem no que eu faço e em quem eu sou?
- Já tomei alguma decisão ou atitude baseada no que os outros queriam que eu fizesse em vez de ser na minha consciência? Qual?
- Na reta final desta Quaresma, consigo cumprir a mudança de atitude que me propus?
Com o olhar na cruz e no ramo/palma que temos presente na nossa oração, reconhecemos que os que aclamam o Senhor Jesus são os mesmos que O rejeitam na Sua Paixão. Invocamos a misericórdia do Senhor para a nossa falta de coerência e consistência no seguimento de Jesus.
Rezemos todos juntos:
Perdoa-nos, Senhor,
porque nem sempre fomos coerentes na vivência da fé e,
por influência de outros ou por falta de consistência e convicção,
Te trocámos pelos “Barrabás” das nossas vidas.
Amén
Peçamos ao Senhor por nós, por aquilo que mais desejamos neste momento e pelos outros… os que O aclamam, os que gritam “crucifica-O” e os que escolhem “Barrabás”.
Rezamos o Pai Nosso
Senhor, que o testemunho de Teu Filho Jesus, na Sua entrega a Ti e aos irmãos, nos inspire a sermos perseverantes, fieis e firmes na nossa fé.
E benzemo-nos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Estamos na semana Santa, estamos tristes, mas com a certeza que vamos ter a maior alegria de sempre: a ressurreição de Jesus Cristo. De modo a assinalar o momento e a mostrar a todos que esta semana é importante, poderíamos fazer uma cruz e colocá-la no lado de fora da casa com um pano roxo e, no domingo de Páscoa, mudaríamos para um pano branco. Fica a dica…
Para saber mais: “Como viver a Semana Santa?”.